Filmes do Homem, em Melgaço, marcam ‘Identidade, Memória e Fronteira’

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Sob o mote da Identidade, Memória e Fronteira, os Filmes do Homem continuam a decorrer, em Melgaço, até amanhã, domingo. Este ano, aproveitando a boleia do centenário do nascimento do cineasta e etnólogo Jean Rouch, com a apresentação de alguns dos seus filmes, incluindo um realizado em parceria com Manoel de Oliveira, e uma exposição, a “Descida do Rio Níger”, uma viagem de canoa ao longo de 4 200 quilómetros e que durou nove meses. O evento regista, aliás, a presença de Jocelyne Rouch, viúva do realizador, que inaugurou a exposição e tem participado em iniciativas como o curso de verão “Fora de Campo”.

O evento vai já na 5ª edição e está já em fase de plena consolidação. Todavia, como notou Carlos Eduardo Viana, diretor do festival, à VALE MAIS, este deve a sua existência ao museu ‘Espaço Memória e Fronteira’ que existe nesta vila, a mais a norte de Portugal.

Filmes do Homem compreende uma secção competitiva, a exibição de filmes candidatos ao prémio Jean Loup-Passek. No total, são 27 filme selecionados entre os perto de 2 700 que se apresentaram inicialmente. Um júri composto por uma professora catedrática e cineasta, duas realizadoras e dois críticos de cinema escolherá o vencedor, a quem será entregue um troféu e um prémio pecuniário.

Referência, também, ao Plano Frontal, uma das iniciativas estruturantes deste evento, conforme assinala o seu diretor. Trata-se de uma residência cinematográfica e fotográfica coordenada pelo realizador Pedro Sena Nunes. São 12 recém-licenciados em escolas de cinema que, em grupos de três, produzem documentários e olham a região. Há, ainda, outros três que usam a vertente fotográfica, utilizando a imagem analógica. A produção será mostrada na edição do próximo ano e ficará disponível no espaço Memória e Fronteira.

O curso de verão Fora de Campo, coordenado por José da Silva Ribeiro, um investigador de questões ligadas à Identidade e Memória. Homenageia Jean Rouch e evoca a sua presença em Portugal e a sua influência no cinema português e no do mundo.

O diretor do certame destaca, também, um novo projeto, “Quem somos os que aqui estamos?”, orientado por Álvaro Domingues. Desenvolvido ao longo de cinco meses, teve como foco a freguesia de Parada do Monte, com a população desta aldeia serrana a contribuir com os seus álbuns fotográficos familiares para uma exposição documental que decorre na respetiva sede de Junta de Freguesia. O trabalho terá, ainda, visibilidade através de um documentário, uma mostra documental na Casa da Cultura de Melgaço e uma publicação sobre o que foi realizado. Algo que também estará online no Lugar do Real, no site da associação Ao Norte.

Uma nota, ainda, para o 2º Kino Meeting, que decorreu, no Solar do Alvarinho, esta quinta e sexta-feira, e versou a literacia no cinema. Nele participaram instituições educativas de cinema, oriundas de Portugal e de outros países europeus. Nesse âmbito, a VALE MAIS pode adiantar que, já no próximo ano letivo, a iniciar em setembro, nas escolas do concelho de Melgaço, será desenvolvido um projeto ‘pioneiro’ de promoção da literacia cinematográfica.

Nota, ainda, para a publicação, nas três últimas edições dos Filmes do Homem, de três livros com uma imenso espólio fotográfico de João Gigante. Nele estão documentadas as particularidades do comércio tradicional de Melgaço, da maneira como se vive a festa em Castro Laboreiro e, agora, sobre Parada do Monte e a exposição “Pele e Pedra”, que tem patente na Casa da Cultura, em que desenvolve um trabalho fotográfico com “uma construção pelo contacto, pelo discurso paralelo entre o olhar e o ser, o ver e o querer”.

“É, para nós, fundamental, que o festival interaja com o território e deixa uma memória do património imaterial do território”, sublinha Carlos Eduardo Viana, destacando, ainda, o projeto  “Dê um Salto a Melgaço”, em que, aos participantes, são lembrados os espaços por onde, em tempos, os emigrantes iam “a salto” para França, bem como a partilhar da programação dos Filmes do Homem. Esta – refira-se – passa não só pela Casa da Cultura, junto à Escola Secundária, mas também pela Praça da República, Torre do Castelo, Museu de Cinema de Melgaço Jean Loup Passek, Largo Hermenegildo Solheiro, Solar do Alvarinho, Lamas de Mouro, Parada do Monte, Castro Laboreiro e Entrimo (Galiza).

Filmes do Homem é uma organização do Município de Melgaço e o seu presidente, Manoel Batista, tem marcado presença no evento, sinónimo da atenção que a autarquia dedica a estas questões. A produção é, como em edições anteriores, da associação cineclubista Ao Norte que regista, para a sua efetivação, um orçamento de 50 mil euros. Cerca de três dezenas de pessoas, a maior parte voluntários, estão envolvidos, de uma forma direta, na sua organização. Além de portugueses, o evento registou, nomeadamente, participantes do Brasil (novidades previstas para breve), França, Estónia, Alemanha, Itália, Polónia, Irão e Quirguistão.

 

MELGAÇO FILMES DO HOMEM 2Carlos Eduardo Viana, diretor do Filmes do Homem

MELGAÇO FILMES DO HOMEM 4Jocelyne Rouch, viúva de Jean Rouch, marca presença

MELGAÇO FLMES DO HOMEM 3Exposição fotográfico “Descida do Rio Níger”

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