Luís Ceia :: Nagoya

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Nagoya, conhecida como a cidade da Toyota, assim designada por ai muito perto ter nascido aquele que é o maior construtor automóvel do mundo, secundado pelos alemães da Volkswagen, apesar do famoso caso das emissões gasosas para atmosfera conhecida como o dieselgate. A nível global, segundo a influente revista Forbes, a Toyota é a 5.ª Empresa em volume de facturação a nível mundial.

A caminho de Tokyo, no comboio “bala”, depois de 6 dias em Nagoya, pude confirmar a importância que a industria tem para uma região, ou país. Neste caso, a exemplo do que acontece em Vigo com o grupo P.S.A, embora em menor valor, a industria automóvel transformou completamente a região onde Nagoya se insere.  Rapidamente, após a chegada, constatei, como alias seria obvio, que a maioria dos automóveis eram da marca Toyota assim como o sucesso dessa marca e, consequentemente, desta e de outras regiões do mundo onde a Toyota desenvolve a sua produção. Até aqui nada de surpreendente, a questão se se colocará é como foi possível a uma marca não americana e europeia intrometer-se nestes mercados.

De facto a Toyota fundada como Toyoto Motor Co, em 1937, surgiu de uma experiência de garagem onde os senhores Sakichi e Kichiro, em  1924, conceberam o Toyota Model G Automatic Loom, sendo a sua patente vendida em 1929 a uma companhia Britânica. O resto da história é conhecida mundialmente, ao ponto de, como afirmei, a TOYOTA ter sido, até há bem pouco tempo, o maior construtor mundial de automóveis.

Então onde está a razão de tal sucesso? O sistema implementado pelos engenheiros da marca , conhecido como TPS – Toyota Production Sistem, foi o grande responsável por tamanha façanha. O TPS impôs padrões de competitividade e qualidade que permitiu fabricar automóveis de grande qualidade a preços competitivos. Esse sistema baseado no KAISEN é designado na Europa por LEAN. Os TPS não pressupõem melhorias suportadas por investimentos avultados mas sim alavanca-se na participação de todos os colaboradores através da sua vontade, disciplina e superior orientação.

Na base desta competitividade está a interrupção do sistema sempre que se detecte um defeito, conhecido como Jidoka. Esta correcção baseada no sistema Just in Time são os dois pilares em que o TPS se baseia. Apesar de copiado noutras paragens reconhece-se que a cultura Japonesa oferece condições únicas para a sua implementação. Esta diferença intercultural, que não é melhor nem pior que a Ocidental, é sim única e constitui factor decisivo na implementação de métodos que exigem rigor, disciplina e paciência.

Esta cultura ancestral, transmitida de gerações em gerações, cultiva, de facto, valores que se coadunam com a metodologia empregue, diríamos um casamento perfeito. Este povo, vibra, emociona-se com o trabalho que está a desenvolver e nota-se que o labor é feito com vontade e orgulho.

Mas não só na capacidade de trabalho esta cultura se destaca; quando percorremos as cidades constatamos que não há lixo no chão, os semáforos são respeitados por peões e condutores e que aguardam pacientemente em fila indiana o seu momento de espera.

Os assaltos praticamente não existem, sendo um povo muito ordeiro e educado para com o próximo, particularmente para com os mais velhos. Vale a pena, conhecer este povo para percebermos que não somos o centro do mundo e que é possível fazer diferente.

Nós devemos melhorar naquilo que é passível de melhora, mas também não devemos renegar as nossas características flexíveis que conseguem conciliar trabalho e convívio social. Como não se pode escolher o melhor de dois mundos, prefiro continuar português, mas com horizontes interculturais capazes de perceber que há culturas diferentes.

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