Um admirável Mundo Velho

Níveis de analfabetismo superiores à média nacional (derivado do envelhecimento da população). Exponencial aumento do número de jovens emigrados. Baixo investimento em políticas de criação de emprego. Quando se argumenta acerca da falta de jovens no Alto Minho, os tópicos supra referidos são de importante relevância. Através do “Diagnóstico Social de Viana do Castelo”, este realizado em 2013, uma das problemáticas que mais se acentuava era o abandono escolar no 1º ciclo de escolaridade. Estranho será tentar perceber como é possível, uma criança entre os seis e dez anos de idade, abandonar os estudos antes de terminar a escolaridade obrigatória. Pois bem, este acontecimento deve-se ao facto de jovens casais, a construir família e raízes no Alto Minho, terem de abandonar a sua terra para emigrar e procurar novas oportunidades de emprego e bem-estar para a sua família. Pensemos agora sobre a vida destas crianças, que se veem obrigadas a uma mudança numa fase de crescimento, de aprendizagem e criação de laços ao meio que as envolve. Farão estas crianças parte de um futuro no seu país? E qual o seu país? Quando se pede um investimento no Futuro, não seria plausível que as pessoas que serão a realidade dessa era fossem parte desse projeto? As elevadas taxas de emigração, têm de facto, um elevado peso na falta de participação dos jovens na vida política ativa. Os jovens que procuram por algo novo não têm oportunidade de ser influentes no meio autárquico. Sim, porque a partir das autarquias é que se faz o trabalho de criação de condições para as pessoas assentarem, para não verem o Futuro apenas como uma miragem. Futuro é uma palavra engraçada, quando dita por aqueles que trabalham para ele, sem pensarem exatamente sobre o que estão a trabalhar.

Algumas decisões sobre a vida das próximas gerações, as que estão para nascer e as que já estão em fase de maturação, têm de ser tomadas agora, no Presente. Será então, de forma leviana que os jovens aceitam essas decisões sem serem consultados? Sim. Os jovens são seres irreverentes, “explosivos”, com falta de experiência, com necessidade de adquirir aquele “sumo” de sabedoria para negociar vidas sem as ter em conta. A maior parte dos seres políticos dos dias de hoje são um pouco como o Velho do Restelo. Exaltam um claro entusiasmo pela participação dos jovens e, por outro lado, o discurso em questão transmite pessimismo e receio. Porque é que os jovens não participam mais ativamente na vida política? Porque os seus ideais não são respeitados. O Presente presenteia-nos com algumas medidas impostas pela Juventude, é uma verdade. Quantas dessas medidas foram, efetivamente e claramente, importantes na construção de um Futuro mais promissor? Quantas medidas ficaram para trás? Quantas ideias ficaram na gaveta de um qualquer “gabinete com estatuto”? Se aos jovens, ou à maior parte deles, lhes é retirado o direito de ter palavra, então, não é de admirar que grande parte das percentagens de abstenção, aquando da ida às urnas, seja adjetivada com a palavra “Juventude”.

É exatamente isso que acontece no Alto Minho. Os jovens procuram sobrevivência e essa passa por outras partes do nosso país ou até mesmo no estrangeiro. Poucos jovens sentem que são úteis, que as suas ideias importam. Quando, em altura de construção das listas para as eleições Autárquicas, alguns jovens são convidados a serem parte desse mundo, maior parte acaba por recusar, e os que aceitam, acabam desiludidos pela falta de oportunidade de mostrarem algo novo. Também existem alguns jovens, uma pequena parte, que sabe envolver-se com os “Velhos do Restelo” e, como tal, podem chegar à posição de fazer a diferença. A esses jovens, que conseguem através do seu trabalho e esforço fazer a diferença, cabe mostrar o caminho da evolução aos jovens esquecidos. E são tantos!

Numa cratera de poucas oportunidades, envelhecimento e caos político, (este também influenciado pela descredibilização feita pelos media e pela opinião pública em relação aos políticos conhecidos a nível nacional, e com quem “convivemos” todos os dias do ano) os jovens desligam-se daquilo que percebem não ter Futuro. Quando pensámos no que é melhor para nós, nos sonhos para concretizar, no dia de amanhã, todos esses devaneios se envolvem numa vontade… estabilidade. É por isso, importante perceber como podemos manter a Juventude no Alto Minho. É importante aplicar estratégias que permitam aos jovens criar raízes nesta zona do nosso país. É importante criar emprego. É importante criar oportunidades para jovens empreendedores. É extremamente importante uma participação mais ativa dos jovens nas decisões políticas. É importante também mostrar que a Educação é um meio para atingir todo e qualquer fim. É importante que os jovens, que não têm oportunidade no seio familiar de aprender a importância da sua participação e das suas ideias, percebam o quão importante é a pergunta “Porquê?”. O facto de usar a palavra “importante” muitas vezes não é engano, é apenas para que entendam que vocês jovens são importantes para que a zona do Alto Minho se torne mais confortável para as próximas gerações, a quem vocês terão orgulho de apresentar “Um admirável Mundo Novo”.

As próximas eleições Autárquicas estão aí à porta. É agora altura de fazerem a diferença. É agora o momento de participarem e de se imporem. É hora de ver os vossos familiares, amigos e conterrâneos, voltarem para as suas casas. É hora de construir um Futuro em que o Alto Minho seja visto como um local a ter em conta para construção de raízes e famílias. Bem percebemos que as grandes cidades, meios empresariais, locais um possivelmente estudaram, são mais apetecíveis e são um meio de atingir aquela tal estabilidade. Façam desta a vossa luta e, lutem com tudo o que possam dar de vocês, para que não sejamos aqueles a quem disseram que não poderíamos fazer a diferença.

                                                                      Francisco Barros

                                                                      JS Concelhia de Ponte da Barca

SEM COMENTÁRIOS

Deixar uma resposta