A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E O FIM DE MUITAS PROFISSÕES TRADICIONAIS

“OS HUMANOS VÃO TORNAR-SE SUPÉRFLUOS”?

Para além das preocupações com o equilíbrio ambiental, visando  salvar a “MÃE TERRA”, a exigirem uma nova e revolucionária ética comportamental empresarial, individual e social; com as fragilidades económicas e financeiras mundiais;  com a salvaguarda e regeneração da socialização dinamicamente apropriada dos jovens; com a diminuição das escandalosas assimetrias regionais e sociais existentes; com a defesa da qualidade de vida da chamada “ terceira ou quarta idade” cada vez mais numerosa e mais vulnerável,  outra questão que me parece dever ser tratada com toda a inteligência, empenho e compromisso, quer pelo poder político, quer pelo setor empresarial, quer pelas instituições universitárias, é a questão da grande revolução tecnológica em curso e a sua aplicação ao mundo do trabalho, com especial realce para o alargamento dos domínios da “inteligência artificial”  e a robotização nos sistemas de produção e serviços, com consequências profundas já conhecidas ou ainda no patamar do possível, a implicarem uma nova organização e ocupação dos trabalhadores, onde, para além dos poucos postos de trabalho que vão restando, só os conseguirão ocupar quem dominar o “ saber”, ou seja, quem atinja uma especialização nos últimos gritos da investigação científica e sua aplicação tecnológica.

E os outros homens? E os jovens, trabalhadores do futuro? Serás que os políticos não encontram tempo para ler, meditar e refletir sobre o futuro, no seu essencial? Ou só lhes interessa estar apetrechados com soluções rápidas e imediatas que vão ao encontro do que considerem ser as expectativas imediatas também dos seus eleitores?

A realidade atual já nos mostra sinais evidentes. Ninguém nega a importância das invenções tecnológicas que vieram, na maior parte dos casos, dar aos homens de todos os tempos novas oportunidades de melhorarem a sua qualidade de vida, de garantirem o seu sustento com menos esforço e perigo, de proporcionarem mais saúde, mais cultura, melhor relacionamento social. Relembrem-se os efeitos positivos da revolução da “máquina a vapor”, da “máquina a eletricidade” e agora o mundo fantástico da “máquina eletrónica” e o “incontornável” domínio teórico e prático da “inteligência artificial”. As máquinas não se tornaram só companheiras inseparáveis dos trabalhadores como dantes eram os animais nas tarefas agrícolas, nos serviços de distribuição ou de comunicação entre lugares e pessoas;

hoje e, cada vez mais, as máquinas  mais automáticas, mais complexas e mais potentes substituem os trabalhadores: assistimos, para bem e para mal, à crescente robotização do mundo do trabalho: nos auto-fornos, nos serviços de limpeza, nas obras de infraestruturas, nas explorações mineiras, nas tarefas de cargas e descargas, nos meios de vigilância e controlo, no mundo automóvel, desde a automação dos carros individuais, a outros veículos coletivos sem condutor, como em carros de aluguer, metropolitanos, comboios, aviões, etc. Daqui a algum tempo, a “Guerra” não vai precisar de soldados: drones, aviões e tanques telecomandados ou préprogramados, mísseis nucleares de longo alcance, domínio informático de comunicação e propaganda com mais precisão e mais eficácia e mais mortes… Até, nas nossas casas, há robôs de cozinha, de limpeza, etc. Há também restaurantes onde são já robôs que servem os pratos aos clientes! Hoje, a agricultura extensiva (e não só!) não é rentável se não for mais ou menos automatizada. A indústria moderna é cada vez mais tecnicizada e computorizada, da mais leve à mais pesada: têxteis, metalurgia, indústria automóvel, eletrónica, etc. Mas também, nas profissões mais “mentais”, a “invasão” tecnológica está a acontecer em força: na área da finança, seguros, contabilidade, serviços bancários, estatística, etc. Na medicina já não é só a nível de exames e diagnóstico, mas também a nível de cirurgia, com resultados extraordinários na “microcirurgia”. Na comunicação entre os homens, na relação espaço-tempo, o 1.º já quase não conta; domina o 2.º elemento cada vez mais curto, dependendo quase exclusivamente da “velocidade”.

Será que, daqui a mais algum tempo, até as escolhas éticas e jurídicas resultarão de uma decisão proveniente de uma formatação lógico-matemática, bastando introduzir dados e carregar numa tecla, sem ser preciso pensar muito na escolha a selecionar?

Até para fazer filhos (criá-los, parece-me mais complicado!) já não serão necessários dois parceiros juntos em ato amoroso ou circunstancial, nem atos sexuais e, mais para a frente, possivelmente, nem a fecundação dos óvulos pelos espermatozoides fará falta, bastando a multiplicação de uma célula corporal e, até com a possibilidade de, com  tecnologias especialíssimas em engenharia genética, alterar artificialmente a combinação das moléculas do ADN. As “barrigas de aluguer” e a fecundação “in vitro” são já práticas eficazes. E se inventarem “ovos” humanos artificiais?

Estes exemplos são apenas alguns de muitos que poderia apresentar. Porém, por motivos de espaço e, sobretudo, pela pequenez do meu saber, fico por aqui.

O que parece certo é que, daqui a 10, 20, 30, 50 anos, só uma pequena parcela da tradicional atividade humana chamada “trabalho” não será dominada pela aplicação tecnológica e pela sua robotização. Dizem os entendidos que só as profissões de criatividade, supervisão e controlo sobrevirão. Assim, em muitas profissões, os homens vão tornar-se supérfluos, inúteis mesmo.

O empresário, o investidor, se for dominado apenas pela lógica do “capitalismo” no quadro do mercado global, só quer o “máximo lucro”. Daí só vai investir nos meios de produção mais eficazes, mais rentáveis, mais baratos, menos problemáticos em termos organizativos e psico-sociais . É uma tentação absorvente e parecendo à primeira vista legítima e normal. Mas esses investimentos muito volumosos são feitos, quantas vezes, com grandes isenções fiscais, com empréstimos fortemente bonificados ou mesmo com subsídios a fundo perdido, dados por todos nós, provenientes dos impostos que, com mais ou menos queixumes, pagamos. Que retorno para a sociedade, se tantas vezes o IRC é subtachado e o n.º de empregos criados é ínfimo? Será a economia apenas uma atividade que visa apenas o “lucro”? Que sociedade se quer para amanhã, quando aprendemos (e penso que este ensinamento não caducou…) que é pelo trabalho que todo o homem consegue a sua realização pessoal e existencial e, consequentemente, contribui também para a organização e bem estar social, dando e recebendo?

Mas pela crescente e universal tecnicização das forças e meios de produção material ou imaterial, qual será o destino, o tipo de vida, a angariação de recursos para aqueles que não têm preparação para manipular as novas e complexas tecnologias e  mesmo aos que tendo esse “saber” e essas competências não lhes dão acesso à ocupação laboral por estarem a mais em relação ás modernas necessidades  empresariais ? Que vão fazer os jovens no futuro? Quem tem dinheiro e saber vai ficar com mais dinheiro e mais poder? E os “pobres” de dinheiro e os “pobres” do saber ? E mesmo os ricos de “saber” que não podem empreender por serem pobres de “poder”?

O que fazer com os muitos desempregados? Como dividir, com justiça, os avultados rendimentos criados por todas essas novas ferramentas de capital e tecnologia? Deverão as empresas pagar para a segurança social por cada robô utilizado em vez do trabalhador humano dispensado? Deverá ser criado um subsídio universal mínimo suportado pelos impostos sobre a atividade económica, ou diminuir a carga horária laboral para criar postos de trabalho para a maior parte e mais tempo para a vida pessoal e familiar, para a cultura e para o lazer?

Famílias, empresas, escolas e políticos unam-se para pensar a sério o presente e programarem, com bom senso, com humanismo e com esperança um mundo melhor para todos, de modo a evitar o emergir de novos fascismos sociais e políticos, seja lá onde forem e de que cor se apresentarem.

Certamente, não fui capaz de equacionar corretamente este problema. Mas, apesar de tudo, caro leitor, o que pensa acerca destas questões?

Apesar de tudo, também, eu acredito que os homens de boa vontade serão capazes de descobrir as soluções que conduzirão a humanidade no caminho da luminosidade racional, da tensão ética e da solidariedade social.

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