A Compreensão Humana

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Uma compreensão humana que não passe do pensamento e/ou do desejo, não basta para que possa haver paz.

O pensamento e o desejo, mesmo bons, não saciam a fome; o estímulo verbal não resolve o problema da falta de trabalho; o apelo à confiança não edifica a casa de habitação para o casal de jovens que dela necessita.

Além de tudo isso ainda existem discriminações sociais, porque se mede o valor das pessoas pelo lugar que ocupam na hierarquia humana, pelo poder económico ou pelas zonas de influência onde se movem, e não pelo que elas são em si mesmas.

A fome continua a grassar no mundo, a par com o luxo e o consumismo desenfreado duma sociedade instalada.

Fazem-se acordos de paz e, na penumbra, negoceiam-se armas. Acolhem-se refugiados de guerra e grita-se contra o atropelo dos direitos humanos, mas violam-se direitos mais elementares, ao nível da pessoa.

Castigam-se os traficantes, mas entra-se em negócios de risco e de alto lucro à custa dos meios degenerativos da vida das células familiares.

Esta incoerência dos homens não pode gerar a compreensão e, sem ela, não poderá haver a tão apregoada paz.

A compreensão geradora dessa paz é aquela que é efectiva na busca da solução dos grandes problemas que atingem todos aqueles que têm uma menor capacidade de decisão e, por isso, mais desprotegidos.

O nosso tempo está carente de diálogo e de compreensão. Ele agoniza asfixiado por um novo “materialismo dialéctico” e sufocado por um renovado “capitalismo selvagem”. Ambos, embora apregoando caminhos aparentemente diferentes, conduzem à degradação do ser humano, cada vez mais indefeso, cada vez mais perdido no vórtice de uma sociedade sem sentido porque desprovida de valores.

O nosso tempo sangra de múltiplas feridas que só poderão ser curadas pelo testemunho espiritual, pela simplicidade da vida, pelo amor e pela compreensão para com os outros.

Michel Quoist afirmou que “a estrada da tua felicidade não parte das pessoas para chegar a ti; parte sempre de ti em direcção aos outros”.

Pela compreensão, o homem afirma-se como tal quando é capaz de viver uma relação inteligente, consciente e livre, não considerando os outros como simples objectos.

Tal como cada um de nós considera merecer o respeito dos outros, assim eles consideram merecer o nosso.

Que a compreensão leve cada um de nós a entender que é tempo de se libertar da teia manipuladora com que nos vão envolvendo e a sentir que os outros também são pessoas, em toda a sua dimensão humanista.

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