BIENAL INTERNACIONAL DE CERVEIRA :: A mais antiga da península ibérica

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De 15 de julho a 16 de setembro

Um total de 206 peças de 149 autores, provenientes de 26 diferentes nacionalidades, foram selecionadas para participar no concurso internacional que constitui o principal foco da Bienal de Arte de Cerveira. Esta realiza-se de dois em dois anos, desde 1978, e é a mais antiga em toda a Península Ibérica. 

Este ano é já a 19ª edição e decorrerá de 15 de julho a 16 de setembro próximo. Tem como tema “DA POP ARTE ÀS TRANS-VANGUARDAS, Apropriações da arte popular”. Através dele, pretende-se chamar a atenção para o choque tecnológico que temos vindo a atravessar, conseguido, através dos séculos, pela identidade das nossas populações.

Verificar-se-á, também, a participação de instituições de ensino superior. O evento envolve ainda as representações das universidades, escolas superiores e politécnicos das áreas artísticas com a apresentação dos seus departamentos de investigação artística, produção de alunos e professores que fazem parte, ao mesmo tempo, do conselho científico da Fundação Bienal de Cerveira.

Paralelamente às exposições, há, pois, um programa complementar que contempla performances, conferências e debates, workshops, espetáculos, visitas guiadas e um conjunto de outras atividades. A qualquer momento pode acontecer uma atividade perfomativa, com dança, música, teatro ou até a poesia a surgir do nada.

A artista Paula Rego será homenageada, bem como será prestado um tributo ao escultor Jaime Azinheira (1944-2016). Será, ainda, lembrado o legado de Ernesto de Sousa, uma das maiores referências da arte em Portugal, com uma abordagem, inédita, do estudo visual do seu trabalho fotográfico.

A programação integra, pela primeira vez, a VIII Bienal de Jovens Criadores da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, entre 22 e 30 de julho, que congrega 180 jovens, entre os 18 e 30 anos de idade, oriundos de nove países – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Timor-Leste e o anfitrião, Portugal.

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DISTINGUIDA COM SELO EUROPEU EFE

 A Bienal Internacional de Arte de Cerveira voltou a ser reconhecida com o selo ‘EFFE – Europe for Festivals, Festivals for Europe 2017-2018’, sendo um dos 53 festivais portugueses apurados.

“Esta distinção é o reconhecimento internacional do trabalho e da aposta nas artes como veículo mobilizador e impulsionador de transformações económicas, sociais e culturais”, afirmou, a propósito, o presidente da Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC), o autarca Fernando Nogueira.

A distinção EFFE Label foi atribuída a 715 festivais europeus, em Wiesbaden (Alemanha), durante o meet-up que reuniu diversos candidatos de toda a Europa. Os festivais portugueses contabilizaram 53 Labbels, de um total de 62 candidaturas submetidas em categorias tão diferentes como Música, Dança, Teatro, Cinema e outros.

FERNANDO NOGUEIRA: “SEMPRE A CRESCER”

O presidente da Câmara Municipal e da Fundação Bienal de Arte de Cerveira, Fernando Nogueira, mostra-se contente pelo crescimento paulatino, na  procura efetiva, e do número de artistas que se inscreveram e demandam a Bienal, assim como pelas obras e os meios representados. À VALE MAIS deixou esta mensagem:

“Diversidade cultural, qualidade, muita participação, grande interatividade arte-artistas-visitantes, profissionalismo na organização são os ingredientes para a cada vez maior projeção da Bienal Internacional  de Arte de Cerveira.

Temos muitas certezas, e uma delas é a excelência desta XIX edição que, entre uma programação diferenciada e de qualidade, vê mais um sonho concretizado ao integrar a VIII Bienal de Jovens Criadores da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), trazendo cerca de 250 participantes, 180 dos quais jovens artistas. É uma grande honra alargar a bienal mais antiga do país e da Península Ibérica aos países da CPLP.

Interação, descentralização e internacionalização são os três conceitos que devem ser permanentemente trabalhados e potenciados. O sonho e o desafio intrínseco aos 40 anos que a Bienal Internacional de Arte de Cerveira assinala, em 2018, é redefinir linhas futuras quer do certame em si, quer de todo o vasto trabalho da Fundação Bienal de Arte de Cerveira ao longo de 365 dias.

Quem visita Vila Nova de Cerveira respira arte dentro e fora de portas em qualquer época do ano, mas com a Bienal de Arte eleva-se a intensidade artística de Cerveira ‘Vila das Artes’.

A Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira é hoje um ex-libris da cultura regional, nacional e internacional. Cabe a cada um de nós continuar este legado.”

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CABRAL PINTO: “CONCURSO VOLTADO PARA AS INSTALAÇÕES”

O diretor artístico da Bienal de Cerveira também falou, em exclusivo, à VALE MAIS

QUAL É, PARA SI, A Principal novidade?

Para além da homenagem que vamos prestar à Paula Rego, que é uma das figurais maiores da arte portuguesa, temos este ano o concurso internacional muito voltado para as instalações. Ou seja, um conjunto de artistas que concorreram à Bienal com instalações, o que, de alguma forma, também nos dá uma nova direção da arte em termos das modalidades e das possibilidades da mesma. Ou seja, há já um conjunto de artistas muito focalizado nesta vertente da instalação. A instalação e vídeo anda à volta de 40% da maioria dos trabalhos.

Mas isto das instalações é uma arte efémera?

É evidente que sim. Normalmente, da instalação fica o registo e pouco mais. Mas é uma vertente que os artistas estão cada vez mais a agarrar como meio de expressão.

ALÉM DE NACIONAIS, QUAIS OS PAÍSES DA MAIOR PARTE DE ORIGEM DOS ARTISTAS?

Normalmente, são espanhóis. Pela proximidade. Temos muita gente de anos anteriores e outras edições; os espanhóis são aqueles que mais colaboram e mais participam nesta Bienal. Efetivamente, em termos de participantes no concurso, noto que, este ano, atingimos um número de países (31) que ultrapassou os que tínhamos verificado na última Bienal (27). Um record.

O evento volta a centralizar-se no Fórum Cultural?

O interessante é que, este ano, o concurso internacional vai ser todo montado no Castelo. Uma novidade interessante porque, também, é um aproveitamento de um equipamento abandonado e que vamos aproveitá-lo para mostrar a arte.

Quanto custa a Bienal?

Acho que estamos a fazer a Bienal a um custo muito reduzido. Estamos a fazer quase uma omelete sem ovos. O orçamento, em si, está calculado num valor de 400 a 500 mil euros. Mas, daí, até à realidade vai uma grande distância. A maior parte do financiamento é, porém, da autarquia.

EDGAR ROMÃO: “OLHAR PARA ESTE PROJETO COM MUITA ESPERANÇA”

Entretanto, Edgar Romão, do Conselho Nacional da Juventude e responsável pelo projeto da Bienal dos Jovens Criadores, em nome de todos os conselhos nacionais da juventude dos países lusófonos, sublinhou a premissa da construir pontes entre os jovens.

“A Bienal de Jovens Criadores tem sido, ao longo das suas várias edições, um momento, por excelência, onde estes contactos conseguem ser feitos e onde mais construímos esta comunidade de países que é também de povos e uma comunidade de jovens” – referiu.

Edgar Romão notou que, “na Bienal de Jovens Criadores, os jovens podem mostrar as suas criações que são expressões das suas próprias identidades, de cada um, mas também do que nos é comum, como CPLP”.

Nessa perspetiva, o desafio e a ideia de vir para Vila Nova de Cerveira “é uma associação natural, pelo menos, da parte da Bienal de Jovens Criadores, porque sendo esta não competitiva, mas, antes, uma partilha de experiências, permitirá, de forma excelente, aliar a experiência de uma Bienal consagrada e com artistas consagrados, com a juventude que está presente na dos Jovens criadores”

O responsável por este projeto acentua que “o nosso desejo – e estou certo de que isso acontecerá – é que de 22 a 30 de julho próximo, os criadores jovens e os mais consagrados presentes da Bienal Internacional de Arte de Cerveira possam conhecer, interagir, dialogar, quem sabe, até criar em conjunto, e, seguramente, influenciar positivamente naquilo que é a expressão da sua arte e da que nos une como comunidade”

“Olhamos para este projeto com muita esperança” – concluiu Edgar Romão.

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