Turismo :: Alto Minho – Family Friendly Concelho a Concelho (1)

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Nacional
1. O país é seguro? Isto é, está longe de fontes de terrorismo, roubos, assaltos, etc?
2. O país é barato? Isto é, o custo das refeições, portagens, combustível, diversões, etc, é acessível?
3. O país tem bom clima? Isto é, oferece a possiblidade de desfrutar de condições atmosféricas propícias à realização dos objectivos da viagem como desfrutar de sol e praia ou neve, fazer caminhadas, etc
4. O país é acolhedor? Isto é, as pessoas gostam de receber turistas ou rejeitam a sua presença?
Regional & Local
1. A região & o local para onde se vai dispõem de infra-estruturas de qualidade? (Por exemplo, existem parques e jardins públicos, locais adequados a piqueniques, estradas em boas condições?)
2. Existem equipamentos de lazer e cultura adequados a crianças e a séniores? (Os museus dispõem de programas para crianças para além da língua nativa, existem parques de diversões e/ou outros centros de actividades para crianças?
3. A comunicação em rede é fácil? (encontra-se facilmente informações sobre locais vizinhos e as actividades/ eventos que lá se realizam?
4. Existem eventos especificamente concebidos para crianças/ jovens? (Festivais ou eventos onde as crianças podem participar activamente?)
5. Existem serviços turísticos que permitam o relaxamento dos pais? (Empresas de animação para crianças em conjunto com serviços culturais/ gastronómicos para os pais, como visitas a quintas de produção de vinho, etc?)

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Mesmo que seja uma realidade latente, os fluxos turísticos são influenciados em boa medida pelo sentimento de segurança de um país e da zona onde este se insere. Assim, o facto de Portugal ter estado até este momento imune ao terrorismo (como aconteceu na França, Bélgica, Inglaterra), e a diversos outros perigos como a instabilidade política interna de regimes (como na Tunísia, Turquia ou Brasil) tem contribuído decisivamente para os números recorde ano após ano, em especial após 2014.

Aliado a preços altamente competitivos em muitos segmentos da oferta de restauração e alojamento, o país é (ainda) muito atractivo para diferentes mercadores emissores, com destaque para os países nórdicos, França, Alemanha, Holanda e Espanha entre outros. Não esqueçamos igualmente que as campanhas dirigidas pelo Turismo de Portugal têm eficientemente promovido um “Portugal for all seasons”, com especial ênfase em nichos de mercado como o surf e o golfe, ou o turismo de cidade com short city-breaks, nos casos de Lisboa, Porto, mas também na região Centro, com diversos pontos de interesse como a Serra da Estrela, as Aldeias do Xisto, o Oeste, Viseu, Guarda ou a região da Bairrada.

E no nosso pequeno-grande mundo do Alto Minho? Proponho uma curta análise concelho a concelho. Se é verdade que na esfera nacional podemos todos desfrutar da marca Portugal, nos 10 concelhos do distrito temos graus de maturidade diferentes. Senão vejamos: estamos razoavelmente servidos de auto-estradas e estradas nacionais, embora com importantes assimetrias quanto mais nos dirigimos para o interior como Paredes de Coura, Ponte da Barca ou Melgaço. Por outro lado, as diversas Vias Verdes que rasgam o distrito são corredores verdes que juntam diferentes gerações em actividades de lazer e promotoras da saúde em todas as épocas do ano.

Para alguns destes destinos, o isolamento até pode ser benéfico como no caso de Melgaço, que define a sua estratégia num misto de “isolamento com benefícios” e “suficientemente perto dos centros urbanos”. Quanto aos eventos dirigidos a crianças e jovens, a oferta é ainda limitada, embora disponha de algumas infraestruturas capazes como é o caso da Porta de Lamas de Mouro (PNPG), os locais para piqueniques e as caminhadas na montanha, sem esquecer a Casa da Cultura (com algumas actividades dedicadas, em especial na Festa da Cultura), ou as infraestruturas de desporto e lazer no Parque de Campismo do Peso e no Monte do Prado.

Para Monção, existem infraestruturas capazes de atrair famílias como sejam a Piscina, Parque Desportivo Municipal das Caldas, sem esquecer a programação do CineTeatro João Verde. Acresce a este factor importante a concepção de alguns eventos com serviço de “baby/kidsitting” na Feira do Alvarinho.

Para Paredes de Coura, a máxima muito em voga de “Se a vida te dá limões, faz uma limonada” aplica-se perfeitamente: apresenta dois motivos de forte atracção das famílias com o Festival “O Mundo ao Contrário” (Julho) e “LEGOS”, que para além de festival, já se tornou em algo mais permanente com a criação de um espaço para brincadeira ao longo de todo o ano.

Para o Município dos Arcos de Valdevez, o espaço do Paço da Giela tem permitido oferecer algumas actividades a pensar nos mais jovens, em especial durante a recriação histórica “Recontro de Valdevez”. Complementa a oferta dedicada aos mais novos um excelente parque desportivo e a zona balnear no Rio Vez no centro da vila.

No caso de Ponte de Lima o cenário é já um pouco diferente, uma vez que existem espaços museológicos com uma forte componente lúdica, como é o caso do Museu do Brinquedo Português, o Centro Interpretativo das Lagoas, a juntar ao Clube de Remo, ao Jardim do Arnado, ao Teatro Diogo Bernardes e ao Parque Urbano, inaugurado em 2016.

Em Valença destaca-se a Cavalgata dos Reis Magos e alguns dos parques de brincar em pleno centro da cidade.

Em Ponte da Barca, o Castelo de Lindoso tem programa de visitação para crianças.

Em V.N. Cerveira é evidente o destaque para o Parque do Castelinho, verdadeiro hotspot para famílias de todo o distrito e do outro lado do Rio Minho; aluguer de bicicletas, karts, piscinas, mini-golfe, parque de merendas são muitos dos atractivos, a juntar ao AquaMuseu do Rio Minho.

Em Caminha naturalmente o destaque para a zona balnear de VP Âncora, repleta de iniciativas lúdicas para os mais jovens. Na sede, a descida do Rio Coura em kayak e algumas actividades durante a Feira Medieval podem atrair as famílias.

Finalmente em Viana do Castelo, pela sua dimensão deveria dispor de um sem número de pontos fortes para atrair famílias: existem algumas que ficam aquém do potencial: durante as Festas da Sª Agonia existem Oficinas de construção de cabeçudos, existe um centro dedicado à protecção ambiental (CMIA) e existem parques como bons exemplos de estruturas, como o recentemente inaugurado na Marina, invocando os Descobrimentos portugueses.

Como se pode depreender, existe algum caminho feito pelos diversos stakeholders intervenientes na oferta turística. Muito mais falta conceber por parte dos decisores políticos que possa permitir aos diversos tipos de actores privados a devida alavancagem de investimentos que se traduza em actividade capazes de atraírem visitantes pela diferenciação dos seus Territórios.

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