BAIRRISMO DE OUTRORA!

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Segundo alguns dados estatísticos, divulgados pela “Agência Lusa”, 90% dos amantes do desporto rei (título ostentado apenas pelo Futebol), são adeptos, simpatizantes ou sócios dos denominados três “grandes”, Benfica, Porto e Sporting.

Para os leitores mais ou menos informados, isso não constituirá nenhuma novidade. Da mesma forma, não é notícia que, precisamente esta realidade, leva a que o campeonato português seja completamente previsível e de qualidade bastante duvidosa.

Ano após ano, no pódio final (salvo raras excepções), estão apenas três das suas equipas. Deparamo-nos, portanto, com um campeonato de 1.º liga pouco interessante como produto vendável, onde a imprensa estrangeira pouco o referencia e quando isso acontece nunca é pelos melhores motivos. Atentemos ao que se passa nas ligas mais competitivas europeias e rapidamente percebemos que estamos, a todos os níveis, a léguas de distância. A pergunta que mais uma vez se impõe é:

Houve alguma alteração estrutural, no campeonato de futebol, do país Campeão da Europa?

Se nos campeonatos profissionais a “clubite” pelos três “grandes” propicia os problemas acima referidos, nos campeonatos amadores, continuamos a definhar ano após ano.

Os clubes queixam-se da falta de apoio de autarquias, empresas, empresários, etc. Todos os anos o chorrilho de queixumes é o mesmo. E o papel da comunidade? Não seria importante, de uma vez por todas, atribuir alguma responsabilidade aos adeptos? Se os clubes locais tivessem ¼ do apoio prestado pelas suas gentes aos grandes clubes nacionais, estariam com toda a certeza, muito melhor organizados e, sem dúvida, com uma maior vitalidade desportiva. Os adeptos queixam-se da falta de qualidade do futebol amador. Pudera!!! Se não se apoia… se não se incentiva os “clubes da terra”, de que forma poderão estes ter melhores condições, e proporcionar melhores espetáculos e mais alegrias às suas gentes?

Como compreender que os adeptos locais fazem milhares de quilómetros

para apoiar os grandes clubes nacionais e não fazem meia dúzia de metros

para apoiar o clube da sua aldeia, da sua vila, da sua cidade?

Triste realidade esta…

Qual será o futuro do futebol amador?

 Estas ações de forma continuada, criam uma propensão generalizada de promoção, de uma pequena elite de clubes, que asfixia todos os demais clubes, em Portugal.

Num célebre jogo, recentemente disputado, o clube da minha cidade, de que sou sócio e simpatizante, foi disputar uma eliminatória da taça de Portugal contra um “grande” do futebol português. O jogo foi disputado num dia de semana. Fui para o estádio “emprestado” devidamente identificado com as cores do meu clube, pensando eu que a minha cidade iria fazer o mesmo. Para meu espanto, quando entro no estádio deparo-me com, talvez, uma das minhas maiores tristezas desportivas. A cidade “pintou-se” das cores do clube adversário. Vi amigos, conhecidos, vizinhos completamente eufóricos a gritar por um clube que fica a 400 quilómetros de distância. Tão cedo não irei esquecer esta situação que, com todo o respeito, apelido de “provincianismo minhoto”.

A verdade é que é um mal generalizado e que podemos observar estas situações pelo país fora. Não quero com isto, criticar a paixão das pessoas pelos seus clubes de eleição, com maior poderio e visibilidade. Só me questiono é, como isso, se sobrepõe à paixão que deveriam dedicar ao clube da sua própria comunidade.

Por onde anda o “Bairrismo” tão característico das nossas gentes? 

Não encontram razões, para o Alto Minho, não ter uma ou mais equipas nos campeonatos profissionais?

Eu (infelizmente) encontro!

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