MINHO FRONTEIRIÇO :: MELGAÇO TEM NOVA ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL

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Criada com o propósito de ajudar os empresários, os comerciantes e os empreendedores locais a concretizarem as suas ideias e iniciativas, o movimento de criação da associação surgiu dos próprios empresários, que sentiram a necessidade da existência de uma estrutura local presente, atenta ao que se passa e com conhecimento de causa do território, nomeadamente ,Melgaço.

Fomentando o trabalho em rede e a cooperação, pretendem ser uma “Central de Informações”, de modo a poder auxiliar os associados em questões relacionadas com investimentos, licenciamentos, regulamentos e participação em eventos. Disso mesmo nos deu conta Nelson Dias, Paulo Azevedo e Catarina Barbosa, membros da Direção empossada a 14 de novembro do ano transato.

Quais os principais objetivos e estratégias a definir?

Os objectivos passam muito pela organização do associativismo local. Existe algum défice neste domínio, não existe uma estratégia “conjunta” dos privados. Pretendemos organizar o tecido empresarial em núcleos independentes dentro da associação, de modo a que possam ser eles os próprios criadores e desenvolvedores das estratégias a seguir. Serem eles a voz ativa. Cada núcleo, representativo de determinada área (Agricultura, Indústria, Comércio, Turismo, entre outros) será uma equipa de trabalho que procurará implementar um plano de atividades, de acordo com os seus interesses específicos.

Porquê uma nova Associação quando já existe uma?

Nós apenas podemos falar da nossa associação. A  Associação Empresarial (AEMF) foi criada porque foi detectada essa necessidade no seio da comunidade local, de agrupar, discutir, ganhar escala para decidir. Em particular o comércio local, que enfrenta enormes dificuldades. Torna-se absolutamente necessária a criação de uma estratégia conjunta para a dinamização do comércio tradicional e do centro histórico. O nosso trabalho irá certamente ser complementar às estratégias já existentes no terreno, e não concorrente.

Pontos em que diverge da Associação já existente?

Nunca houve divergências entre as duas associações porque esta associação está no início e não tivemos qualquer tipo de colaboração. Voltamos a lembrar que a AEMF nasceu por iniciativa do tecido empresarial do concelho.

Eventualmente, caso os sócios estivessem satisfeitos com o trabalho desenvolvido, não teriam a iniciativa de criação desta nova associação.

Qual a reação dos comerciantes de Melgaço À formação da AEMF?

Os comerciantes de Melgaço manifestaram agrado pela criação desta associação, pois, como já referimos, é urgente uma intervenção na abordagem ao conceito de comércio local/tradicional. Esperam, obviamente, que a associação faça algo em relação a isto. Aliás, alguns membros da comissão instaladora são empresários do comércio local.

Qual o potencial empresarial do concelho?

O concelho de Melgaço enfrenta, atualmente, um grande desafio, que tem a ver com a capacidade de resposta às solicitações para a instalação de empresas no Parque Empresarial. Estamos certos que a breve prazo existirão mais e melhores condições para que as empresas se instalem em Melgaço, um concelho com qualidade de vida e atrativo, do ponto de vista das acessibilidades com Espanha. Temos conhecimento de que o atual executivo (Município) tem estado atento a esta contingência e que estão a fazer os possíveis para melhorar este aspecto, a nosso ver, estrutural.

Convém não esquecer que, neste momento, Melgaço é uma referência a muitos níveis: destacamos o Vinho Alvarinho, o Fumeiro Certificado, o Turismo em Espaço Rural e de Montanha e a Gastronomia.

Um produto estratégico, que melhora a cada ano que passa e que será, sem dúvida, um atrativo para quem nos visita e para quem cá pretenda investir. Infelizmente, os pontos fortes nunca são tão falados como os pontos fracos. No entanto, fazemos questão de os referir, porque eles estão aí. Melgaço é, sem dúvida, diferenciador em muitos aspectos.

Porque fronteiriço?

O fronteiriço era inevitável. Melgaço sempre foi um concelho com fortes ligações a Espanha. Hoje, essa relação ainda é mais forte, com o espaço económico europeu. Estão a ser estudadas algumas iniciativas de promoção e dinamização deste relacionamento secular, a nível comercial, económico e social. Esperemos ser um agente proactivo nesse processo.

Já existem algumas associações que englobam o concelho de Melgaço, designadamente noutros âmbitos.  De que modo vocês se podem complementar?

O facto de já existirem outras associações não significa que não haja espaço para outras se desenvolverem. O nosso objectivo é claro: ser um parceiro da comunidade empresarial local, mas um parceiro presente, que os escuta, sente e tenta ajudá-los na resolução dos seus verdadeiros problemas. Quando um agricultor precisa de registar os seus animais, ou quando um comerciante precisa de uma licença específica ou de cumprir uma nova legislação, ou quando um investidor pretende obter informações sobre o licenciamento de uma agroindustrial. É dessa proximidade que estamos a falar. E é essa proximidade que os empresários sentem que está em falta.

Os financiamentos são, nos dias de hoje, fator determinante na atividade empresarial. De que forma pretendem trabalhar esta situação?

O financiamento é um factor preponderante na competitividade das empresas. Sem ele, adiam-se muitas decisões de investimento que, por vezes, inviabilizam alguns negócios, pelo simples facto de não se adaptarem nem inovarem. Pretendemos estabelecer acordo com uma instituição bancária local, de modo a que possamos ser parte ativa no processo de apresentação das situações ao Banco. Muitas vezes um processo de financiamento cai porque não foi bem explicada a ideia, o conceito. Não podemos esquecer o Portugal 2020, que também se afigura como uma oportunidade para quem pretenda investir. Prestaremos esclarecimentos sobre algumas medidas, nomeadamente, aquelas que mais se adequam ao nosso território.

Qual é a situação atual da Associação? Em que ponto estão?

Estamos a dar os primeiros passos, temos muito trabalho pela frente, diria que estamos no início. Nesta altura existe muito trabalho de bastidores, quer a nível de organização, quer a nível de planificação. É extremamente importante planear ao detalhe esta fase, muito do sucesso da associação passará pela planificação de objectivos concretos e exequíveis. No futuro tiraremos os dividendos desta fase mais trabalhosa e com pouca visibilidade. Não estamos preocupados na realização de eventos sazonais ou outro tipo de iniciativa só por fazer e “cumprir calendário”, só para mostrar trabalho, sabemos o que queremos e estamos muito cientes do caminho a percorrer.

Como está composta a associação? Membros?

A Associação é composta pelos seus órgãos sociais, nomeadamente a Direção, com Nelson Dias (Presidente), Paulo Azevedo e Catarina Barbosa (Vice-Presidentes), Assembleia Geral e Conselho Fiscal.  Todos os elementos desta lista são empresários da região, ligados aos mais diversos sectores, nomeadamente Turismo, Agroindustriais, Construção Civil, Comércio e Serviços.

Quando foi a tomada de posse?

Foi oficializada a 14 de novembro.

O processo iniciou-se com a criação de uma comissão instaladora, que estabeleceu as condições necessárias para a realização do ato eleitoral. Houve um período para apresentação de listas, sendo que apenas foi apresentada esta lista, já empossada. Um conjunto de pessoas com objectivos comuns relativamente ao que se pretende para o futuro.

Onde será a sede da Associação?

Está praticamente decidido, falta apenas acertar alguns pormenores. Tudo indica que será na Casa Castreja, antigo Posto de Turismo de Melgaço, na Loja Nova. Trata-se de um local apropriado e com algumas valências para os sócios. Pretendemos que um dos pisos seja para os sócios da associação, um local com sala de reuniões que estará a sua disposição. Mais que a sede da associação, queremos criar um espaço de convivência e trabalho para os sócios. Eles são a parte mais importante desta associação.

Quantos associados tem até ao momento?

Neste momento, temos apenas pré-associados. Entendemos que qualquer pessoa, antes de se tornar sócio, quer saber os objectivos da associação, algo que cabe à Direção da mesma. Como se tratava das primeiras eleições, a comissão instaladora decidiu fazer pré-inscrições para terem legitimidade eleitoral.

No momento, temos perto de 70 pré-inscrições. Quando tivermos a planificação totalmente terminada, começaremos com esse trabalho. Achamos que as pessoas têm o direito de, antes de se associarem, saber os objectivos propostos para o mandato que começou.

Passos a dar proximamente?

Estamos numa fase de muita planificação. Depois desta fase menos visível, daremos início à fase de angariação efetiva de sócios, caso se identifiquem com o projeto. Essa será uma fase muito importante para o futuro. Uma estrutura associativa como a nossa, num concelho como Melgaço, necessitará de uma forte componente representativa do tecido empresarial existente. Só assim poderá defender os interesses dos seus associados.

Membros da direção da AEMF :: foto de João Martinho

Membros da direção da AEMF :: foto de João Martinho

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