CHAKALL ‘DESCOBRIU’ VIANA

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Ficou encantado com o Gil Eannes e as histórias das nossas frotas de bacalhoeiros. Provou a ‘Chora’ e o ‘Bacalhau à Viana’ no restaurante Maraberto. Verificou o potencial do desporto náutico, em Viana. E ainda teve tempo para certificar a beleza dos Trajes à Vianesa.

O Chef Chakall voltou ao Alto Minho, desta vez para conhecer os encantos da capital do distrito.

Dando continuidade à iniciativa da Vale Mais, com a Delta Cafés e o apoio da Câmara Municipal de Viana do Castelo, o dia começou no Navio Hospital Gil Eannes, que, como a vereadora da cultura, Maria José Guerreiro, nos contou, foi construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e, durante décadas, acompanhou as nossas frotas de bacalhoeiros no Mar do Norte.

A bordo, encontramos o comandante Lomba da Costa,  da Fundação Gil Eannes, que nos fez uma visita guiada e contou as particularidades deste navio.

“O navio foi construído em 1955 com a finalidade de prestar assistência médica à frota bacalhoeira portuguesa nos bancos da Terra Nova. Na altura, Portugal tinha 75 navios na pesca com cerca de 5000 pescadores a bordo”.

Os navios, nessa altura, tinham cerca de 50 metros e eram à vela.

“Tinham, apenas, um tanque de gasóleo para o fogão. Não havia câmaras frigoríficas, o que condicionava, e muito, a alimentação. O peixe era salgado e a comida era à base de leguminosas (feijão, grão) e batatas, massas, etc”…

Foi nesta altura que surgiu a “Chora”, uma sopa muito consistente, feita à base das cabeças do bacalhau, e levava arroz. Era extremamente forte.

“Naquela altura, a água era racionada. Cada pescador só tinha direito a meio litro de água por dia. Para beber e para higiene pessoal. Como a alimentação era muito deficiente, existiam muitas doenças”.

Foi decidido, então, construir este navio para evitar a perda de produtividade que havia sempre que os navios tinham de ir a terra largar os doentes para receberem assistência.

Chakall Gil Eannes

A sua viagem inaugural foi em 1955. “Este navio não era só navio hospital. Também prestava muitos serviços logísticos. Abastecia as frotas, levava mantimento e era navio-correio. Era um navio rebocador, caso algum se avariasse, era quebra-gelos e, também, prestava assistência espiritual aos pescadores”.

A cozinha tinha dois fogões a gasóleo. Nela, ainda hoje é possível aceder ao menu da primeira viagem para Lisboa, realizada em 25 abril de 1955.

O mesmo que o Chef Chakall e os nossos anfitriões gostariam de ver confecionado, aqui, no interior do navio, quem sabe, para um programa especial.

Nessa primeira viagem, entre os convidados, constavam dois escritores. José Rosa Araújo, aqui de Viana, e o mundialmente conhecido Ernest Hemingway. Ambos rubricaram a ementa.

Outra particularidade da embarcação é a padaria.

“O pão a bordo deste navio era muito famoso. Era muito bom e havia várias fornadas ao longo do dia. “O forno já era elétrico e , para além de cozer o pão, também servia para fazer assados”.

Daqui seguimos viagem para o restaurante Maraberto, localizado no Club de Vela de Viana. À nossa espera estava Eduardo Soares, proprietário do espaço, que juntamente com o chef Chakall, nos presenteou a dita “chora” ou “chorinha”.

“Está ótima. Já a tinha provado na cozinha e está muito boa”, asseverou o chef Chakall.

Outro dos pratos estrela desta terra é o “Bacalhau à Viana”.

(receitas disponível mais à frente, nesta reportagem).

“A batata vem com a casca porque, antigamente, cozinhava-se assim. Não se podia desperdiçar comida, então cozinhava-se a batata com a casca e só quando vinha para a mesa é que se tirava”, explicou a Maria José Guerreiro.

O ‘Bacalhau à Viana’ foi desaparecendo dos pratos no meio dos elogios.

Chakall aproveitou o momento para nos deixar uma explicação.

“Num dia entram 50 pessoas no teu restaurante com 50 mentalidades diferentes. Muitas vezes, essas pessoas já vêm com uma ideia preconcebida  do que vão comer. E podem comer algo que não é o que imaginavam. Então, acho que se deve explicar o que se está a fazer, o que se está a vender. Devemos dar uma explicação para que as pessoas percebam o que estão a comer e o que nós estamos a fazer. Os pratos e os produtos, como este, têm uma história que deve ser contada”.

“O gosto é algo particular, portanto, ninguém é criticável. Cada um gosta do que quer e ninguém tem o direito de criticar esse gosto”, concluiu.

Chakall e chorinha

MARABERTO

O restaurante Maraberto recebeu o Chef Chakall em mais uma iniciativa gastronómica protagonizada pela Vale Mais em parceria com a Delta Cáfes e  a colaboração da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Situado no Clube de Vela de Viana este agradável espaço proporciona umas vistas maravilhosas, onde se vislumbra, ao fundo, no mar, os praticantes de kiteSurf. A extensa zona exterior permite contemplar um incrível pôr-do-sol.

Eduardo Soares é o empresário que, há cerca de um ano, decidiu tomar o leme deste restaurante. Como está a paredes-meias com o oceano não  hesitou em conceber um espaço vocacionado para os produtos do Mar.

“A minha ambição é ter um local diferenciado onde um empresário possa realizar um almoço de negócios ou um casal consiga usufruir de um jantar mais recatado, aproveitando algumas inovações culinárias”.

PRATOS DIFERENCIADOS

Eduardo Soares trabalha com muito peixe e algumas carnes.

“Nas carnes só utilizo o Filé mignon, a Picanha, o Costeletão e o Naco de lombo. A nível de peixe tenho uma enorme variedade. O Rodabalho, Robalo, Chocos, Lulas, Sardinhas, Peixe-Espada, Peixe-Galo.  Depois, nos Mariscos servimos Lavagante, Lagosta, Sapateira, Navalheiras, Camarão-da-Costa”.

A sua localização – está muito perto da lota – permite que tenha, sempre, peixe fresco.

“Um prato que gosto de destacar é o Arroz de Santiaguinhos. Hoje em dia é um produto difícil de encontrar e temos clientes que vêm, especificamente, para provar esse prato”.

UMA PORTA ABERTA À QUALIDADE

“Quem vai a um restaurante pretende degustar e saborear um produto por isso deve ser exigente na qualidade. Quero servir bem os meus clientes, porque para servir rápido há outros locais especializados para essa rapidez.

Quem gosta de comer com qualidade, relaxadamente, aproveitando as vistas e degustando um bom vinho tem aqui uma porta aberta para o receber”.

RECEITAS

Chora ou Chorinha

Sopa usada nos mares da Gronelândia pelos nossos pescadores das Terras do Bacalhau. “Chora” de saudade, de nostalgia da terra, da mulher e dos filhos,  da sopa partilhada com a família. O bacalhau, fresco era o Rei. A ‘folha’ seguia para a terra e consequente secagem em Viana do Castelo e Darque. As cabeças eram, então, aproveitadas para a “Chora”, cabeças, alías, que constituíam a parte mais saborosa do peixe. Em terra o pescador bacalhoeiro na falta de cabeça do bacalhau e quando lhe apetecia uma ‘chora’ procurava uma boa cabeça de peixe “grosso”. Para esta receita escolhemos o ‘Robalo’.

Receita

Numa panela de água com sal, uma cebola e tomate maduro põe-se a cozer duas ou três cabeças de robalo. Ferve bem e, depois de cozido, com uma escumadeira, retira-se o peixe com cuidado para uma travessa. Tiram-se as espinhas e toda as cartilagens. Numa panela ao lado, faz-se um estrugido com azeite, um pouco de banha, dente de alho picado, tomate descascado, cebolinha e deixa-se apurar.

Acrescenta-se água onde cozeram as cabeças. Quando estiver a ferver junta-se-lhe o arroz e o peixe. Tempera-se com pimenta branca e um pouco de colorau doce.

Chorinha

Bacalhau à Viana

Ingredientes:

220gr de bacalhau em posta

30gr cebola

2 dentes de alho

pimentão-doce/colorau q.b

150gr de batata

100gr couve portuguesa

1 fatia de broa

½L de azeite

Preparação:

Confitar o bacalhau com a cebola em meia-lua, o alho picado e o pimentão-doce (cozer em baixa temperatura no azeite).

Cozer a batata com pele e alourar no mesmo azeite (às rodelas grossas).

Cortar uma fatia de broa e fritar em azeite.

Saltear a couve cozida em azeite e alho.

Dispor no prato e decorar com azeitona e salsa.

Bacalhau Viana

Torta de Viana

Ingredientes:

10 gemas

4 ovos inteiros

200gr açúcar

170gr de farinha

aroma de laranja ou limão

Preparação:

Batem-se as gemas com o açúcar e deita-se a raspa de limão ou laranja, conforme o gosto.

Batem-se, também, as claras em castelo e junta-se à massa.

A seguir, deita-se a farinha, que deve ser peneirada, batem-se levemente e vai ao forno em tabuleiro forrado com papel.

Não se deve deixar cozer demais para não ser difícil de enrolar

Recheio:

4 gemas, 100 gr de açúcar.

O açúcar é posto em ponto brando, deita-se nas gemas já batidas e vai ao lume a levantar fervura.

Desenforma-se a massa sobre um pano polvilhado com açúcar pilé.

Recheia-se a torta com o doce de ovos e enrola-se cuidadosamente.

Torta Viana

Link para vídeo:

Chef Chakall em Viana do Castelo # Vale Mais & Delta Cafés 

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