Olimpiadas da Educação Financeira :: Literacia dá competências a lidar com dinheiro

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Neste aspeto, pode-se dizer que as escolas alto-minhotas fizeram boa figura. A Escola Básica Vale do Âncora (turma 4º A, tendo por professora Susana Anjos), foi, a par Básica de Arouca (6º B), a grande vencedora desta iniciativa. Do Alto Minho figurou, também, no pódio, a EB 2,3/S Paredes de Coura (turma 6ºD, com o docente Rui Alvim Barroso).

Esta iniciativa – que se insere no projeto “No Poupar Está o Ganho”, concebido em 2010 para promover a literacia financeira junto de crianças e jovens em idade escolar – pretende incentivar o interesse dos alunos do primeiro e segundo ciclos do ensino básico pelos temas da educação financeira para que, de forma lúdica, se consciencializem da importância do dinheiro e adquiram competências com vista à aquisição de um comportamento responsável do ponto de vista financeiro.

Trata-se de uma necessidade cada vez mais premente, numa altura em que as estatísticas mostram que uma em cada quatro pessoas vive num estado de pobreza e que o nível de endividamento das famílias portuguesas ainda se mantém muito elevado.

A importância da literacia financeira foi também reforçada recentemente pelo World Economic Forum que a considera uma das cinco competências essenciais no quotidiano dos alunos do século 21.

Sobe esta iniciativa, ouvimos Maria Amélia Cupertino de Miranda, presidente da Fundação António Cupertino de Miranda, entidade que promove esta iniciativa.

Maria Amélia Cupertino de Miranda, presidente da Fundação António Cupertino de Miranda

O que são as Olimíadas de educação financeira?

As Olimpíadas de Educação Financeira (OEF) são uma iniciativa da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda e têm por objetivo incentivar o interesse dos alunos do 1º e do 2º ciclos do ensino básico pelos temas da educação financeira para que de forma lúdica se consciencializem da importância do dinheiro e adquiram competências com vista à aquisição de um comportamento responsável do ponto de vista financeiro.

Integram-se no projeto de educação financeira “No poupar está o ganho”.

Em que consisten?

Consistem num “Quizz” que tem por objetivo responder corretamente e no menor tempo possível ao maior número de perguntas sobre os vários temas de Educação Financeira que, de acordo com o Referencial de Educação Financeira publicado pelo Ministério da Educação, deverão ser lecionados no 1º e 2º ciclos do ensino básico.

E como é que se realizam?

Em duas fases. Uma etapa On-line – jogo realizado na plataforma eletrónica http://educacaofinanceirafacm.net  e que visa apurar uma turma por ciclo de ensino, de cada município, para participar na 2ª Fase – Etapa Final.

Em 2018 participaram no jogo on line 153 turmas, cerca de 3.000 alunos. Foram apuradas para a final presencial 26 turmas do 1ºciclo e 5 turmas do 2º ciclo. Na 2ª fase, etapa Final, com o jogo a realizar presencialmente, entre as turmas apuradas na 1ª fase, na sede da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto.

NÃO TER COMPETÊNCIAS PARA GERIR DINHEIRO

Quais os principais perigos da iliteracia financeira?

Quem não é financeiramente educado, não tem conhecimentos financeiros, não tem competência para gerir dinheiro e, consequentemente, não consegue tomar decisões financeiras corretamente. Muito facilmente cairá no endividamento e quiçá no sobre-endividamento. Não saberá de certeza, fazer planeamento e gestão do seu orçamento, não terá conhecimento do sistema e dos produtos financeiros básicos, não saberá poupar e muito menos investir o seu dinheiro.

Quais são as principais aspetos do projeto e que apoios registam?

Com este projeto tem-se conseguido dar a perceber que a importância da educação financeira é tão grande que tem de envolver pais e professores e ainda estimular os jovens a terem boas práticas no uso do dinheiro.

É um projeto de continuidade que se desenvolve de setembro a junho de cada ano letivo e que fornece a professores e alunos todas as ferramentas para o processo de ensino/aprendizagem da educação financeira.

O que distingue, na realidade, este projeto é o facto de ser um projeto de continuidade, para todos os ciclos de ensino, que se desenvolve ao longo de todo o ano letivo, a proximidade que estabelece com os professores e recursos que oferece.

A credibilidade dos conteúdos é assegurada através da parceria que a Fundação mantém, desde o início da implementação do projeto, com a Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

O projeto é eficaz, pois aborda a educação financeira de forma consistente e continuada, foi pensado para se integrar anualmente no programa letivo das escolas, possibilitando aos alunos voltarem a inscreverem-se no ano seguinte, e assim sucessivamente, consolidando conhecimentos que lhes permitirão adquirir uma verdadeira cultura financeira.

Quais as áreas da literacia financeira em que aposta o projeto?

Todos os temas constantes do Referencial de Educação Financeira: Planeamento e Gestão do Orçamento, Sistemas e Produtos Financeiros Básicos, Poupança, Crédito, Ética e Direitos e Deveres.

A transferência do conhecimento é feita sobretudo através de uma grande aposta na formação dos professores e na plataforma de e-learning .

São momentos muito importantes, porque fomentadores de proximidade, a Sessão Solene de Abertura do ano letivo, a comemoração do Dia da Poupança, a realização das Olimpíadas que se integram nas comemorações internacionais da Global Money Web e ainda o Concurso e Sessão Solene de Apresentação de Trabalhos, com atribuição de prémios aos  alunos vencedores, professores e escolas.

Baixa literacia dos portugueses 

Quais as áreas em que verificam existirem um maior esclarecimento?

O nível de literacia dos portugueses é muito baixo, nomeadamente no que se refere ao que é necessário para efectuar julgamentos informados e tomar decisões eficazes tendo em vista a gestão do dinheiro. O diagnóstico resultante do 1º Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa em 2010 pelo Banco de Portugal aponta neste sentido.

As áreas que cativam a preferência dos alunos e dos professores são o planeamento e gestão do orçamento e a poupança. O que dá para entender, pois são problemas do quotidiano que preocupam muito, afetam a vida e como tal é urgente que sejam dadas respostas eficientes e eficazes.

Quer deixar algumas notas no que toca às principais áreas onde a literacia financeira é fundamental?

A literacia financeira foi considerada pelo World Economic Forum no seu Report de Março de 2016 uma cinco competências mais importantes para o aluno do seculo XXI.

A educação financeira vai muito para além da transmissão de conhecimentos financeiros.

Um projeto destes é essencial para capacitar pessoas, para questionar, avaliar e discutir o uso do dinheiro. Isto é crucial, porque é na escola e na família que se criam hábitos de lidar com o dinheiro.

Um projeto desta dimensão e desta natureza é complexa porque implica uma mudança de hábitos e de comportamentos, o que requer muito tempo. O nosso desfio é exatamente este: ajudar a criar uma nova geração de consumidores para seguros e capazes de fazer melhores escolas financeiras. //

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