PORTUGUÊS SUAVE

Os legumes, a fruta da época, as leguminosas sempre fizeram parte da alimentação tradicional, para quem vive no campo. Aliás, a gastronomia é tanto mais rica quanto sabe tirar partido dessa sazonalidade.

A confeção de refeições com uma base constituída por azeite, cebola, alho e tomate fazem milagres gustativos nos países do sul da Europa. Vem isto a propósito da preocupação crescente com a obesidade infantil em Portugal, que, segundo estatísticas atuais, tem vindo a aumentar, alegadamente devido ao abandono da denominada dieta mediterrânica.

Salientam os nutricionistas, a sopa e a fruta estão a ser substituídos por produtos alimentares industrializados, onde imperam os aditivos.

Em Portugal, podemos afirmar sem complexos, há uma gastronomia de excelência, criativa e diversificada, que é um verdadeiro hino à simplicidade. E à secular mundividência dos portugueses. Ervas aromáticas de toda a espécie são o tempero ideal para usar e abusar nas ementas, agora que os dias se apresentam inteiriços e buliçosos, a pedir refeições estivais, mais leves e frescas.

Na era do descartável, sentar-se à mesa – sempre que possível sem consultar o telemóvel – degustar uma refeição, acompanhado por outras pessoas, é um manual de sobrevivência do civismo e uma forma de convocar a intrínseca comunicabilidade entre os seres humanos.

Ousando cantar na língua materna, o insubmisso Salvador Sobral conquistou o Festival da Eurovisão, em Kiev, com uma bela melodia da autoria da sua irmã, Luísa Sobral. No palco, deixou um gesto de enternecedora cumplicidade.

Com formação jazística, procurou, contudo, fugir a estereótipos de géneros musicais – o cantor conhece desde muito novo os meandros dos media -, tendo interpretado a canção “amar pelos dois”, cuja vitória foi corroborada pelo júri e pelo público.

Talvez não seja despiciente a esta vitória o facto de o Fado ser Património da Humanidade, havendo grandes nomes do panorama musical nacional – Camané, Marisa, Ana Moura, Carminho, etc. – que o têm (e)levado aos quatro cantos do mundo. O sentimento, como se viu, é uma linguagem universal.

Foi mais ou menos isso que o Papa Francisco advogou, em Fátima, no Centenário das Aparições, que se comemorou a 13 de maio, na Cova da Iria, exortando os fiéis a uma atitude performativa, que se materialize na ação.  Na qualidade de peregrino – caminhante entre os caminhantes – foi claro ao advertir a comunidade católica para a necessidade de ir ao encontro dos outros, ajudando sobretudo as franjas situadas nas margens da sociedade.

Simbolicamente vestido de branco elegeu a “alvura” como palavra-chave dos seus acutilantes discursos. E lavrou o seu afeto também em Português.

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