Saboroso, Inesquecível e Contraditório

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As palavras usadas pelo Presidente da República, pelo Primeiro Ministro e pelo Presidente da Assembleia da Republica para caracterizar o ano 2017 foram “saboroso”, “inesquecível” e “contraditório”. Palavras certeiras e que resumem bem o que foi o ano que passou, senão vejamos:

SABOROSO

A mensagem que aparece veiculada na generalidade da comunicação social e nos é transmitida pela generalidade dos chamados “opinion makers”: a de que Portugal é o “país das maravilhas”. A economia está em crescimento, o défice das contas públicas está no nível mais baixo das últimas décadas, o desemprego está a cair, os portugueses vivem melhor, os impostos baixaram, há paz social…

Para além destas boas notícias ainda ouvimos rasgados elogios à competência do governo para criar condições que permitem que Portugal seja este “país das maravilhas”, corolário máximo dessa competência é a capacidade de diálogo do Primeiro Ministro e a gestão financeira do Ministro das Finanças, apelidado até de “Ronaldo das Finanças”.

Perante este cenário de “país das maravilhas” impõe-se a pergunta: será mesmo assim ou o Rei vai nu? Para um olhar menos atento estamos realmente perante um “país das maravilhas”, já para um olhar mais atento é claro que o “rei vai nu”. senão vejamos:

O tão apregoado e essencial crescimento económico que o país vive, que não podemos esquecer já vem de 2013, mostra claros sinais de abrandamento. E não é fruto das politicas económicas do governo acontece sim “apesar das politicas do governo”. Basta atentar que esse crescimento se tem dado em grande parte à custa do crescimento do turismo e não a opções governativas.

Todos temos de estar satisfeitos com a evolução das contas públicas e com o consequente abaixamento do défice. Mas a questão que se coloca é: será esta correção das contas suficiente para nos proteger da próxima crise? No seu discurso como presidente do Eurogrupo, o Ministro das Finanças referiu, a propósito das reformas necessárias na área do Euro, “temos de nos preparar para a próxima crise”. A pergunta que temos de fazer é se essa preocupação de Mário Centeno é extensível a Portugal e se o nosso país também está a preparado ou a preparar-se para enfrentar a próxima crise, que sabemos que acontecerá, só não sabemos quando. Infelizmente tenho a certeza que não, porque estamos a assumir compromissos financeiros que se vão prolongar no tempo e cujos efeitos se farão sentir particularmente quando este ciclo de crescimento abrandar…é a velha história da cigarra e da formiga.

INESQUECÍVEL

2017 fica indelevelmente marcado pela tragédia de Pedrógão Grande, toda a região centro e Monção, o enorme número de vítimas mortais num incêndio, expõe de forma dramática o abandono a que está votado Portugal. Vimos no fogo e nas mortes o fosso entre um país urbano, pendurado nos direitos e desabituado a ter deveres, e um país que vive entregue a si próprio, esquecido. Vimos nessa tragédia o estado e os responsáveis políticos falharem clamorosamente perante as pessoas e foi deixado a nu o abandono a que foi votado todo um conjunto do nosso território, aquele mais envelhecido e deprimido

CONTRADITÓRIO

Neste ano de boas noticias e em que todo está bem, com os sindicatos silenciados pela extrema esquerda, assistimos a um outro lado da realidade que nos aparece quase envergonhado: a falta de médicos, de enfermeiros, a falta de condições nas escolas…e todo um manancial de alertas como que a dizer: Portugal não é o país das maravilhas e prestem atenção que o “rei vai nu”.

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