Saúde :: AÇUCAR – O VENENO BRANCO DO SÉCULO XXI

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Não lhe podendo chamar alimento, o açúcar é um “produto”, viciante, ao qual, quase ninguém consegue resistir em dias de festa ou quando esta triste.

Tudo poderia estar bem se o consumo do açúcar fosse esporádico ou fosse consumido em forma de frutose ou lactose, naturalmente, presentes nos alimentos como frutas, legumes, leite e derivados.

O açúcar refinado (açúcar branco) vicia o cérebro tal como o tabaco, álcool e drogas. Estimula a produção de dopamina, uma hormona responsável pela sensação de bem-estar e prazer, por isso torna-se num refúgio em momentos de maior tristeza e fragilidade. Esta sensação de prazer, que o torna viciante é preocupante e ao mesmo tempo uma arma para a indústria alimentar. A ideia é torna-los viciantes para não deixarem de ser consumidos e vendidos. O açúcar, hoje, esta presente na composição de praticamente todos os alimentos processados.

Para além de viciante, o consumo de açúcar acarreta muitos outros malefícios.  É um agente inflamatório, causa elevados níveis de glicemia e insulina, prejudica a memória e causa dificuldades de aprendizagem. É, também, a principal causa de diabetes tipo 2, problemas dentários, aumenta o risco de cancro, envelhecimento precoce, problemas gastrointestinais, colesterol alto, hipertensão e doenças cardíacas, doenças da pele, entre muitos outros.

Não podemos considerar o açúcar um alimento porque apenas fornece calorias vazias pois não contem vitaminas nem minerais que são nutrientes essências para o nosso organismo. O açúcar engorda e prejudica todo o funcionamento normal do organismo.

Existem algumas alternativas para quem não consegue passar sem a sensação de doce como açúcar de coco, açúcar mascavado, mel ou stevia. Não deixam de ser açúcares mas se consumidos com moderação acarretam menos problemas.

Se todos os dias comermos cereais açucarados ao pequeno-almoço, hambúrgueres em pão com refrigerantes, leite achocolatado com bolo ao lanche, pizza ao jantar e iogurte açucarado ao deitar, é óbvio que o corpo vai ter mais açúcar no organismo do que o que precisa. Vai acumular e, posteriormente, transformar em gordura.

Açúcar e as crianças

Estamos habituados a ouvir dizer que é de pequenino que se torce o pepino. Pois bem, se assim é para umas coisas porque não aplica-las à alimentação? O açúcar não deveria fazer parte da alimentação das crianças de forma nenhuma. Se é viciante, por que dar?! Quanto mais tarde tiverem contacto com os doces e com o açúcar, melhor será o desenvolvimento motor, neurológico e cognitivo dos bebés e crianças que tanto precisam de nutrientes e proteínas. Não se trata de proibir (o fruto proibido é o mais apetecido) mas evitar o seu consumo e privilegiar outros alimentos mais ricos e saudáveis.

É importante alertar os pais e/ou os cuidadores que tudo que vem embalado ou em pacotes tem açúcar. Entenda-se como açúcar tudo que seja glícidos, dextrose, maltose, frutose, xarope de milho… tudo é de evitar. É essencial privilegiar os alimentos que não tem rótulo, ou lista de ingredientes, ou seja, aqueles que vem diretamente da terra e do mar.

A estatística é alarmante! Temos muitas crianças com problemas de caries dentárias, obesidade e diabetes em Portugal.

Existem alguns projetos, como o “SinAzucar.org” que pretendem revelar a verdadeira quantidade de açúcar que esta “escondida” nos alimentos. Por exemplo, os iogurtes da Nestlé, para bebes, têm 9 gramas de açúcar. Bebidas energéticas ‘Monster’ têm 15 cubos de açúcar. Meio litro de coca-cola tem cerca de 53 gramas, etc. É por isso verdade que é extremamente difícil alimentar as nossas crianças sem qualquer adição de açúcar mas podemos seguir os semáforos da alimentação e optar por aqueles que têm menos quantidade na sua composição.

Temos de promover a saúde, mudar hábitos e mentalidades. O doce tem de deixar de ser uma recompensa. O excesso de açúcar no sangue não dói, mas mata!

Em Portugal

Segundo dados do INE, o consumo de açúcar refinado aumentou 4,2 g/hab/dia entre 2012-2016 face ao período transato.

Em 2016 as disponibilidades diárias de açúcar adicionados totalizam 88,3 g/hab/dia, cerca de 16 saquetas de açúcar por dia, 23 colheres de chá por dia, cerca de 34,7 kg por ano! 

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