Mª Fátima Cabodeira :: PAISAGENS OUTONAIS

Após o bulício estival, o Outono devolve-nos finalmente a placidez e a fisionomia da paisagem. Livre de veraneantes, o areal despido das praias convida-nos a contemplar o que está aquém e além mar.

Ver é, neste caso, sinónimo de escutar e, se quisermos ser mais exatos, de (pres)sentir. O “cântico de despedida das andorinhas”, para recuperar uma expressão familiar; a queda oca dos ouriços dos castanheiros ou a dos cachos de uvas maduras, que cintilam como pérolas por entre as ervas amarelecidas.

A luz suave começou a declinar já em finais de agosto e espraia-se agora pelos lugares como uma pintura impressionista, derramando, a certas horas do dia, sombras oblíquas nos caminhos.

Sendo uma época de recomeço das lides escolares, laborais e políticas, o que verdadeiramente caracteriza este período é, contudo, a decadência. E a melancolia, que se exibem com naturalidade, em direção ao inverno.

Mas antes ainda haverá castanhas assadas, vinho novo e espigas doiradas a espreguiçar na eira, nem que seja enquanto repositório de uma memória antiga, guardada no baú da infância.

Do mundo, chegam-nos, por estes dias, notícias perturbadoras sobre um recrudescimento do armamento nuclear, como já não se via desde a Guerra Fria, em virtude dos aparatosos testes nucleares da Coreia do Norte, que nos fazem recuar no tempo e estar vigilantes relativamente à ambivalência da natureza humana.

Por contraposição a discursos belicistas e nacionalistas, defendidos, entre outros, por Donald Trump, o Secretário Geral da ONU, António Guterres, voltou a fazer um veemente apelo à paz na 72ª Assembleia Geral daquele organismo, frisando que “este é o momento dos homens de estado”.

A linguagem compreende sempre uma dimensão agonística, sendo uma arma, talvez a mais eficaz, e António Guterres foi corajoso ao utilizar as palavras no sentido pacifista.

Furações, irmã e maria, terramotos e outros cataclismos naturais, que têm assolados vários países nestes inícios do mês de setembro de forma severa e mortífera, são a expressão angustiante do défice de sustentabilidade ambiental e do desordenamento dos territórios.

Precisamente, por isso, é de suma importância a participação ativa e esclarecida dos cidadãos nas decisões que são tomadas sobre as suas localidades. Porque elas terão repercussões nas gerações futuras.

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