Ler o Mundo

O ano de 2018 acolhe a ressonância dos abusos sexuais na indústria cinematográfica. Vestidas de negro, as atrizes desfilaram simbolicamente na passadeira vermelha, tradicionalmente conotada com o glamour das estrelas de holIywood.

A cerimónia de entrega dos óscares foi também o local eleito para abater preconceitos sexistas e racistas.

No Chile, visivelmente abatido, o Papa Francisco pediu perdão à população, e à humanidade, pelos atos cometidos pela igreja, tendo utilizado a palavra “vergonha”.

Já em Portugal, um inócuo torneio de sueca, no interior do país, transformou-se numa tragédia, mais concretamente em Tondela, que já havia sido fustigada pelos incêndios.

Estas e outras notícias são veiculadas pelos diversos órgãos de comunicação social, com entoações diferentes. Quem quiser saber mais sobre os assuntos, compreender melhor os acontecimentos e a sua problematização tem, no entanto, de ler a imprensa.

Pela natureza da produção jornalística, os jornais “de referência” aprofundam os artigos que trabalham, confrontando e alargando fontes, investigando e contextualizando as matérias; em suma, conseguem oferecer ao leitor temas suculentos, capazes de alimentar a sua curiosidade e interesse sócio-cultural.

Quanto mais qualificados forem os media e mais bem informados forem os leitores, melhores serão as decisões quotidianas. Não tenhamos dúvidas de que a contribuição da imprensa para a vitalidade da democracia é crucial, mormente numa era em que impera o imediatismo das redes sociais.

Editoriais, notícias, reportagens (as grandes reportagens praticamente desapareceram dos jornais diários), entrevistas, perfis, suplementos, ajudam a olhar o país e o mundo.

Por estes dias, tem sido noticiada a hipótese de o “Diário de Notícias”, com sede em Lisboa, fundado em 1864, poder vir a deixar de circular diariamente para se tornar num semanário, ao que tudo indica devido à quebra de vendas da edição impressa.

Os jornais são instituições por onde passam diretores, editores, jornalistas, repórteres fotográficos, colaboradores, que vão derramando energia, ideias e criatividade plasmadas em páginas impressas. Os títulos em formato físico deveriam estar por toda a parte. Lê-los é um ato civilizacional.

Desde antes da segunda metade do séc. XIX, os periódicos tiveram um papel decisivo na formação da sociedade portuguesa, e multiplicaram-se rapidamente, tendo chegado a todos os recantos, com projetos sui generis de caráter nacional, regional e local. Assim acontece com o vetusto vianense A Aurora do Lima, fundado em 1855.

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