A AUTOEUROPA DO ALTO MINHO

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É opinião unânime entre os especialistas económicos que a fábrica alemã da VOLKSWAGEN AUTOEUROPA, situada na península de Setúbal, mais concretamente no concelho de  Palmela, se afigura como um dos motores da economia portuguesa, e, muito em concreto, da área metropolitana de Lisboa, ou seja, da Grande Lisboa. Representa tão só o maior investimento estrangeiro até hoje feito em Portugal, tendo um impacto enorme na economia nacional e regional, ao ponto de os analistas considerarem que a sua hipotética saída de Portugal constituiria um descalabro para o país, pois o peso da sua produção pesa aproximadamente 1,1% do PIB nacional, e 3,7% das nossas exportações. Para a economia nacional, perder este peso exportador teria um efeito que dificilmente seria reparável a médio prazo. Por outro lado, a incorporação nacional na produção da Autoeuropa levaria a prejuízos em cadeia junto das empresas fornecedoras, já que esta empresa adquire a fornecedores portugueses cerca de 62% do seu volume total de aquisições de bens e serviços. A acrescer a tudo isto estariam também em causa 3600 postos de trabalho diretos.

Desde o inicio da sua laboração, que remonta ao ano de 1995, tem sido considerada um exemplo de produtividade e de excelente coabitação entre acionistas, dirigentes e colaboradores operacionais. A Volkswagen AUTOEUROPA é um importante player a nível mundial, exportando para 16 países e atingindo uma taxa de exportação na ordem dos 75,49%, sendo a 3.ª empresa mais exportadora situada em Portugal, logo atrás da  PETRÓLEOS DE PORTUGAL – PETROGAL, S.A e da TAP – TRANSPORTES AÉREOS PORTUGUESES, S.A., por esta ordem(INE). A empresa possui 654 fornecedores dos quais 19 estão instalados no parque empresarial de Palmela e 28 noutros locais de Portugal.

Aqui ao lado, a menos de 30 Km de Valença, a sensivelmente 20 minutos de automóvel localiza-se a maior unidade do gigante europeu PSA, liderada pelo português Carlos Tavares, que recentemente adquiriu a OPEL, à multinacional GENERAL MOTORS, sendo de momento o 2.º maior produtor europeu. A fábrica de Vigo é a maior do grupo PSA, tendo produzindo, no ano passado, 407.100 veículos.

Com os novos modelos anunciados, o projeto K9 que em 2018 irá substituir as berlingos atuais, estima-se que essa produção venha a aumentar substancialmente.

Comparando a produção em 2016 das duas unidades: PSA Vigo (424.000 veículos/ano) e VOLKSWAGEN AUTOEUROPA em Setúbal (85.126 veículos/ano) rapidamente constatamos que a produção atual da fábrica viguesa quase quintuplica a da AUTOEUROPA.

Estes números obrigam-nos a pensar no peso que a fábrica viguesa tem para a nossa região; senão, veja-se a quantidade de fornecedores já aqui instaladas, ao qual se deve em grande parte o aumento das exportações da região nos últimos anos, e os que  perspetivam que se venham a instalar face aos recentes anúncios de investimentos.

Temos todos os atores regionais feito o trabalho de casa, na consolidação das áreas empresariais, na agilidade dos licenciamentos, na formação qualificada dos colaboradores e no estimulo à cooperação transfronteiriça.  Mas face ao que se advinha temos de fazer ainda muito mais, pois o nosso filão dourado está aqui ao lado, a menos de 30km.

É importante alargar e requalificar os atuais parques empresariais, criar nonas áreas de acolhimento empresariais, reforçar a aposta na formação das nossas gentes e apoiar aqueles que se posicionem como possíveis fornecedores dessa unidade. A melhoria das acessibilidades, com a eletrificação e requalificação da linha férrea, a conclusão dos acessos rodoviários aos parques de Lanheses e Formariz já anunciados e os investimentos no porto de mar auguram bons ventos. Relativamente ao porto de mar convém referir que 31% da mercadoria usada na fabrica da PSA move-se no Porto de Vigo. Também no nosso porto de mar precisamos de ser mais proativos e articulados na procura dos agentes económicos que possam potencia-lo e afirma-lo no seu hinterland natural.

Poderemos afirmar que a nossa AUTOEUROPA está aqui ao lado em Vigo, basta pensar que se 1/5 da produção for fornecida a partir do Alto Minho, valor perfeitamente exequível, estamos a igualar os valores da AUTOEUROPA. E assim sem grandes parangonas e apoios, iriamos construindo o futuro do nosso território.

Mais uma vez, como sempre defendi, a forma de combater a marginalidade geográfica deste território que ainda está muito longe de Lisboa, está na cooperação transfronteiriça. As Associações Empresarias têm o feito de uma forma intensa, exemplo   foi mais um projeto de internacionalização conjunta recentemente aprovada pela união Europeia,  que vai permitir que empresários dos dois lados da fronteira troquem experiencias e abordem mercados internacionais em parceria.

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