Parabéns PUSKAS

Não me é fácil falar da pessoa ou do valor da obra artística do José Barros, conhecido, entre nós com o nome de PUSKAS, por dois motivos fundamentais: primeiro: sou seu amigo há muitos anos, sobretudo a partir do tempo em que, a seu convite, eu, como Presidente da Adega Cooperativa de Monção, partilhava muitas das suas exposições, quer no Alto Minho, quer em terras galegas, com a apresentação e prova do vinho ALVARINHO, outra obra de arte. Por isso, falar dum amigo, corre-se o risco de se deixar dominar pela subjetividade e perverter o testemunho com omissões ou com exageros, o que não é ético nem intelectualmente saudável. 

Segundo: não sendo “crítico de Arte”, nem tendo sequer uma formação especial neste setor artístico, reconheço não ser capaz de realçar os elementos mais notáveis e diferenciadores duma criatividade artística que nunca cristalizou no tempo, no estilo e na temática, mas que cresceu e evoluiu sempre na ânsia do mais e do melhor na construção da harmonia figurativa, da simbologia cromática, do elam da estética, em suma, na perseguição e conquista do belo, a ser trabalhado na alma e transposto, em delírio, para a tela. Infelizmente, sinto falta daquela acuidade sensorial e de cultura bastante neste domínio de arte plástica, para poder falar com o acerto merecido.

Mas, como cidadão comum, apesar de alguma formação académica e experiência de vida que me aguçou a capacidade de compreensão do mundo e dos outros, vou dar o meu testemunho á minha maneira, ou seja, como a obra do Puskas me provocou, me seduziu e me inquietou, fazendo-me, tantas vezes, passar momentos maiores, na frente dos quadros que me extasiaram com complexas emoções estéticas a sacudir as minhas vivências existenciais. Não é esta a essência da ARTE?

A arte de pintar é uma arte de comunicação como outras, como a arquitetura, literatura, música, dança, teatro, etc., só que tem uma linguagem diferente: as cores e as linhas, que, usadas com afetividade, criatividade e estudo, geram figuras, movimentos, luzes, sonhos, estados emotivos, relatos de situações, jogos de símbolos, que, partindo da realidade exterior ou interior, vão dando novos mundos ao mundo… E o Puskas, num processo lento e talvez doloroso, (como é toda a gestação artística), de assimilação e aprendizagem autodidática, é, para mim, um artista  que, do tratamento paisagístico natural ou urbano, do retrato, do registo histórico, à pintura simbólica, impressionista, soube usar, com mestria, essa linguagem e dar-nos obras maravilhosas, que expostas, já não lhe pertencem, tornando-se um património não só dos que tem a felicidade de possuírem os seus quadros, mas do espólio cultural da sociedade em geral e da cultura monçanense em particular.

As suas paisagens não são cópias fotográficas. São visões interpretadas pela sua apurada sensibilidade e descritas num jogo dinâmico de cores e formas, luzes e sombras, onde o movimento, os sons e o cheiro nos transportam para aqueles locais com vida real e sonhada: as ruas e as suas pessoas, aquele azul das águas que correm em corrente viva na sua dialética com as margens e aquele azul do céu que quer arrastar a nossa imaginação para além dos seus limites físicos. É simplesmente lindo!

Os seus retratos não são reproduções: Sabe sempre entrar na alma tranquila ou consternada, feliz ou angustiada do seu “interlocutor” e, com mestria filigramática, capta e salienta os traços diferenciadores e marcantes.

Nos seus vários registos históricos, há movimento, há vozes, há luta, há fúria, há tensão, há drama, há frustrações da derrota ou a compensação do triunfo.

As “suas“mulheres são  belas, atrativas, sensuais, mas também corajosas e inteligentes, possivelmente inspirado nas mulheres do Minho…

Dos animais que pinta, gosto especialmente dos seus cavalos elegantemente fogosos, espirituais, quase humanos. Nos cães das suas telas, descobrimos a sua atenção, a sua doçura, a sua fidelidade humana.

Na sua pintura abstrata, o jogo forte de cores e contrastes, a dinâmica das linhas e das sombras, a abertura para além do espaço físico da tela, o sensualismo cromático concomitante, por vezes, com espaços vazios que nos convidam ou empurram para o mergulho nos sentimentos, para a perplexidade da vivência ou conquista da liberdade, para o abanão existencial, para a demanda do infinito…

O José Barros se tem saído de Monção e ingressado em meios artísticos de outros centros culturais inseridos em meios urbanos com mais potencialidades financeiras, de certeza, que o seu nome estraria gravado em registos de âmbito mais alargado, com lugar noutras galerias, noutros ambientes, noutros espaços. Preferiu ficar em Monção, trabalhar em Monção e mostrar-se com mais regularidade no espaço auto minhoto e galego, apenas com breves e esporádicas exposições no estrangeiro e na nossa capital. É por isso que merece a nossa reconhecida admiração como um monçanense que ama a sua terra natal e a tem levado, com a sua arte e com êxito, para fora das suas fronteiras municipais. Como professor da Escola Secundária de Monção, como dirigente da Adega Cooperativa de Monção e como autarca local, fui e sou testemunha da sua obra e da sua história.

Mas o Puskas ainda é muito jovem! Dizem que a maturidade de um artista chega por volta dos sessenta anos. Ele entrou, só há três, neste comboio! Deste modo, nós os monçanenses, nós os seus amigos, nós os seus apreciadores, nós os que gostamos da cultura e da arte pictórica, esperamos muito mais da sua capacidade artística. Queremos mais exposições, mais momentos de emoções e êxtases estéticos

É necessário conhecer melhor a totalidade da sua obra.

Mas, para a conhecermos melhor, para apreciarmos os seus quadros no seu conjunto, na sua diversidade temática e maturação filosófica e estilística, fazia-nos falta a impressão duma OBRA ESCRITA E ILUSTRADA, para registar a sua trajetória artística, fazer a síntese da sua criação ao longo  de tantos anos e juntar, para  memória futura, obras que estão dispersas em coleções particulares ou expostas em espaços públicos, ou guardadas no seu espólio pessoal, desconhecidas de muitos , de modo a proporcionar a todos, em geral, mas aos amantes da pintura , em particular, um conhecimento mais completo de uma vida dedicada, com talento, com esforço e com coragem , a uma atividade humana que cria um produto que não  faz falta à nossa subsistência primária, mas que constitui um elemento fundamental para o homem ser mais homem: o “ HOMO ESTÉTICUS”, elemento estrutural do “HOMO SAPIENS”.

Porém, como a impressão de obras deste gênero não é muito barata, lanço um apelo a disponíveis mecenas privados ou públicos, com destaque às autarquias onde o Puskas tem pintado e exposto. À Câmara Municipal de Monção, lanço um apelo mais forte para considerarem um apoio especial à publicação desta obra, que estará quase pronta, só faltando mandá-la para a tipografia!

Estou certo que tanto o Sr. Vereador da Cultura como o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Monção, sensíveis à dinâmica cultural da nossa terra, não vão negar este apoio indispensável.

Temos que mudar alguns rifões populares, como “Santos da porta não fazem milagres” ou “A galinha da vizinha é melhor do que a minha”. Temos, sobretudo, de dar mais valor aos taletos que nasceram, germinaram e dão frutos na nossa terra.

Parabéns Puskas! Obrigado pela tua obra!

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