Bienal de Cerveira já abriu. É um “espaço de diálogo internacional”, considera ministro da Educação

Uma “marca de resistência artística e espaço de diálogo internacional”. Foi assim que Tiago Brandão Rodrigues, o alto-minhoto que é ministro da Educação, definiu a Bienal Internacional de Arte de Cerveira que, ontem à tarde, foi inaugurada. O evento assinalou 40 anos com a sua 20 edição. Depois de algumas dúvidas, esta coincidência implicou que, pela primeira vez, a bienal se realize por dois anos seguidos.

Foram milhares de pessoas que quiseram visitar, logo no primeiro dia, o evento que decorre até 23 de setembro. Entre os presentes, muitas figuras do meio artístico e cultural, mas também do âmbito político, como deputados e autarcas do distrito e da Galiza.

 A inauguração registou momentos musicais com o maestro e compositor Rui Massena e o violonista Jean-Philippe Passos. Constou da homenagem ao artista Cruzeiro Seixas, mestre do surrealismo que, em dezembro próximo, completa 98 anos de idade, e do qual estão expostas cerca  de 120 obras. Na oportunidade, este reclamou um espaço mais destacado para a cultura, “igual” ao que é “dado à bola”.

São mais de 600 obras que estão expostas, entre, designadamente, o Fórum Cultural e o Castelo de Cerveira, da autoria de quatro centenas de artistas oriundos de três dezenas de países. Representadas, também, 21 instituições de ensino superior de países como o Perú, Rússia, Colômbia e Espanha.

A inauguração serviu, ainda, para revelar os contemplados pelo Júri de Premiação da Bienal (no âmbito dos Prémios Aquisição): coletivo Resistência (Perú), Erica Malzoni (Brasil), Jaime Reis (Brasil) João Leal (Portugal), José Cabrera (Venezuela), Laura Maganeti (Portugal), Letícia Garcia (Espanha), Martinho Costa (Porto) e Verónica Vicente (Espanha).

Nos discursos, foi recordada muito da história da Bienal, desde 1978, então com Jaime Isidoro, a diretor, e Lemos Costa, como presidente de Câmara. “Foi a conquista da utopia e uma viagem à ousadia”, considerou, na ocasião, o atual edil cerveirense, Fernando Nogueira.

Cabral Pinto, atual diretor da Bienal, recordou o 5 de agosto de 1978, quando foi inaugurada a 1ª edição, sublinhando que o evento tem resistido e acompanhando os tempos, ao contrário de outros congéneres. É a mais antiga em toda a Península Ibérica. Destacou alguns pontos da programação, como o concurso internacional, a presença de universidades e politécnicos, a homenagem a Cruzeiro Seixas, os ateliês, debates e workshops, as visitas guiadas, a aposta no diálogo e os apoios registados para a sua prossecução, deixando uma palavra especial a Acácio Carvalho.

Momento emocionante foi o das palavras de Cruzeiro Seixas, acima referido. Apesar da idade avançada, frisou, emocionado, que ainda “há sonhos por realizar”.

Henrique Silva, presidente do Conselho de Fundadores da Fundação Bienal de Arte de Cerveira, foi breve, mas não deixou de referir o apoio que a autarquia local tem dado ao evento – e nesse sentido, o empenho dos vários chefes da edilidade, incluindo o atual. Referiu-se a José Manuel Carpinteira, ex-presidente da Câmara, como aquele que a “repescou” quando se encontrava “moribunda”.

O ministro Tiago Brandão Rodrigues falou a importância e qualidade da Bienal, de que os 40 anos de vida são sinal, e o “poderoso legado que rasga horizontes num sítio improvável”. Falou de “rotura, resistência e resiliência”, bem como de um “património que é de todos”, de uma iniciativa que se destina a todas as idades e do facto de, na visita que efetuou na edição do ano passado, ter ficado especialmente sensibilizado com os ateliês livres para crianças. Destacou o exemplo de Cruzeiro Seixas, o apoio que merece a Bienal e o que considerou ser a vontade do “Alto Minho e Cerveira querem ir sempre mais além”.

Fórum Cultural (Bienal)

Fórum Cultural (Bienal)

 

 

Primeiros visitantes após a inauguração

Primeiros visitantes após a inauguração

 

Rui Massena ao piano

Rui Massena ao piano

 

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