AINDA A VIOLÊNCIA NO DESPORTO

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Nos últimos tempos, o clima de “guerrilha” desportiva acentuou-se de uma forma assustadora no nosso país.

Na verdade, desde os insultos entre dirigentes e claques até aos irracionais desejos de morte para com os adversários (tornados inimigos), tudo tem valido, com o apoio insano dos “media”, com o objectivo de aumentar as suas audiências.

Em Julho de 2013, quando escrevi, no nº 19 da VALE MAIS, um “Ponto de Vista” com o título de “os incitadores da violência no desporto”, longe estava de imaginar que esta temática voltaria a estar tão actual!

Aos “incitadores” então referidos (governos, “mass media”, dirigentes e claques) acrescentava mais um: os “comentadores desportivos”, nomeadamente do futebol.

Os governos são responsáveis pela criação de conjunturas propícias a situações que levam a violência. A sua intervenção, ou omissão, neste campo é condicionada por interesses essencialmente políticos, ficando por meros processos de intenção e de retórica estéril de propaganda.

Os “mass media” são também responsáveis por esta onda de violência. É sabido que é através da comunicação social que se criam factos inexistentes, fomentadores de paixões, que se agitam sentimentos de rivalidades doentias, verdadeiros vulcões prontos a explodir, em vez de se procurar uma informação imparcial e apaziguadora.

Os dirigentes são os maiores responsáveis pelo incremento da violência, suportados nomeadamente pelos meios televisivos, por serem os mais imediatos, e escondidos, muitas vezes, por “profissionais” de comunicação dos clubes, vulgo “porta-vozes” dos mesmos. As atitudes de alguns destes indivíduos (pseudo-dirigentes) ficam a dever-se a diversos motivos: desejo de protagonismo, necessidade de encobrir gestões desastrosas e total irresponsabilidade indiciadora de mentalidades egocêntricas doentias.

As claques representam os apoios físicos dos clubes. Nelas, inicialmente criadas apenas para apoiar e incentivar as equipas durante os jogos, infiltram-se autênticos profissionais da desestabilização que conduzem à violência. Isto tudo com a complacência dos dirigentes.

Os pretensos “comentadores desportivos” são, salvo raras excepções, indivíduos com formação académica superior. Porém, na sua grande maioria, têm perspectivas clubistas enviesadas e não conseguem ver a realidade dos acontecimentos que “comentam”. Assim, acabam por ser mais uma acha para a fogueira das paixões exacerbadas e ajudam, como se isso ainda fosse preciso, a fomentar a violência na área desportiva.

A violência no desporto não é avulsa. Tem rituais e segue normas elaboradas.

Como estancar este fenómeno? Não há uma resposta modelo. Porém, quando a sociedade conseguir responder aos anseios básicos das pessoas, humanizando-as, a violência no desporto (e qualquer outra) poderá deixar de ser tema de discussão.

E há ainda mais uma coisa: a aplicação da lei que se encontra em vigor! Se ela for cumprida de forma implacável, e não se continue a “enterrar a cabeça na areia”, é bem possível que a violência desportiva desapareça drasticamente dos nossos quotidianos.

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