SUCESSO NAS EMPRESAS FAMILIARES

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Ao se pretender fazer a caracterização económica do Alto Minho forçosamente terá de se ter em conta um tecido empresarial atomizado, em que a quase totalidade das empresas são de cariz familiar, pois das 23.042 empresas existentes, 95,79% tem menos de 10 colaboradores e 99,57% tem menos de 50 colaboradores (INE,2012).

Hoje é facilmente aceite por todos que as PME´s são o esteio da economia europeia e da portuguesa muito em particular. Todos reconhecem a importância deste tipo de empresas para a economia, apesar de o acompanhamento e preocupação pelo seu desiderato estar ainda ficar longe do que seria exigível. A maioria destas empresas são de cariz familiar, sendo responsáveis em Portugal por cerca de 60% do PIB e do emprego criado. Ressalve-se, que ser pequena ou média não é por si sinónimo de familiar, apontando-se o exemplo do Banco Santander, que embora seja uma das maiores instituições financeiras a nível mundial, não deixa   de ser uma empresa familiar. Benetton, Zara, Peugeot, Heineken, Jerónimo Martins e Luís Simões, são outros exemplos mediáticos. A definição de empresa familiar ainda diverge entre alguns estados europeus, mas de uma forma generalizada, podem assumir-se como familiares, aquelas que na sua maioria são detidas e geridas por elementos de uma família. Em suma, são segundo a Associação de Empresas Familiares, aquelas em que uma família detém o controlo em termos de nomear a gestão, e em que alguns dos seus membros participam e trabalham na empresa.

A complexidade da gestão das empresas familiares resulta da soma das preocupações que decorem da gestão de uma qualquer empresa, acrescendo a complexidade das relações familiares, sempre difíceis de gerir. Se na primeira geração de empresários o problema das relações familiares não se coloca, pois aqui o fundador ainda detém o controlo e o ónus da fundação, o mesmo não se pode dizer nas gerações seguintes. Neste caso, pelo facto do número de interessados, leia-se familiares, aumentar, a complexidade da gestão também aumenta. Apenas um número muito pequeno de empresas supera a primeira geração, 70% não passa da geração do fundador e apenas 1% supera a 4ª geração. O drama por vezes é enorme , pois  o pior, muitas vezes, não é ficar sem negócio, mas sim ficar sem família.Um inquérito feito pela Associação das Empresas Familiares, confirma que 32,6% dos dirigentes empreendedores, de 61 anos

ou mais, que pensavam retirar-se nos próximos 5 anos, ainda não tinham selecionado o sucessor. Os empresários apesar de serem conscientes da dificuldade de trabalhar a sucessão e de lhe dedicarem algum tempo, continuam, no entanto, a fugir do assunto, considerando que a “sucessão é algo que de momento não interessa tocar ou abordar …não vamos complicar as coisas agora”.  Colocam-se muito problemas na hora da secessão: que filho fica com a empresa? aquele que acompanhou o pai no dia a dia da empresa, ou o que foi fazer formação superior e esteve ausente da empresa durante esse período? quem terá o controlo? quem recebe os lucros? como ocorrem as separações? qual o papel dos acionistas que não trabalham na empresa? prever sucessão e requisitos para a sucessão; que percentagem de lucros devem ser distribuídos como dividendos?

Assumindo o problema da sucessão uma importância cada vez maior, são referidas várias medidas que podem ajudar a contornar este problema: a profissionalização da gestão; a elaboração de um protocolo familiar onde se deixa traçada a orientação da empresa em matéria de distribuição de dividendos; investimentos; liderança e valorização dos ativos sociais.

Apesar das dificuldades, o que move um empresário a perpetuar o seu negócio passa essencialmente por poder oferecer uma oportunidade aos filhos e assim também conservarem o legado familiar.

Pelo número de empresas familiares existentes na nossa região seria interessante aprofundar a temática da sucessão empresarial, começando por fazer um levantamento exaustivo do numero de casos passiveis de aplicação.

 O tema do empreendedorismo e da criação de novas empresas, é sem duvida aliciante e por consequência desafiante, mas não deve desfocar a agenda das empresas familiares já existentes, algumas delas seculares, que muito têm contribuído para a riqueza da região.

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