Reportagem :: ATLÉTICO DOS ARCOS_Único clube do distrito no Campeonato de Portugal

O Clube de Arcos de Valdevez sagrou-se campeão distrital na última jornada, ganhando, ao sprint, a corrida ao Clube Desportivo de Cerveira. Apenas um ponto separou as duas formações – 62 do Atlético contra 61 do Cerveira – o que bastou para que a turma arcuense terminasse o campeonato na 1.º posição, tornando-se, assim, na única equipa do Alto MInho a disputar o Campeonato de Portugal Prio, na época 2017 – 2018.

Fomos ao Etádio  Municipal da Coutada para conversar com José Carlos Caçador Marinho, o atual presidente do Clube.

Com 62 anos de idade, Carlos Caçador está ligado ao futebol e ao Atlético desde os 14 anos, quando começou a dar os primeiros ‘toques’ na bola.

Além de presidente deste clube, também o é na Associação de Pesca Desportiva do Vez e selecionador nacional de Pesca Desportiva, na vertente Isco Artificial.

“O futebol sempre foi uma paixão e a pesca também. Às vezes, não é fácil conciliar, porque ambas me ocupam muito tempo e tenho a consciência que as minhas obrigações, em casa e na família, são, por vezes, esquecidas”.

CLUBE COMEÇOU DO ZERO

Em 2009, a equipa arcuense viveu o seu episódio mais negro. Pouco depois  de ter realizado uma campanha fantástica na Taça de Portugal (2008/2009), onde atingiu os quartos-de-final, o então Atlético Clube Valdevez, agora extinto, suspendeu a sua atividade devido às elevadas dívidas acumuladas.

Carlos Caçador não tem dúvidas que essa foi a situação mais negativa que o clube viveu.

“O clube atingiu uma dívida incomportável e chegou a um ponto que não tinha capacidade para a suportar [...] Acabou por dar insolvência e, em 2012, começou do zero”. 

Nessa altura, era secretário técnico do plantel sénior mas, no ano seguinte, acabou por chegar a presidente.

“A gestão do clube deve ser feita conforme as suas possibilidades, com os apoios dos patrocinadores, dos sócios e adeptos, mas sempre numa base de sustentabilidade. Porque, se assim não for, as loucuras levam a caminhos que já conhecemos”.

IDENTIDADE E BOA GESTÃO

“Considero que estes cinco anos foram muito bons, tanto a nível desportivo – com bons resultados e boas condições para as equipas dos vários escalões -, como a nível financeiro”.

“Isto envolve muito trabalho, muita dedicação, muito tempo e, apesar de haver pessoas que entendem o esforço que é feito, há outras que julgam que as coisas caem do céu. Há sempre aqueles que criticam, mas não aparecem para ajudar”. 

Segundo o presidente, a base deste clube tem de ser os elementos da terra.

“Desde o início da nossa gestão que tivemos a nossa identidade. Queremos que os adeptos venham ao estádio e se identifiquem com os jogadores que estão a representar o clube. Claro que isso não é suficiente e temos de recorrer a alguns jogadores de fora. Nesse aspeto, para além de serem bons jogadores, têm de ser pessoas que se integrem no espírito do grupo e que sintam o clube”.

“A outra regra fundamental na nossa gestão é a sustentabilidade financeira do clube. Os nossos compromissos estão todos regularizados”.

A SUBIDA DE DIVISÃO

“Fazemos, sempre, uma equipa para tentar ganhar todos os jogos.  E esta subida de divisão já podia ter surgido antes. Há dois anos tivemos uma finalíssima que nos deixou com alguma revolta, mas isso é passado e soubemos esperar pelo nosso momento. Este ano, a equipa tinha um orçamento abaixo de muitas equipas que ficaram no meio da tabela ,mas tínhamos a consciência que os jogadores tinham qualidade e sentem o clube. Isso é fundamental para o sucesso”.

E aquela última jornada …

“Infelizmente não estava cá. Estava no Campeonato do Mundo de Pesca, em Itália; por isso acompanhei o jogo à distância e num misto de sentimentos -satisfação enorme / frustração de não conseguir estar presente”.

“No entanto houve gente que estava, constantemente, a ligar e, assim, pude escutar a festa em direto, pelo telefone”. 

A chave para o sucesso foi a união.

“A nossa equipa venceu devido à intensidade com que os jogadores viveram este emblema e a família que se criou ao longo da época. Juntando o crer, a vontade e a identidade que este plantel demonstrou, conseguimos atingir o objetivo”.

PRÓXIMA ÉPOCA

O treinador anterior apesar de ser campeão, não permaneceu no plantel. Porque?

“Por vontade própria e porque abraçou outro projeto. O Leandro Morais, a quem desejo as maiores felicidades, foi uma peça fundamental. É uma pessoa que sabe estar no desporto e que, desde o início, se identificou com o clube dando um contributo enorme para este êxito”.

E o próximo plantel?

“Todos os jogadores que foram campeões foram convidados para integrar o plantel da próxima época. Uns por falta de tempo para treinar, outros pelas viagens, pelo tempo que iam estar ocupados e pela exigência deste campeonato, decidiram declinar o convite. O treinador teve, também, autonomia para contratar cinco ou seis jogadores dentro de uma verba que nós estipulámos”. 

E o campeonato?

“Sabemos as dificuldades que vamos encontrar a nível monetário e temos de trabalhar muito mais para obter fundos que suportem as despesas que vamos ter, nomeadamente, transportes, realização de jogos, entre outros”. 

“E de certeza absoluta que vamos ter o orçamento mais barato deste campeonato, em termos de plantel, mas estamos a construir uma equipa para nos mantermos nesta divisão”.

O ESTÁDIO E O CONCELHO

“Estamos a proceder à mudança de relva. Fez-se uma análise ao relvado e verificou-se que tinha uma praga ou algo do género. A Câmara Municipal achou por bem remover o tapete e colocar um novo. Isso permitiu, também, colocar rega automática o que nos permite melhorar, ainda mais, as nossas infraestruturas. Além disso, podemos utilizar o campo sintético, onde existem condições excelentes tanto de relvado sintético como de balneários.

Em suma, estamos muito contentes com as condições que temos aqui”.

Questionado sobre o a dedicação do adepto no futebol distrital, Carlos Caçador está satisfeito com o movimento dos arcuenses em torno do clube.

“O Atlético foi o clube com maior assistência nos jogos em casa e, também, nos jogos fora. Aliás, os campos que visitávamos tinham quase sempre uma sobretaxa no preço dos bilhetes, o que fez com que os nossos adeptos chegassem a pagar oito euros para ver o jogo. Acho que esse valor é exagerado para este campeonato. Aqui, nunca o fizemos e isso refletiu-se no número de adeptos nas nossas bancadas. Tanto a nível sénior, como nas camadas jovens, vejo um bom envolvimento do município com as nossas equipas”.

A SAD

“Quando surgiu a ideia da SAD ainda não havia direção. Houve essa intenção, de pessoas que não estavam ligadas ao clube; no entanto, essa proposta teria sempre de ir a votação dos sócios. Entretanto, esta direção tomou posse, e depois de uma troca de impressões mais acaloradas, na Assembleia Municipal, esse assunto acabou por ser declinado” , afirma o presidente do Atlético dos Arcos.

Mas qual era o principal objetivo dessa SAD?

“Penso que o objetivo passava por colocar jogadores no clube, fazendo com que as despesas deste fossem menores. No entanto, quem faz a gestão do clube é a direção, quem manda neste clube é a direção e não existe aqui nenhuma SAD”,  asseverou.

“Além disso, tivemos, também, propostas de vários agentes que queriam trazer futebolistas para cá, mas nós optámos por recusá-las porque o clube tem uma equipa técnica responsável. Eles sabem que podem trazer cinco ou seis jogadores para colmatar as posições mais necessitadas, dentro de uma determinada verba”. 

Mensagem aos adeptos

Vamos fazer tudo para manter o clube nesta divisão e podem contar com o nosso trabalho para continuar a desenvolver um clube com identidade, responsável, que assume os seus compromissos e que fomenta a amizade e a união entre todos os atletas e entre as outras coletividades”. 

“Aproveito para fazer um chamamento às pessoas para que, este ano, apoiem, ainda mais, este clube, porque essa ajuda será necessária”. 

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