QUEM FICA A ARDER?

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E de repente, toda a gente deita as mãos à cabeça O país está a arder. Mais uma vez. Mas agora, temos quatro canais de televisão sedentos de imagens chocantes. Hipocritamente perguntam o que se passou. E se não se tivesse passado nada, será que o repórter fazia disso uma notícia? “tome lá a chavinha” de casa. diz ele à senhora, enquanto a “ajuda” a fugir das chamas. Nojento. Os montes todos por limpar…

Mas vamos lá ver se nos entendemos. A culpa não é dos proprietários florestais que não limpam as suas parcelas. Vemos muita gente falar em todo o lado, nas rádios, nas televisões, na internet, culpando os malandros dos proprietários porque não cortam os codeços dos seus montes, porque não passam uma capinadeira nas suas parcelas. Ouvimos e queremos encontrar culpados.

Morreu muita gente, há que encontrar alguém para culpar. Ah, e tal, as arvores até faziam um túnel na estrada… E a culpa é deste governo porque é quem está no poder, ou a culpa é do governo anterior porque cortou as verbas em vez de cortar o tojo, ou ainda do governo anterior àquele porque apostou no eucalipto. Vivemos numa fase de completa necessidade de arranjar o culpado principal. O Pais continua a arder e nós continuamos a tentar queimar-nos uns aos outros.

Pois bem, na minha humilde opinião, este problema tem muitas causas. Cada uma delas com o seu respectivo peso. Mas se há responsabilidade que não podemos assacar, essa é aos proprietários florestais que na maior parte das vezes estão impossibilitados de fazer aquilo que a vox populi lhe exige, que é limpar os montes, limpar as respectivas parcelas.

Pois bem, como herdeiro de parcelas florestais, devo dizer que é completamente impossível a um proprietário florestal aqui na nossa zona no Alto Minho, limpar a sua parcela, mesmo que o queira fazer.

É completamente impossível sequer identificar as suas próprias parcelas. Estamos a falar de parcelas com reduzidas dimensões, muitas vezes, com áreas menores que 100m2, que na maior parte das vezes estão completamente inacessíveis. E perguntam vocês: então, que fazemos? A reposta é simples. Emparcelamento florestal.

Juntar as parcelas de cada um dos proprietários, aumentando assim a sua área e fazendo com que toda a gente tenha acesso as suas parcelas. Para depois podermos exigir que limpem as suas propriedades. E voltam a perguntar: mas isso nunca foi feito? Foi. Pelo menos em Pinheiros, Pias, Barroças e Taias e Moreira esse levantamento foi feito. Foi gasto dinheiro do estado, foi feito um estudo, foi até feita uma proposta para aquela área, o Vale do Gadanha. Mas…. Ficou tudo na gaveta. À nossa boa maneira, deixou-se “cair”.

Pode haver razões que me ultrapassam, posso estar a ser injusto para quem se bateu para que este emparcelamento se concretizasse, mas é difícil de aceitar que tudo ficasse no papel. E, é bom que se diga, o objectivo principal desse emparcelamento era juntar as parcelas de vocação agrícola. Mas estava também previsto um emparcelamento da parte florestal.

Isto que aqui trago hoje é apenas uma demonstração da realidade, pelo menos para o norte do país, onde as parcelas são realmente pequenas. Antes de acusarmos os proprietários é bom que saibamos de que realidade estamos a falar. Antes de discutir os eucaliptos, antes de discutir as leis para limpeza de montes, antes de mais, emparcelamento florestal JÁ!!

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