TINO COSTA ‘coleciona’ Cerveira

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Postais, livros, lápis, selos, medalhas e por aí adiante

Constantino João Magalhães Costa (mais conhecido por Tino Costa) é um colecionador inveterado. Desde os tempos da escola que coleciona… quase tudo que diz respeito à terra onde nasceu e vive – Vila Nova de Cerveira. Tem, entre outras coisas, à volta de seis centenas de postais deste concelho, assim como 321 livros de autores nascidos ou residentes nele.

Aos 66 anos, está reformado após sete anos na Marinha e 38 como funcionário dos bombeiros voluntários locais. Atualmente preside à Junta de Freguesia da sede do concelho.

Tino Costa – ele próprio um colecionador da VALE MAIS – recebeu a nossa reportagem para nos contar a sua história e fazer confidências  –  não, por vezes, sem alguma incontida emoção  – sobre a sua vida de colecionador.

“Comecei por colecionar nos tempos da escola primária. O meu pai tinha coleções de selos (filatelia) e moedas (numismática), mas chegou a um ponto em que as abandonou. Deixou-as num canto, pedi-lhe e peguei nela. E comecei a juntar. Antes, também já colecionava (com outro rapaz) lápis com publicidade a casas comerciais. Ainda hoje os tenho em meu poder. Já lá vão uns 55 anos. Depois, virei-me para as carteiras de fósforos (filumenismo). Tenho guardadas centenas delas” – começa por nos referir.

PERTO DE 5 MIL CADÁVERES

E prossegue: “Após ter vindo da tropa, peguei nuns postais antigos que tinha do meu pai relacionados com Cerveira e comecei a achar piada a isto de colecionar. Hoje tenho a maior coleção de postais deste concelho, a qual já deu origem a um livro.”

“Também sou editor de 13 livros – uns da minha autoria e outros em coautoria. Tudo relacionado com esta história de Cerveira e de cerveirenses. Neste momento estou com dois ou três ao mesmo tempo. Um deles será o 5º publicado pela comissão de festas de S. Roque, situada na zona onde moro… de cinco em cinco anos fazemos uma festa e lançamos um livro da minha autoria.

E estou a fazer outro que é a história do cemitério municipal de Vila Nova de Cerveira, identificando todos os cadáveres que lá se encontram. São perto de 5 mil. E há ainda um outro, que será o 2º de postais.”

600 POSTAIS E 321 LIVROS DE CERVEIRA

“Quanto a postais, tenho à volta de 600 só do concelho de V. N.Cerveira. É o tema da minha coleção. Do qual estou agora a editar outro livro, a pedido da Câmara. Já tinha sido feito um e agora estou a fazer outro, atualizado, com esses 600 postais.

Coleciono também livros (tenho 321) de autores naturais ou residentes no concelho de Vila Nova de Cerveira. Essa alonguei-a um pouco ao distrito. Por isso, neste, vou andando atrás de tudo o que sai e compro. Em Ponte de Lima, tenho um amigo que também é colecionador. Na sua área (P.Lima/Ponte da Barca/Arcos), adquire ele e, depois, acertamos contas.”

O seu foco é, porém, Vila Nova de Cerveira.

“Deste concelho coleciono tudo, incluindo rótulos de garrafas, medalhas do concelho, cheguei também a colecionar objetos publicitários como isqueiros, esferográficas, porta-chaves…. parei porque era preciso um armazém para guardar tudo isso. Tenho a coleção em minha casa, em armários próprios.”

Porque começou e continua a colecionar? Que satisfação encontra nesta coleção? – quisemos saber.

“Uma coleção de postais, se formos ver, postal a postal, na totalidade, pouco vale. Mas, para mim, tem outro valor. É um gosto e prazer. É como os documentos antigos. Nos 38 anos que trabalhei nos bombeiros sempre andei com papéis. Depois comecei a escrever por brincadeira uma coisa e outra, a entrar na pesquisa, a perder horas e a pesquisar. Depois, como tenho estas coisas todas, a Câmara, quando precisa de saber algo ligado à história, é para o Tino que telefona”.

Tudo isso lhe ocupa muito tempo – observámos.

“Bastante. Agora entrei para a Junta e o tempo não é tanto. Mas eu perdia os meus bocados… isto de ter vindo para a Junta até me fez bem para falar com as pessoas… sou um bocado fechado, todo o que é colecionador é um bocado assim. Não sou um individuo de internetes. Gosto de livros, de pesquisar e de escrever sobre isso”.

OS MEUS CIGARROS E CERVEJAS

Mas colecionar também tem custos!

“Claro. Mas costumo dizer que são os meus cigarros, as minhas cervejas… poupo nisso e gasto nos livros. É o meu vício. Ainda, recentemente, o meu neto fez três anos e, em cada aniversário, tenho-lhe oferecido moedas, de coleção, que saem em euros, juntamente com uma carta (voz embargada pela emoção)…  que o vício dele seja esse, mais tarde ser um bom colecionador…. e de arte…  que dá muito dinheiro.”

E a família… como vê esse seu vício?

“A minha mulher, às vezes, chateia-me um bocado a cabeça, mas, no fundo, acaba por concordar. Por exemplo, aos domingos, às vezes, pego no carro, vamos, sei lá, a Ponte de Lima…. Ela vê logo ao que eu quero ir…”

Já pensou em qual será, mais tarde, o destino das coleções?

“Da Câmara, incluindo também o ex-presidente, têm-me deitado o barro para lhes deixar isto. Só que já falei do assunto em casa, na presença do meu filho, e ele disse-me que não era muito desses livros; tenho a minha nora que é uma devoradora de livros, mas de autores de outro âmbito, não regionais. Mas diz-me que tenho um neto e não sei… e, numa  dessas cartas que deixo ao meu neto, digo-lhe que, se um dia ele não ligar muito aquilo, os dê à Câmara em meu nome”.

COLECIONAR SEMPRE

Entretanto, vai continuar a colecionar?

“Sempre”.

Também apareceu recentemente numa peça de teatro, O Segredo dos Simónides – Coleção de Colecionadores, no âmbito das Comédias do Minho. Como encarou isso?

“Gostei. Foi até das peças de teatro que…. aquilo foi uma entrevista que me fizeram sobre o colecionismo, mas, no fundo, não era verdadeiramente este que lhes interessava, era a pessoa e ir buscar outras coisas sobre a guerra no Ultramar e… pronto. Fizeram-me chorar, mas gostei.”

Se recuasse no tempo, voltava a ser colecionador?

“Os meus tempos livres são levador a ir buscar as coisas aqui e acolá. Postais, livros, moedas e selos. Coleções corriqueiras que toda a gente faz. Se hoje começasse a colecionar, ia buscar algo que ninguém colecionasse. Por exemplo, maços de cigarros vazios, há milhentos deles… há muita coisa que muitas vezes me passa pela cabeça. O colecionismo é um mundo vasto”.

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