PONTE DE LIMA :: O Esplendor de uma ‘vila criativa’

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Talvez Sophia — Sophia de Mello Breyner Andresen —, se percorresse hoje, tal como o fez no passado, o roteiro criativo e cultural limiano e deixasse emergir o pulsar da sua pura e melódica  alma poética, com o esplendor das atividades do “cluster criativo” que nos últimos anos floresceu com sucesso em Ponte de Lima, se sentisse influída para nos recordar dois versos de um dos seus poemas — “Cantata da Paz” — que a tornou célebre: “Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar!”.

Talvez Sophia nos sugerisse — com a sua infinita ternura de veludo — que é forçoso “vermos, ouvirmos e lermos”, com humildade e modéstia, para que a “lente” concetual de observação da realidade nos dê uma amplitude de vistas  que nos permita verificar, com lucidez — e sem a “obnubilação da consciência” das “papoilas saltitantes” que pululam, por aí, nos labirintos intricados da sociedade e da política —, que os eventos, de matriz criativa e cultural, realizados continuamente em Ponte de Lima, não são simples “festas e festinhas”.

Pelo contrário, esses acontecimentos constam de programas de animação de excelsa nobreza, resultantes de uma conexão perfeita entre “pensamento e planeamento estratégico” (na linha de Mintzberg), não se confinando o município em reagir à mudança, mas antecipando-se a ela de forma convincente, determinando-a, e, através de uma expressiva “atitude pró-ativa”, converteu — com absoluto merecimento — o “velhinho burgo medieval”, numa das mais vanguardistas e icónicas “vilas criativas” e “vilas culturais” contemporâneas.

OS VIAJANTES DA MINHA TERRA

De facto, por todas as latitudes do País por onde nos deslocamos — e são muitas —, somos interpelados por cidadãos das mais imprevistas povoações, que asseveram, numa sedutora e magistral narrativa de invejável orgulho — que nos enleva a alma —, que Ponte de Lima é um dos seus insubstituíveis e divinos lugares de encontro, enquanto território de eleição como destino turístico, não só pelo eterno encanto hipnótico e onírico dos espaços, pela farta e balsâmica gastronomia, mas igualmente, pela existência de um eclético “roteiro cultural e criativo”, motivador de deslumbrantes aventuras e de inesquecíveis experiências.

Todos esses apaixonados “viajantes” anunciam, com um jubiloso e imensurável sentimento de ternura e de emoção, que já assistiram, na minha terra, às mais variadas feiras e aos mais invulgares e admiráveis espetáculos; já percorreram o esplêndido roteiro museológico limiano; já mergulharam em cenários marcados pelo seu caráter exuberante e inovador e pelas doces exaltações paisagísticas; já pernoitaram, em serenidade contemplativa,  nas fidalgas casas de turismo rural, de habitação ou de natureza, num aprazível bungalow da fulgente Quinta de Pentieiros, no celebrado Albergue dos Peregrinos ou num dos elegantes e finos hotéis que envolvem o aristocrático burgo.

“EXCELÊNCIA”: A CHANCELA DAS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS 

Finalmente examinamos as agendas culturais dos mais variados municípios do nosso País, assistimos, in loco, a diversos eventos incorporados nesses roteiros, comparamos e concluímos: Ponte de Lima apresenta — ao longo de todo o ano e por diferentes palcos — um conjunto de sublimes manifestações culturais, integradas no “paradigma pós-moderno” de “cluster criativo”, que serve de “pedra basilar” ao magno conceito das denominadas “economias criativas e culturais”, as quais, presentemente, se apresentam como “vantagens competitivas” indutoras do “efeito alavanca” de um prometedor desenvolvimento económico sustentável.

Manifestações que apostam, estrategicamente, no paradigma da valorização e expansão da “imagem cultural e criativa” do município, potenciando a competitividade das suas incomparáveis “vantagens territoriais” — e não por qualquer “umbiguismo” —, e que têm como força motriz uma boa governança e uma programação de prestígio, distintiva, genuína, pluridisciplinar e diferenciadora — que vai muito para além das lógicas e das tendências mainstream de outros municípios.

Tudo isto com as impressões digitais de uma gestão cultural de onde emana um talento criativo capaz de “silenciar o ruído”, … gerado pela “irmandade dos sábios” que se apresentam, na minha terra, como guardiões iluminados (e únicos) do “limianismo”…

Para que a inquestionável consagração deste dinâmico “eixo criativo e cultural” se tenha afirmado no amplo espaço ibérico correspondente ao mítico território da “Grande Galécia”— que, no passado, se estendeu, até às terras da velha Coimbra —, a nobre “Capital dos Límicos” apontou a bússola da mudança para a revitalização dos mais diferentes espaços e edifícios públicos, transformando as áreas abertas — ruas, praças, largos…— em auditórios de geometria variável, ciclicamente povoados por multidões de paisagens humanas, incessantemente em êxtase com o maravilhoso e o fantástico.

Ponte de Lima dotou o seu território com uma cuidada rede de infraestruturas culturais e criativas, enquanto instrumentos de desenvolvimento, da qual despontam equipamentos multifuncionais, difusores de alegria, de cor, de movimento e de encantamento e onde a animação jovial rivaliza com aquela que ocorre em Lisboa (Bairro Alto) ou no Porto (Ribeira).

Por outro lado, vários agentes criativos e produtores culturais nas áreas da etnografia, da música, do design, das artes plásticas, da produção lúdica, literária, artística e artesanal — e outros — têm sido apoiados nas suas atividades.

Por isso, citando Sophia,

“Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar!”. 

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