TO BEER OR NOT TO BEER… Consumo de álcool no desporto

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É um facto que o consumo de álcool, no meio desportivo, é bastante comum. Não só pelos atletas amadores, que se reúnem semanalmente, como por atletas de elite. Apesar do consumo de álcool ser, geralmente, associado a aspetos negativos, também pode trazer alguns benefícios se consumido com moderação. Vamos à discussão…

Uma das maiores polémicas quanto ao consumo de álcool por atletas estabelece-se para discutir se este interfere na performance do atleta e qual o seu impacto na recuperação. É um facto que a ingestão aguda de álcool, ou seja, imediatamente antes do treino ou jogo vai influenciar negativamente a performance do atleta em várias habilidades motoras e psicológicas: tempo de reação, equilíbrio, estabilidade, precisão e coordenação.

Ora, para um atleta de tiro ao arco, por exemplo, pode ser drástico. Causa alterações na regulação da temperatura corporal – baixando a temperatura central do corpo especialmente em exercícios prolongados e em ambientes frios.

O álcool tem efeito negativo sobre a função renal e leva à perda de água e eletrólitos através da evaporação do suor e urina causando desidratação e até arritmias cardíacas. Diminuição de força, da potenciação, endurance muscular, velocidade, endurance cardiorrespiratória e até a capacidade de tomar decisões rápidas e racionais são comprometidas.

A hipoglicemia também é muito comum aquando do consumo de álcool. A atividade física já promove uma diminuição da glicose no organismo. Na presença de álcool esse consumo é acentuado alterando o metabolismo energético natural. Em vez de ser utilizada a glicose como meio de obter energia, o organismo começa a degradar a própria proteína muscular.

Outro problema do consumo recorrente de álcool é que faz aumentar o peso. É bastante calórico, cerca de 7 calorias por grama de álcool puro e não contem qualquer valor nutricional em termos de vitaminas e minerais, chamadas calorias vazias.

O consumo excessivo também pode aumentar a sensação de “loucura” e encorajamento para o individuo facilitando situações de perigo e daí haver  ocorrência de lesões. É unânime, entre investigadores, que o consumo de álcool nas 12-24 horas antes da atividade desportiva aumenta a probabilidade de lesões também devido à fadiga precoce associada. No caso de “ressaca”, está claro o aumento de forma importante do consumo de oxigénio durante esforço submáximo e simultaneamente reduzir a eficiência mecânica.

Com o prolongamento do consumo de álcool podem produzir-se alterações patológicas no fígado, cérebro, coração e músculos que pode levar a incapacidade e até morte.

Parece que os desportos coletivos e, nomeadamente, os jogadores de futebol e râguebi são os mais consumidores em vez dos atletas de desportos individuais.

São vários os motivos que levam os atletas a consumir álcool: aliviar a pressão, motivos socioculturais, adoção de uma norma característica do grupo em que estão inseridos como forma de identificação, festejos após treinos ou jogos, socialização, dependência e problemas psicossociais, entre muitos outros. Cada atleta é especialmente diferente de todos os outros e as motivações que levam a beber em excesso também são diferentes.

A grande questão é: as bebidas alcoólicas só trazem malefícios para o atleta? 

Parece que não. Estudos demonstram que o consumo moderado de álcool (cerca de 100mL de vinho tinto por dia que equivale a 0,04/0,05 de concentração de álcool no sangue) pode prevenir ocorrência de doenças cardiovasculares, aumenta a sensação de bem-estar e diminui o stress. Além disso contem resveratrol, substância conhecida pelas suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e anticancerígenas.

Também pode beneficiar alguns atletas. O mesmo atirador ao arco, se consumir pequenas quantidades de álcool, com o seu efeito ansiolítico pode melhorar a precisão do tiro, pois este diminui o tremor. Por esse motivo, o consumo de álcool foi banido das competições de tiro desportivo pelo Comité Olímpico Internacional.

O álcool faz parte da lista de Substâncias Dopantes?

De acordo com a Associação Antidopagem de Portugal, a lista em vigor desde 1 de Janeiro de 2015 revela que o álcool (etanol) só é proibido em competição nos seguintes desportos: automobilismo, desportos aéreos, motociclismo, motonáutica e tiro com arco. Não só por pôr em risco a segurança do praticante como de terceiros.

A detecção é feita pelo método expiratório e/ou análise de sangue. Concentrações de álcool no sangue superior a 0,10 g/L origina uma violação ao Código de Antidopagem.

De forma conclusiva, pode-se dizer que o consumo de álcool moderado é indiferente para a performance do atleta mas pode melhorar aspetos de saúde. Já o consumo excessivo e recorrente pode ser um problema sério e prejudicar severamente os atletas. Assim, torna-se necessário estarmos atentos a este fenómeno e uma das formas eficazes de combater o consumo excessivo de álcool consiste em que os atletas percebam a contradição que existe entre, por um lado, os efeitos positivos que a prática do desporto implica para a sua saúde física e mental e, por outro, o impacto negativo que o consumo excessivo pode implicar para essa mesma saúde. 

As indústrias de bebidas alcoólicas também tem um papel importante pois estão presentes em praticamente todos os eventos desportivos, quer seja no final das corridas de ciclismo, quer seja a dar nome às principais ligas de futebol. Por isso, para acabar com a imagem de que o álcool e o desporto estão intimamente ligados, algumas das principais ligas mundiais proibiram tanto jogadores de fazerem campanhas publicitárias a marcas de bebidas alcoólicas como também não permite que sejam patrocinadores oficiais das equipas e clubes.

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