Academia de Música Fortaleza de Valença :: Orquestra da Eurocidade é ambição

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A Academia de Música Fortaleza de Valença – AMFV -  foi fundada em 26 de setembro de 2013. Está formalizada como sendo uma associação de âmbito artístico, pedagógico e cultural, sem fins lucrativos, integrada no ensino particular e cooperativo. Enquanto escola, faz parte  do ensino especializado da música, tendo sido homologada pelo Ministério da Educação e Ciência em 21 de setembro de 2014.

Os seus propósitos são promover o ensino da música de acordo com os cursos oficiais do Ministério da Educação, contribuir para a formação integral dos seus alunos, como cidadãos e como músicos, implementar uma dinâmica cultural a nível nacional e internacional potenciando, assim, o projeto Eurocidade Valença-Tui.

Para tal ambicionam concretizar o projeto de criação de uma Orquestra da Eurocidade.

A Vale Mais deslocou-se ao antigo edifício da Alfandega de Valença, onde a academia tem sede e, em cerca de 10 salas, se respira música.

Conversamos com Ivone Ribeiro, a diretora pedagógica da academia que nos falou do dia-a-dia desta escola.

A Academia de música é um projeto recente (4 anos). Como surgiu?

A AMFV surgiu com o objetivo de criar,  no Município de Valença,  uma oferta formativa na área do Ensino Especializado da Música, até então inexistente. Concomitantemente, com esta oferta,  promove-se uma dinâmica cultural diversificada fomentando assim a criação de novos públicos.

Como está dividida, estruturalmente, a Academia? 

A AMFV está dividida por cursos, de acordo com a legislação em vigor do ME.

Os cursos estão divididos da seguinte forma:

• Curso de Iniciação Musical: Crianças dos 5/6 aos 9/10

• Curso Básico de Música: Crianças/jovens dos 10 aos 15 anos

• Curso Livre de Instrumento: Todas as idades

Os instrumentos que os alunos podem optar são os seguintes: Violino; Viola d`arco; Violoncelo; Contrabaixo; Flauta Transversal; Oboé; Clarinete; Fagote; Saxofone;  Trompete; Trompa; Trombone; Percussão; Guitarra Clássica; Piano e Canto.

Os cursos são exclusivamente para alunos do ensino escolar ou qualquer pessoa pode inscrever-se?

No Curso de Iniciação Musical e no Básico de Música, apenas crianças e jovens com as idades referidas, na questão anterior, podem frequentar. De salientar que têm um Plano de Estudos próprio e obrigatório.

No Curso Livre de Instrumento,  todas as pessoas de qualquer faixa etária podem frequentar.

Que outros projetos possui?

Temos ainda o Projeto de Infância para crianças entre os 3 e os 5 anos de idade e um Projeto Jazz.

Quais são, até ao momento, os principais momentos do seu historial?

Podem-se destacar vários momentos marcantes: a homologação do Ministério da Educação; a viagem a Lisboa para cantar as janeiras ao primeiro-ministro, na época Passos Coelho; a atuação aquando da vinda a Valença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa; o  2.º lugar no Concurso de Panxoliñas em Espanha; o Concerto de Natal com o Coro Vocalis Contrasta da AMFV e a Orquestra do Conservatório de Música Tui, no âmbito da Eurocidade; Concertos comentados “Música em Família” e a  participação do Ensemble Orff, no Porto, nas comemorações dos 30 anos de vinda a Portugal do Pedagogo Belga -  Jos Wuytack.

De que apoios dispõe a Academia?

Desde a sua fundação a Academia tem sobrevivido com os apoio dos encarregados de Educação e da Câmara Municipal de Valença.

Este ano iremos fazer uma nova Candidatura ao Contrato de Patrocínio do ME,  de modo a garantirmos financiamento no próximo Ano Letivo 2018/19.

Já foi feita uma candidatura, em 2015, mas como nessa altura éramos uma escola nova… e não foi dado nenhum apoio a nenhuma escola (nova) do país.

Houve um corte nos apoios ao Ensino Especializado da Música. As escolas antigas sofreram uma redução de apoios e as novas nem sequer foram contempladas.

Agora, vamos concorrer e obviamente que tencionamos obter esses apoios, porque o ensino articulado passa a ser gratuito para os alunos e para a estrutura da academia é um passo importantíssimos, visto que são necessários mais funcionários, mais instrumentos, mais contratos para professores, entre outras situações.

Sente que a Academia pode ser uma fonte de ambição e um caminho para quem quer prosseguir estudos/carreira nestas área?

Esse é dos nossos objetivos,  possibilitar que os alunos desta região possam prosseguir estudos superiores no âmbito da Música.

Quantos alunos tem a Academia nos diferentes cursos?

Atualmente tem  110 alunos.

Além de Valença há praticantes oriundos de outros concelhos? Quais?

Sim. De Espanha, Monção, Paredes de Coura e Vila Nova de Cerveira.

Como decorrem as aulas? 

Semanalmente, os alunos do Curso Básico de Música, uma vez que frequentam o regime articulado, têm o seu horário integrado/articulado com o do Agrupamento Muralhas do Minho, Valença. Algumas aulas, dos alunos do articulado, ocorrem no Agrupamento Muralhas do Minho.

As atividades letivas ocorrem, maioritariamente, na AMFV.

Os alunos de Iniciação e do Curso Livre de Instrumento têm as aulas após o horário escolar ou de trabalho, na AMFV.

E os espetáculos? Como surgem e como são trabalhados?

No início do Ano Letivo, a Escola elabora o Plano Anual de Atividades, destinado a todos os alunos e comunidade escolar, de modo a que haja concertos, visitas de estudo e audições nos três períodos do Ano.

Todos os concertos são importantes e têm dinâmicas próprias.

A performance em palco e em público fazem parte da formação dos nossos alunos.

Existe alguma propina por aluno/a? Qual?

Sim, os alunos têm 3 disciplinas no seu plano de estudos. Por outro lado, os professores são oriundos do Porto, Viana do Castelo e Braga, implicando deslocações e o seu pagamento de honorários à hora letiva. Neste sentido, o plano de estudo para os alunos de Iniciação custa 55€ mensais; Curso Básico de Música 45€ e Curso Livre de Instrumento 50€/60€.

Os projetos Infância, bem como o de jazz, são mais acessíveis, uma vez que só têm uma aula semanal em grupo.

De referir que o Município de Valença contribui com uma verba para minimizar os encargos das respetivas famílias.

Projetos para o futuro?

Queremos dar continuidade a esta oferta formativa, garantir o financiamento no próximo ano letivo, de modo a tornar este tipo de ensino acessível a todos as crianças e jovens do concelho de Valença e, quem sabe, de outro concelho vizinho.

Ou seja, os nossos professores poderão ir a outro Agrupamento Escolar, lecionar um instrumento, porque já soube que existe o interesse de outros municípios neste ensino articulado.

Depois, queremos continuar a fazer parceria com o Conservatório de Tui, no sentido de tornarmos a Orquestra da Eurocidade uma realidade. Esta parceria surgiu em 2017 e ambicionamos criar a Orquestra.

Poderemos, também, fazer uma candidatura aos fundos europeus para apoiar este projeto internacional. A Orquestra naturalmente que terá alunos e professores das escolas.

Por fim, iremos promover um atelier para os utentes da APPCDM e alargar parcerias com outras instituições.

Qual é a importância desta Academia para o município de Valença? E para a Eurocidade? 

Tem uma grande importância, uma vez que não existia esta oferta educativa, no concelho de Valença, bem como, nos concelhos vizinhos. A oferta cultural do Concelho passou a ter outra dinâmica e outros públicos.

De salientar ainda, o facto da instituição ter criado novos postos de trabalho que no futuro poderão ser ocupados pelos  alunos da AMFV, fixando assim os jovens em Valença e atraindo, ainda, artistas de outras regiões.

Considera que a projeção que a Academia tem no concelho e na população é boa ou pode melhorar?

Creio que a Academia tem vindo a ganhar projeção e um bom acolhimento no concelho. Desde a sua fundação que sempre nos mostramos  receptivos e cooperantes com o Município de Valença, parceiro indispensável, que tem apoiado e valorizado o trabalho desenvolvido na AMFV.

A nossa postura tem sido de abertura e colaboração. Sempre que instituições nos  solicitam procuramos, dentro das nossas possibilidade, dar feedback positivo.

A Escola está bem consolidada ou há muito crescimento pela frente? 

Obviamente que um projeto como este ainda tem um grande percurso pela frente. Há uma necessidade urgente do financiamento do Ministério da Educação para consolidar a AMFV. Temos lutado com muitas dificuldades financeiras, desde o início, para conseguir sustentar esta Academia. Estou certa que estamos prestes a conseguir o nosso objetivo, em prol da igualdade de oportunidades das crianças e jovens deste concelho, e mesmo, desta região.

As condições na Alfandega são boas ou são as possíveis? 

O Edifício da Alfândega é, sem dúvida, um dos mais emblemáticos de Valença e é para nós, uma honra, usufruir deste espaço.

A aposta do Município neste espaço para a AMFV, deu-lhe uma nova dinâmica e por consequência criou a necessidade de se adaptar às normas e exigências do Ministério da Educação.

Com o crescimento do número de alunos, houve necessidade de alargar o número de salas. Sei que o Município está a acautelar esta situação.

No próximo Ano Letivo, pretendemos homologar os cursos secundários de música, o que implicará a adaptação de outros espaços.

O edifício tem uma localização privilegiada, tem muito potencial e irá, certamente, ser adaptado às necessidades da Academia.

São Órgãos da Associação:  
Assembleia Geral

Presidente – Ana Paula Xavier

Direção

Presidente – Ivone Ribeiro

Secretária – Lucinda Dantas

Tesoureira – Carmo Pereira

Direção Pedagógica

Diretora Ivone Ribeiro

Subdiretores

Mariline Borlido

Manuel Vieira.

Veja a reportagem publicada na revista:

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