Crianças :: O INÍCIO DA ESCOLA E O ‘SÍNDROME DE MARCO’

0 200

Antes de mais, convém esclarecer que este Síndrome não existe e é apenas uma conotação que surgiu para comparar o tema “conversado” neste artigo, com uma série que em tempos passava num canal de televisão, de que muitos se devem recordar e que se tratava de uma banda desenhada onde um pequeno rapazinho, de seu nome Marco, vivia aventuras sem fim, sempre atrás da esperança de reencontrar a sua mãe… por certo que já se recorda!

Hoje em dia, quando começa o ano escolar, felizmente para todos que não se vivem situações destas, e as lágrimas que saltam aqui e ali são de curta duração, na maioria dos casos, e fruto de algum desconforto que os intervenientes sentem. E aqui é que surge na verdade o tema desta reflexão.

Seja a entrada pela primeira vez no Pré-Escolar ou no 1º Ciclo, a separação da família, pais e irmãos, é sempre um momento que deixa a criança um pouco ansiosa/temerosa pois, por muito “tagarela” que seja, tem um novo mundo à sua espera onde o seu eu se depara com muitos outros. Por vezes, muitas vezes, vai estranhar, choramingar sim, mas apenas porque esta é a forma que conhece de mostrar o seu desconforto e até chamar a atenção dos pais. Quantas e quantas vezes a criança chora enquanto vê a mãe ou o pai por perto e, mal estes saiam da escola, seca as lágrimas e muda logo de estado de espírito. Acreditem que é assim e permitam-me que partilhe a experiência de quem já lida com esta situação há trinta e cinco anos.

Hoje em dia muitas são as crianças que chegam ao Pré-Escolar já com o “desmame” da família feito, visto terem frequentado as creches. Na prática isso nota-se perfeitamente. No entanto, ao mudarem para o Pré que, na maioria dos casos, já funciona em escolas com o 1ºCiclo também, a realidade muda, há muitas mais crianças, adultos, movimento, toques de campainha, etc.

O importante, e isto já foi referido em outros temas , é que não seja o adulto a passar o temor e ansiedade à criança. Por muito apertado que sinta o seu coração (sim, os adultos também sofrem), deve encorajar a criança, não embarcar nas tentativas de chantagem emocional que elas tão bem sabem fazer (“oh mamã, não me deixes, gosto tanto de ti”) , ser firme e de forma carinhosa e segura, dizer-lhe que ao fim da escola estarão juntos outra vez. A mãe do Marco partiu para trabalhar lá longe…as mamãs dos nossos dias (salvo exceções)também vão trabalhar mas regressam ao final do dia.

Algo importante : não se deve, no dia a dia, “chantagear” a criança com algo “a mamã/papá está zangado contigo e vai embora”…infelizmente ouço isto muitas vezes e, no tenro raciocínio da criança, não produz o melhor efeito a não ser uma enorme tristeza , medo, e correr-se o risco de em outras situações de separação (entrada na escola)a criança sentir que está ali porque deixou os pais tristes ou zangados.

Ficam as entrelinhas…

ARTIGOS SIMILARES

SEM COMENTÁRIOS

Deixar uma resposta