DEMOGRAFIA DO ALTO MINHO :: O declínio dos casamentos e da nupcialidade

Continuam a ser vastamente estudadas as transformações da vida familiar ocorridas em Portugal depois da década de 1970. Numa perspetiva demográfica, salientam-se dois indicadores que permitem medir, em parte, algumas destas transformações: o número de casamentos e a taxa bruta de nupcialidade – relação entre o número de casamentos e a população total.

O momento de inflexão da curva destes dois indicadores foi precisamente o ano de 1975, no qual se registaram os valores máximos de 103 125 casamentos, com a correspondente taxa bruta de nupcialidade de 11,3 casamentos por mil habitantes. Desde essa data, ambos os indicadores entraram em declínio, embora com recuperações pontuais, a última das quais no período entre 1997 e 1999, ano em que o número de casamentos subiu para 68 710 e a taxa bruta de nupcialidade atingiu os 6,7%. Só volvidos dezasseis anos, em 2015, é que o número de casamentos e a taxa bruta de nupcialidade voltaram a aumentar, registando valores de 32 393 e 3,1%.

Como seria de esperar, o Alto Minho acompanhou o forte declínio destes dois indicadores e, tal como no caso nacional, também teve uma ligeira recuperação no ano de 2015, embora passando de 1843 casamentos (7,4 casamentos por mil habitantes), em 1995, para 770 casamentos (3,2 casamentos por mil habitantes).

Centrando-nos, como tem sido habitual na série de estudos que temos apresentado na VALE MAIS, na situação específica dos municípios alto–minhotos, aproveitamos para apresentar aos leitores a evolução destes dois indicadores ao longo dos últimos vinte anos.

Não surpreendendo ninguém, o declínio do número de casamentos e da taxa de nupcialidade é uma realidade incontornável em todos os municípios alto-minhotos. Embora esse declínio não seja continuado ao longo do período em observação, pois observam-se ligeiras melhorias nestes dois indicadores em muitos dos anos, tal situação deve-se ao facto de se tratar de populações de reduzida dimensão.

Mas, se compararmos os dois momentos que delimitam o período em observação, 1995 e 2015, conseguimos distinguir os três municípios em que o declínio do número de casamentos foi mais acentuado: em Paredes de Coura, o número de casamentos baixou 80,2%, passando de 81 para apenas 16; em Melgaço, a redução foi de 72,3%, passando de 65 para 18 casamentos; e em Arcos de Valdevez, desceu de 219 para 68, correspondendo a uma quebra de 68,9%.

Os municípios de Paredes de Coura e de Arcos de Valdevez, tal como Ponte de Lima, eram os três municípios que, em 1995, detinham as taxas brutas de nupcialidade mais elevadas no conjunto dos municípios alto minhotos: 8,1%, 8,6% e 8,1%, respetivamente. Em contrapartida, os municípios de Paredes de Coura e de Melgaço, tal como Valença, eram os três municípios que, em 2015, detinham as taxas brutas de nupcialidade mais reduzidas: 1,8%, 2,1% e 2,4%, respetivamente. O que comprova que o município de Paredes de Coura foi aquele que registou um declínio mais crítico no que concerne a estes dois indicadores.

Por outro lado, no final do período em análise, os municípios que registaram menores declínios do número de casamentos foram Viana do Castelo (redução de 51,6%, de 638 casamentos passou para 309), Monção (redução de 51,8%, de 139 casamentos passou para 67) e Vila Nova de Cerveira (redução de 53,8%, de 52 casamentos passou para 24). Os quatros municípios restantes registaram reduções próximas de 60%.

Os municípios de Viana do Castelo e de Monção registavam ainda, em 2015, as taxas brutas de nupcialidade mais elevadas, 3,6 casamentos por mil habitantes, embora Ponte da Barca e Ponte de Lima também registassem valores muito próximos, 3,5 casamentos por mil habitantes.

A evolução do número de casamentos nos municípios, 1995-2015

Errata :: ‘Errare humanum est’ e, na edição anterior foi publicado por lapso, e repetidamente, o gráfico referente ao Municipio de Arcos de Valdevez, quando deveriam sair os gráficos dos 10 concelhos do Alto Minho. Esta gralha deveu-se  a um erro de paginação. O nosso colaborador José Cunha Machado é completamente alheio à falha em questão. Ao nosso colaborador e aos nossos leitores o nosso sincero pedido de desculpas.

José Cunha Machado

 

 

 

 

 

José Machado

 

 

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