2016 BREVE BALANÇO

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Com o ano prestes a terminar, chega a hora de fazer um breve balanço sobre alguns acontecimentos ocorridos em 2016. Olhando em retrospetiva, para os últimos 11 meses, verifica-se que foram férteis em acontecimentos extraordinários, desde a política à música. De forma muito simples descrevo quatro factos políticos.

1  Verdadeiramente extraordinário foi a eleição de António Guterres para Secretário-geral da Organização das Nações Unidas. António Guterres foi eleito pelo brilhantismo e lucidez da sua visão. Mas, também, pelas suas qualidades humanas, políticas e intelectuais para o desempenho do cargo. Esta eleição correspondeu ao mais participado, democrático e transparente processo de sempre na escolha do Secretário-geral da ONU. António Guterres teve que superar candidatos que tinham como principais argumentos a representação territorial, o equilíbrio geopolítico e a dimensão de género, o que realça as suas qualidades de independência e imparcialidade para o exercício das funções. A 1 de janeiro de 2017, António Guterres vai assumir um dos mais notórios e prestigiados cargos internacionais.

Desejamos-lhe boa sorte!

2  É de sublinhar a aprovação de dois Orçamentos do Estado, por uma maioria parlamentar de esquerda. Foram momentos históricos. E para os que apostavam no medo ou no “diabo”, o Governo, da “geringonça”, tem demonstrado que afinal havia outro caminho, com menos austeridade e mais crescimento. Até a própria Comissão Europeia deu, recentemente, um voto de confiança às políticas do governo. Todos sabemos que o caminho não é fácil, mas agora as famílias podem olhar para o seu dia-a-dia com maior tranquilidade. Este Governo está a cumprir e a devolver a esperança aos portugueses. No Alto Minho podemos constatar esse desempenho, referindo apenas cinco ações pelo seu simbolismo: Abertura da Unidade de Cuidados Continuados de Melgaço; Reforço dos Centros de Atividades Ocupacionais da APPACDM; Adjudicação da Eletrificação e Modernização da Linha Ferroviária do Minho, entre Nine e Viana do Castelo; Emparcelamento Agrícola de Monção e Reabertura do Tribunal de Paredes de Coura. Assim, ao contrário do Governo anterior do PSD/CDS, o Governo do PS tem cumprido com o Alto Minho e vai continuar a cumprir.

3  Um facto importante para o mundo foi a assinatura do “Acordo de Paris”, o primeiro pacto universal, contra o aquecimento global. Adotado em dezembro do ano passado por 197 países, na Conferência da ONU sobre o clima (COP21) em Paris, entrou em vigor no passado dia 4 de novembro, quatro anos antes do prazo limite de 2020. A cada cinco anos os países signatários deverão rever as contribuições para o combate às alterações climáticas.

 4  Outro acontecimento com implicações a nível internacional foi a eleição inesperada de Donald Trump. Contra tudo e contra todos Trump venceu Hillary Clinton e surpreendeu o mundo. Curiosamente para os criadores dos Simpsons não foi surpresa porque, há 16 anos, num dos episódios da série, Lisa Simpson era eleita presidente dos EUA e queixava-se que o seu antecessor, Donald Trump, tinha deixado o país na bancarrota. Era uma piada porque os criadores dos Simpsons queriam alguém improvável e despropositado como presidente, mas agora é um facto. Donald Trump, magnata do imobiliário, candidatou-se a presidente e ganhou! É agora o 45º presidente dos Estados Unidos da América. Entretanto, questiona-se, um pouco por todo o mundo, como é que alguém que é o que é, e disse o disse ao longo de todo o processo eleitoral, consegue ser eleito presidente da maior superpotência mundial? A resposta é, certamente, muito complexa. Mas em democracia os eleitores votam por diversas motivações e que apenas diz respeito à sua consciência. Por isso, não faz sentido censurar os eleitores pelas escolhas que fizeram, mas sim avaliar as alternativas que lhes foram propostas. É compreensível que as pessoas sem trabalho ou a viver na precaridade, e sem horizonte de futuro, sejam facilmente contagiadas pela retórica populista. A inquietação maior é quando alguém fala contra “o Sistema”, como fez Donald Trump para cativar os eleitores, fala contra a democracia. Por isso, a eleição de Donald Trump continua a suscitar preocupação em muitos democratas das mais diversas origens, a começar, como se tem visto, pelos próprios americanos. Não se sabe ainda, ao certo, o que fará Donald Trump, mas os EUA, a Europa e o mundo precisam de um presidente Trump substantivamente diferente daquele que se apresentou na campanha. O que se passou, nestas eleições, é um aviso para o mundo e, em particular, para a Europa. Por isso, os líderes europeus têm de agir, com urgência, investindo mais nas pessoas, dando prioridade à criação de emprego e ao combate às desigualdades.

A ver vamos…

 A todos votos de Feliz Ano Novo.

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