JOANA MOSCOSO :: Galardão mundial distingue-a como líder tecnológica

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Foi premiada na categoria “Humanitarians”

Em outubro de 2014, Joana Moscoso foi capa da Vale Mais. Na altura, estava em Londres, a trabalhar como pós-doutorada no Imperial College, onde tentava perceber como as bactérias resistem a altas concentrações de sal.

Já nessa entrevista, falamos da Native Scientist, uma empresa sem fins lucrativos, que havia criado, juntamente com uma amiga, e que usa a ciência como veículo para a aprendizagem de línguas. O público-alvo são as crianças, dos 7 aos 12 anos. “A ideia é perceberem desde muito cedo que ser bilingue tem benefícios e pode ser uma mais-valia a nível profissional. No Reino Unido existem mais de um milhão de crianças que para além do inglês, na escola, falam outra língua, em casa. Neste grupo de crianças, o português é a segunda língua europeia mais falada, atrás do polaco, (existem cerca de 24 mil crianças que falam português em casa).

Ao perceber esta realidade e devido à falta de recursos e apoio para pais de crianças bilingues, surgiu a ideia de levar cientistas portugueses a aulas de português de forma a incentivar o uso e aprendizagem da língua”, contava-nos na altura.

Passados três anos, Joana Moscoso foi reconhecida com o prémio «MIT Innovators Under 35»  – categoria “Humanitarians” – pelo trabalho que realizou na Native Scientist.

Entenda que, o “MIT Innovators Under 35” é a mais importante distinção atribuída pela MIT Technology Review – revista publicada pelo prestigiadíssimo Massachusetts Institute of Technology – e visa “dar visibilidade ao trabalho dos mais jovens e talentosos líderes tecnológicos, capazes de materializar ideias que vão revolucionar o mundo da tecnologia e dos negócios num futuro próximo.

Foi a única representante portuguesa entre os 35 europeus distinguidos, este ano, nas cinco categorias premiadas (Entrepreneurs, Humanitarians, Inventors, Pioneers e Visionaries).

O galardão foi entregue no passado dia 14 de setembro, em Paris.

A Vale Mais esteve com esta investigadora que, agora no Porto, combina a Native Scientist com a investigação molecular.

Joana Moscoso

Em 2014, quando foste entrevistada estavas em Londres. Passados três anos, o que mudou na tua vida? 

Mudou muita coisa. Terminei o meu doutoramento em microbiologia, fiz o meu primeiro pós-doutoramento, também em microbiologia em Londres, e comecei o meu segundo pós-doutoramento, no Porto. A minha carreira científica tem-se focado em tentar perceber como as bactérias causam infeções no ser humano. Trabalho com uma bactéria que, na sua forma mais atenuada, nos pode causar diarreia e, nos piores casos, se alastra para diversas regiões do nosso corpo podendo levar à morte. Decidi voltar para Portugal porque surgiu uma oportunidade única e porque, em 9 anos de carreira, nunca tinha trabalho no nosso país. Quis experimentar!

Como está, hoje-em-dia a Native Scientist? 

Está maior, mais maduro e saudável. Estamos presentes em quatro países, que passarão a seis este ano, e fazemos workshops de ciência em nove línguas diferentes. O ano letivo anterior, em 40 semanas de aulas realizámos 52 workshops. Como co-fundadora e co-diretora da Native Scientist, estou mais experiente e começo a perceber melhor o verdadeiro significado e potencial da empresa. O projeto começou com uma vontade inocente de fazer alguma coisa pela comunidade tradicional de imigrantes portugueses em Londres, que sofrem de exclusão social e desigualdade. Foi crescendo, para outros locais e outras comunidades, e ganhou vida própria.

Esta distinção do MIT que significa?

O MIT é uma das universidades com mais prestigio do mundo e o prémio Innovators Under 35 da sua revista MIT Technology Review visa identificar jovens que poderão mudar a forma como iremos usar a tecnologia ou fazer negócio no futuro. O prémio homenageia jovens inovadores em 5 categorias: empreendedores, humanitários, inventores, pioneiros e visionários. Com o projeto Native Scientist, na categoria Humanitários, Portugal ganha um lugar na lista dos jovens líderes mundiais em inovação social.

E para ti, que significado teve este reconhecimento? 

Prémios deste tipo validam e dão credibilidade aos projetos e às pessoas que os ganham. Confesso que fiquei embasbacada quando soube que era um dos 35 MIT Innovators Under 35 Europe. Sabia que a minha nomeação tinha uma base sólida, mas achava que era pouco provável ganhar.

Trabalhas em investigação molecular e na Native Scientist. Como consegues conjugar as duas coisas

Com muita dedicação e boa gestão do meu tempo. Para mim, é importante não misturar os dois e manter tudo a rolar. Basicamente, é como ter dois trabalhos.

Em termos práticos o que representa este prémio e o que te vai contribuir no futuro? 

Ainda não sei muito. Não é um prémio monetário. É um prémio de reconhecimento e visibilidade. Julgo que abrirá muitas portas. Vamos ver…

Quais são os próximos passos na tua carreira? 

Ainda não sei muito bem, mas espero que sejam certeiros!

A investigadora do grupo «Molecular Microbiology» do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, regressou a Portugal em 2016 ao abrigo de uma bolsa Marie Sklodowoska-Curie. Anteriormente, passou pela Suécia, Austrália e Londres.

Joana Moscoso

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