“Sons do vez” :: O Primeiro festival do ano

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O “primeiro festival do ano” está de regresso a Arcos de Valdevez. Entre o dia 3 deste fevereiro e 24 do próximo marco, decorre a 16ª edição dos Sons do Vez, Mostra de Música Moderna a que esta vila alto-minhota já nos habituou. Linda Martini, Jorge Palma, Legendary Tigerman e Blind Zero são os ‘cabeças de cartaz’.

A organização é, como habitualmente, da Casa das Artes e Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, em co-produção com a Banzé.

Durante dois meses, Arcos de Valdevez dá voz à música portuguesa com talentos emergentes e consagrados, numa mostra de música que acontece todos os fins de semana na Casa das Artes. Em simultâneo, decorre a votação dos Iberian Festival Awards, para a qual está nomeado, pelo 3º ano consecutivo, nas categorias de Best Indoor Festival, Best Small Festival, Best Line-up e Best Communication.

DIRETOR DO FESTIVAL

Nuno Soares, chefe da Divisão Sociocultural  do Município e responsável pela Casa das Artes, é o diretor do festival Sons do Vez. A VALE MAIS questionou esta prestigiada figura da vida cultural da região sobre este evento.

Que evolução tem sofrido o certame aos longo destes 16 anos?

A evolução tem sido altamente positiva. De um evento profundamente experimental, feito algures num interior profundo e afastado do mundo urbano, o Sons assumiu o estatuto de “primeiro festival do ano” e de ponto de encontro natural dos melhores e mais dinâmicos projetos da música moderna nacional, sendo já um ponto incontornável de passagem dos músicos e do seu público; este é, cada vez mais , o primeiro ponto de encontro da melhor música nacional antes de um ano de múltiplos festivais de exterior, sobretudo estivais, e onde fica menos espaço para a contemplação e a observação real da música e dos seus artistas; só como ponto de informação, o Sons recebeu nestes anos, entre muitos outros, referências tão diversas e heterogéneas como Moonspell, Deolinda, The Gift, Dead Combo, Gaiteiros de Lisboa, Ramp, Pedro Abrunhosa, Capicua, A Naifa ou Pop Dell’Arte.

Quanto ao fenómeno Sons como elemento crescente de atratividade, relembro que, em 16 anos de história, o festival colocou no intimista palco da Casa das Artes de Arcos de Valdevez 141 projetos, de diferentes mediatizações  e sensibilidades, e em plateia quase 17 000 espetadores, algo que nos enche de evidente orgulho e entusiasmo.

Qual o seu objetivo, público-alvo e porquê nesta altura?

O objetivo principal do Sons é criar uma opção programática diferenciadora para um concelho que está geograficamente afastado dos centros decisores e urbanos; é, por isso, um projeto que tenta fazer contraciclo, isto é, permitir que os residentes não tenham que se deslocar para fora do seu concelho para acederem a uma programação diferenciadora, mas, em simultâneo, mobilizar públicos exteriores que, aos argumentos singulares de atratividade do concelho (Natureza, Património e Gastronomia), juntem também outras referencias “contemporâneas”, criando, assim, em cada fim de semana de fevereiro e março, um pacote de visitação atrativo e dinâmico.

Quanto ao público alvo, parece uma história do Tintim: é quase dos 8 aos 80 anos; na verdade passam pelo Sons de Vez públicos de diferentes gerações, quer em novos quer em projetos mais consolidados, sendo esta uma marca identitária e vinculativa do evento; temos a sensação plena que cada edição é um reencontro para alguns e uma descoberta para outros.

Que novidades destacaria na edição deste ano?

A edição 2017 do Sons, na sua 16ª realização, coloca em palco, mais uma vez, um grupo especial de nomes que atravessam sonoramente as oito datas, como se de uma bela máquina sonora se tratasse. Existem novidades absolutas, casos do Carlão ou dos Anaquim, e “amigos da causa” Sons de Vez, como Frankie Chavez, Linda Martini, Jorge Palma, Blind Zero, The Legendary Tigerman, Pedro e os Lobos ou The Last Internationale, todos eles repetentes assumidos pela organização, mas todos com novos projetos, novas ideias e novas abordagens criativas; atrevemo-nos a dizer, sem hesitação, que em mais nenhum outro evento nacional houve espaço para, em 16 anos, acompanhar de forma tão regular e progressiva alguns dos nomes essenciais da música portuguesa dos últimos 30 anos. Mas o Sons é novamente lugar para projetos que nascem ou renascem; é com orgulho que recebemos, em modelo de abertura e primeira parte, nomes como Miguel Tela, compositor e músico arcuense que apresenta no Sons o seu primeiro trabalho discográfico, ou os também locais, e muito jovens, Carolina Drama, mas também nomes regressados após um período de alguma ausência mediática, caso do Ricardo Azevedo, ex-EZ Special, que escolheu também o intimismo do Sons de Vez para apresentar novas canções.

O Sons de Vez é assim, e cada vez mais, um evento de celebração da música portuguesa e um espaço de encontro, ou reencontro, de muitos amigos, em cima e fora do palco.

Qual o orçamento previsto para o mesmo e os apoios, para esse fim, recebidos, designadamente, da autarquia municipal?

O Sons de Vez é realizado com investimento 100% municipal, contando com parcerias não financeiras, casos da Antena 3, que é parceiro de Media deste a primeira edição.

O orçamento do evento está integrado no global anualmente previsto para programação e estratégia cultural do Município, dinamizada sobretudo pela Casa das Artes, sendo que a sua leitura isolada não é válida. Podemos, contudo, dar nota que a concretização anual do Sons de Vez é um esforço concertado, e apurado, de investimento municipal e de atenção e vontade dos próprios artistas e dos seus representantes, numa simbiose que demonstra que, muitas vezes, é a força de vontade e o esforço concertado que criam dinâmicas e projetos de sucesso; talvez por isso o sucesso do Sons se deva a um feliz equilíbrio entre fatores emocionais e racionais.

FEVEREIRO: DE CARLÃO A JORGE PALMA

Carlão, ex-vocalista dos DA Weasel, tem as honras de abertura da edição deste ano, no primeiro sábado deste mês de fevereiro. Trazendo na bagagem o álbum “Quarenta”, que teve como primeiro single o sucesso “Os Tais”, o EP “Na Batalha” e os singles de 2017 “Agulha No Palheiro” e “Viver Pra Sempre”, os primeiros avanços do álbum a ser editado durante este ano.

O fim de semana seguinte, mais concretamente no sábado, dia 10, traz dupla proposta de programação. Primeiro Miguel Tela, que se inspira na escrita pictórica do malogrado artista arcuense Nurmi Rocha. E, logo depois, Frankie Chavez que conjuga diferentes tipos de sonoridades.

A 17 de fevereiro, também um sábado, e a celebrar 15 anos de carreira, Linda Martini. Traz uma mão cheia de sucessos e o mais recente single “Gravidade”, agraciado pela crítica, depois de esgotarem o Coliseu de Lisboa num confronto direto com Legendary Tigerman, também uma das propostas deste festival.

Fevereiro encerra a programação no dia 24 com o repetente nestas andanças, e no Sons do Vez, Jorge Palma, um nome que dispensa apresentações e que já foi entrevistado pela VALE MAIS. Com mais de 40 anos de carreira, é um nome incontornável na música, na qualidade de compositor, poeta, intérprete e pianista.

MARÇO: DO PORTO À AMÉRICA

A 3 de março, também um sábado, o palco é entregue aos portuenses Blind Zero. Conforme nos informou fonte da  organização, a banda vai apresentar-se em formato acústico, com aquele que é o oitavo disco da sua carreira: “Often Trees”, que revela a enorme criatividade da banda de Miguel Guedes.

Na sexta-feira  seguinte, dia 9, é a vez de dose dupla com Legendary Tigerman e Pedro e os Lobos. Influenciado pela tradição e pelas raízes do blues original de Mississippi, Paulo Furtado, que se deu a conhecer pelo alter-ego de Legendary Tigerman, é o exemplo de one-man band show. Pedro e os Lobos, por sua vez, é um projeto solitário e ousado, idealizado pelo guitarrista Pedro Galhoz.

No penúltimo fim-de-semana de março, dia 17, sábado, é a vez dos Anaquim. Inspiram-se nos cantautores portugueses ligados à revolução e na canção francesa. Na primeira parte, atua Ricardo Azevedo, o projeto a solo do ex-vocalista de Ez-Special.

O Sons de Vez termina a 24 de março, sábado, com dose dupla. A primeira parte fica com os arcuenses Carolina Drama, que trazem o EP de estreia “Memento Mori”; movidos pelo rock n’ rol. Logo depois, a banda de rock norte-americana The Last Internationale. Com letras que apelam à consciencialização social, assistiram recentemente à entrada na formação do baterista Brad Wilk, ex-Rage Against the Machin.

Os concertos têm sempre início marcado para as 23h00 e os bilhetes  variam entre 6 e 15€, Podem ser adquiridos ao balcão da Casa das Artes de Arcos de Valdevez na semana que antecede o evento ou reservados através do e-mail <casadasartes@cmav> ou do número 258 520 520.

Reportagem na edição impressa

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