Crianças :: Quando a criança “idolatra” o Educador/a

0 177

Há uma altura em que o inevitável acontece: a mãe e o pai deixam de ser o centro do mundo e o educador/a passa a ocupar um lugar no coração da criança. Ao contrário do que se possa imaginar, dizem os psicólogos que se trata de uma excelente notícia.

Este estado de espírito é normal a partir dos cinco anos pois é uma idade em que a escola tem um papel de destaque, assim como os adultos exteriores ao mundo familiar da criança. A seguir aos pais ( e nem em todos os casos), os educadores são quem mais tempo passa com as crianças pequenas, sendo, portanto, natural que exista uma relação emocional forte entre uns e outros. A empatia pelo educador/a não prejudica em nada o envolvimento emocional entre pais e filhos; pelo contrário, facilita a rotina diária da separação. Gostar do educador/a ajuda a criança a libertar-se de fantasmas e complexos de Édipo ou Eletra que os levam a dizer que “quando for grande quero casar com o pai ou com a mãe”.

A idade dos cinco anos, normalmente, representa o início de uma fase de autonomia onde as crianças procuram modelos de comportamento e, neste caso, seguem muitas vezes os que observam no educador/a. Confiam e gostam deles, daí o seguir-lhes o exemplo. É vulgar observar-se como imitam as suas expressões , utilizando as mesmas palavras. Nas raparigas, acontece, muitas vezes, quererem usar o cabelo, a roupa ou até acessórios iguais ao da Educadora.

Quando as crianças têm sentimentos tão fortes para com os professores, as reações dos pais são variáveis. Há os que acham graça e até se sentem tranquilos, pois significa que a criança se sente bem na escola, mas também existem aqueles que chegam a ter ciúmes da forma como a criança gosta e fala do educador/a. Quando eles dizem que gostam do educador/a, estão a expressar o desejo de serem o especial no seu grupo , ou seja, o eleito pelo educador e isto porque existe uma distância entre professores e alunos. O mesmo não acontece com o carinho e atenção dos pais, pois, esses, a criança sabe que tem garantido. O afeto dos pais nunca é questionado, já o do educador/a é dividido por todas as crianças do grupo/turma o que leva a uma certa insegurança ou ciúme até.

Todos estes comportamentos acontecem ao longo de um processo em que a criança deixa de estar sempre em casa , onde os afetos são garantidos e começa a lidar com o mundo exterior, normalmente a partir dos três anos. O papel do educador/a é importante no sentido de ensinar a criança a gostar de outras pessoas, criarem relações dentro do grupo/turma e da escola com outros adultos , para mais tarde se “emanciparem” de forma tranquila.

ARTIGOS SIMILARES

SEM COMENTÁRIOS

Deixar uma resposta