Fontainhas Fernandes :: Reitor dos reitores

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Tem raízes em Monção, onde para, sobretudo, nas épocas festivas em casa de família. António Augusto Fontainhas Fernandes foi recentemente eleito o “reitor dos reitores”. Preside ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP). Funções que exercerá até 2020.

Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) desde julho de 2013, foi recentemente eleito presidente daquele órgão colegial em reunião plenária do Conselho.

Entre outras funções, Fontainhas Fernandes coordena o consórcio das Universidades do Norte de Portugal UNorte.pt e integra a Direção da Associação do Parque de Ciência e Tecnologia do Porto (PortusPark), do Regia Douro Parque e da Comissão de Turismo Porto e Norte.

É professor catedrático de Bioquímica Ambiental da UTAD,  foi presidente da Associação Ibero-americana de Toxicologia e de Contaminação Ambiental e presidente da Escola de Ciências da Vida e Ambiente e Pró Reitor da UTAD entre 2006 e 2012.

‘Estivemos’ com ele numa das  “passagens” por Monção .

O que significou, para si, chegar a presidente da CRUP, o organismo que representa as universidades públicas em Portugal?

No momento atual complexo e de incerteza, a liderança do CRUP é um enorme desafio, que assumi com determinação e espírito de missão.

Como vê a atual situação do ensino superior em Portugal? 

A crise social, económica e financeira a que assistimos nos últimos anos e a crescente complexidade da envolvente das universidades, conduziram a uma preocupante diminuição de financiamento público e acentuou um quadro concorrencial pela atração de estudantes e de recursos financeiros em contexto global. Este cenário tenderá a agravar-se face às variáveis demográficas que se preveem no futuro próximo, o que obriga a um posicionamento estratégico claro, de forma a explorar alternativas de ação e criar sinergias que potenciem a centralidade atribuída ao conhecimento, enquanto fator de desenvolvimento da sociedade moderna.

Uma das suas prioridades é o fortalecimento das universidades situadas em regiões do interior. São estas ou não as mais atingidas pelos constrangimentos orçamentais?

As ditas universidades do interior estão situadas em territórios com maior dificuldade de atração de estudantes e com custos de formação superiores, o que exige reclamar mecanismos compensatórios, face a estes constrangimentos e o seu papel no desenvolvimento das regiões.

Correm ou não o risco de deixarem de ser “âncoras” de desenvolvimento das regiões onde se situam?

É vital consolidar o seu papel como polos catalisadores de desenvolvimento económico e de coesão do país, sendo crucial o acesso diferenciado a fundos estruturais.

Fontainhas Fernandes

Há um subfinanciamento crónico nas universidades. Perante isso, como fazer para deixar de o ser? Continua a haver ainda uma dotação aceitável para a investigação que cabe a estas instituições?

A história comprova que a educação e o conhecimento são um bem essencial para o progresso da sociedade e, como tal, a formação deve ser uma aposta do país. Portugal deve corrigir o crónico subfinanciamento das instituições de ensino superior pelo orçamento público, que tendencialmente deveriam ser equiparados a referenciais europeus. O futuro exige o reforço da investigação, enquanto fator estruturante de ensino e de interação com a sociedade, de forma a aumentar a atração competitiva de financiamento das empresas e de fundos comunitários.

Há um envelhecimento dos seus quadros docentes e não docentes. Porquê?

Os cortes orçamentais a que as universidades a que são submetidas têm impedido a valorização e rejuvenescimento de recursos humanos, bem como contraria a drenagem de talentos e promovam o mérito.

 Neste cenário, como vê também a situação do ensino superior politécnico? E o desejo deste em também se chamar “universitário” ?

O quadro atual de adversidades exige a convergência em torno de objetivos comuns e um diálogo permanente entre todas as instituições de ensino superior. Para atingir as metas estabelecidas com a Europa é fundamental que ambos os subsistemas, universitário e politécnico, respondam de forma diferenciada aos desafios em matéria de formação.

Acha que o seu/nosso Alto Minho tem ensino superior de qualidade? O que precisava, nesse âmbito?

Portugal possui uma rede de ensino superior de qualidade, distribuída pelo território. Na Região Norte, as três universidades (Porto, Minho e UTAD) têm vindo a aprofundar formatos de entendimento, de forma a dar resposta aos desafios da região e do país. Adicionalmente, é reconhecido o importante papel do Instituto Politécnico de Viana de Castelo e o impacto positivo da sua rede policêntrica de escolas no Alto Minho.

Fale-nos um pouco da sua relação com Monção e o Alto Minho, onde tem as suas raízes. Foi aqui que viveu a sua infância e adolescência? Que recordações guarda? Continua a vir cá com frequência?

Passei em Monção os tempos de adolescência e mantenho uma relação muito próxima, onde passo alguns fins de semana e as festas do Natal e da Páscoa.

Quais são os seus lugares de eleição nesta região? E, na gastronomia, que mais aprecia?

Gosto do Minho em geral e, em particular, Moledo do Minho enquanto praia de eleição. Em termos gastronómicos, aprecio os pratos tradicionais que acompanham o Alvarinho e um gosto especial pelas “roscas de Monção”.

Na sua opinião, qual o melhor e o pior do Alto Minho?

Aprecio a capacidade de trabalho dos minhotos e considero a ligação à Galiza uma enorme oportunidade para o futuro da região. Em termos negativos, registo um território com muitas zonas com características de “interioridade”, mesmo a pouca distância da costa.

Para terminar. Dadas a formação e experiência em questões ambientais, qual a sua perspetiva sobre a questão das alterações climáticas, nomeadamente, no nosso país?

Algumas organizações têm alertado para a sobreutilização dos recursos naturais da Terra, sendo a pegada ecológica global 1,6 vezes superior à bio capacidade da Terra, ou seja, a população mundial consome o equivalente a quase dois planetas, o que se verificará em 2030 caso o ritmo de consumo não abrande. Temos que preparar as populações para modos de vida mais sustentáveis e se comportarem em novos cenários como as alterações climáticas, cujas consequências ainda não são bem conhecidas.

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Reportagem publicada na revista:

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