Crianças :: O INÍCIO DA ESCOLA E O ‘SÍNDROME DE MARCO’

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Antes de mais, convém esclarecer que este Síndrome não existe e é apenas uma conotação que surgiu para comparar o tema “conversado” neste artigo, com uma série que em tempos passava num canal de televisão, de que muitos se devem recordar e que se tratava de uma banda desenhada onde um pequeno rapazinho, de seu nome Marco, vivia aventuras sem fim, sempre atrás da esperança de reencontrar a sua mãe… por certo que já se recorda!

Hoje em dia, quando começa o ano escolar, felizmente para todos que não se vivem situações destas, e as lágrimas que saltam aqui e ali são de curta duração, na maioria dos casos, e fruto de algum desconforto que os intervenientes sentem. E aqui é que surge na verdade o tema desta reflexão.

Seja a entrada pela primeira vez no Pré-Escolar ou no 1º Ciclo, a separação da família, pais e irmãos, é sempre um momento que deixa a criança um pouco ansiosa/temerosa pois, por muito “tagarela” que seja, tem um novo mundo à sua espera onde o seu eu se depara com muitos outros. Por vezes, muitas vezes, vai estranhar, choramingar sim, mas apenas porque esta é a forma que conhece de mostrar o seu desconforto e até chamar a atenção dos pais. Quantas e quantas vezes a criança chora enquanto vê a mãe ou o pai por perto e, mal estes saiam da escola, seca as lágrimas e muda logo de estado de espírito. Acreditem que é assim e permitam-me que partilhe a experiência de quem já lida com esta situação há trinta e cinco anos.

Hoje em dia muitas são as crianças que chegam ao Pré-Escolar já com o “desmame” da família feito, visto terem frequentado as creches. Na prática isso nota-se perfeitamente. No entanto, ao mudarem para o Pré que, na maioria dos casos, já funciona em escolas com o 1ºCiclo também, a realidade muda, há muitas mais crianças, adultos, movimento, toques de campainha, etc.

O importante, e isto já foi referido em outros temas , é que não seja o adulto a passar o temor e ansiedade à criança. Por muito apertado que sinta o seu coração (sim, os adultos também sofrem), deve encorajar a criança, não embarcar nas tentativas de chantagem emocional que elas tão bem sabem fazer (“oh mamã, não me deixes, gosto tanto de ti”) , ser firme e de forma carinhosa e segura, dizer-lhe que ao fim da escola estarão juntos outra vez. A mãe do Marco partiu para trabalhar lá longe…as mamãs dos nossos dias (salvo exceções)também vão trabalhar mas regressam ao final do dia.

Algo importante : não se deve, no dia a dia, “chantagear” a criança com algo “a mamã/papá está zangado contigo e vai embora”…infelizmente ouço isto muitas vezes e, no tenro raciocínio da criança, não produz o melhor efeito a não ser uma enorme tristeza , medo, e correr-se o risco de em outras situações de separação (entrada na escola)a criança sentir que está ali porque deixou os pais tristes ou zangados.

Ficam as entrelinhas…

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