José Manuel Carpinteira :: A ‘Geringonça’ cumpre

Há cerca de 2 anos, a 26 de novembro de 2015, Portugal assistiu expectante à tomada de posse do XXI Governo constitucional liderado por António Costa. Multiplicaram-se dúvidas e a descrença era generalizada. Até crismaram de ‘geringonça’ a solução governativa encontrada, querendo significar, entre outras coisas, algo de construção complexa ou um organismo político desarticulado. 

Contudo, passados dois anos, a solução de governo que poucos acreditavam ser viável superou as expectativas. Ofereceu uma inesperada estabilidade política e social e, contra as expectativas de muitos, garantiu a consolidação orçamental. Foi possível assegurar a reposição de rendimentos, aumentar o emprego e atingir o menor défice desde abril de 1974. E este ano Portugal vai ter, seguramente, o maior crescimento económico desde o princípio do século. Os resultados do governo nos últimos dois anos são objetivamente bons. Até o Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece um progresso notável de Portugal durante o último ano.

A recente notícia da saída do grau ‘lixo’ na notação da dívida portuguesa por parte de uma das grandes agências internacionais, no caso a Standard & Poor’s, é uma clara vitória de António Costa e Mário Centeno, porque os dois conseguiram em menos de dois anos o que poucos acreditavam ser possível no contexto da ‘geringonça’.

Mas também é uma vitória dos portugueses. Recorde-se que, no final de 2015, o País estava fragilizado, com os empresários desmoralizados e as famílias destroçadas por uma austeridade ingrata, improdutiva e desumana. E hoje temos um Portugal com índices de confiança dos cidadãos e na economia nos máximos de há décadas. Mas há ainda muito caminho a percorrer para cumprir o programa do governo, garantir a estabilidade política e social e fortalecer a economia.

Metade da legislatura está cumprida. E alguns comentadores afirmam que os compromissos entre o PS, BE, PCP e PEV, no essencial, já estão concretizados. Por isso, é legitimo questionar como será o relacionamento político nos próximos dois anos?

Sendo certo que é cada vez mais difícil ao PS responder às exigências dos parceiros que apoiam o Governo na Assembleia da República, “não se podem dar passos maiores do que a perna” disse António Costa, dá-se como certo que o Orçamento do Estado para 2018 vai ser viabilizado. Com cedência de todos. Assim, e sabendo que em política nada é adquirido, acredito no futuro próximo vamos continuar a trabalhar com o apoio dos partidos da esquerda.

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