UM “SALTO” A MELGAÇO PARA OS FILMES DO HOMEM

0 271

MELGAÇO

De ano para ano com mais público, o Festival Internacional de Documentário de Melgaço – FILMES DO HOMEM, a decorrer desde terça-feira, propõe uma viagem “a Salto” até ao extremo norte do território português durante este fim de semana.

Em homenagem aos portugueses que, principalmente durante os anos 60 e 70, atravessaram a fronteira ilegalmente e emigraram, todos os anos a programação do festival intensifica-se durante sábado e domingo, oferecendo diversas atividades e convidando os participantes a percorrerem o território do concelho.

Os melgacenses aderem a este iniciativa que decorre, todos os anos, na sua sede de concelho. Mas também os vizinhos galegos enchem, cada vez mais, os locais onde decorrem as várias iniciativas inseridas nesta iniciativa, bem como de outros concelhos do Norte de Portugal. A Pousada de Juventude local encheu-se de jovens para assistir a esta iniciativa que não é de massas, mas se torna popular no meio. “O cinema português arrasa com os Filmes do Homem”, ouvimos ainda esta manhã.

Hoje de manhã, o realizados José Vieira apresentou “A Ilha dos Ausentes”, onde se falou de emigração. E deixou um aviso: A Memória não nos deve levar a esquecer o Presente. E apontou o caso dos refugiados de que se enche a Europa e questionou se quem foge à miséria não é refugiado. Falou, também, da diferença da emigração para França nos anos 60 da época passada e os atuais.

 A programação deste sábado, dia 5 começa, começou com uma visita às exposições de fotografia “Festa”, de João Gigante, e “Pão nosso de cada dia”, de Venice Atienza e prosseguiu com projeções dos filmes candidatos ao prémio Jean Loup Passek. Todas as sessões de apresentação de filmes decorrem na Casa da Cultura de Melgaço e a entrada é livre.

ARRAIANOS

 Durante a tarde acontecerá a apresentação do livro “Arraiano entre os Arraianos”, de Xosé Luís Méndez Ferrín, professor jubilado da Universidade de Vigo, com 79 anos de idade, residente em Ourense e que, por razões de saúde, não esteve presente. Uma iniciativa inserida no projeto Arraianos que, conforme nos afiançou Rui Ramos, da organização, envolve investigadores e professores universitários dos dois lados da fronteira. Histórias, vivências e costumes da raia estarão em destaque. Uma obra que pensa a “identidade da fronteira” e que inclui, nas suas mais de 170 páginas, textos que o autor, ao longo do tempo, publicou no Faro de Vigo.

Manoel Batista, o edil melgacense, sublinharia, ainda, o envolvimento dos cineclubes da zona de fronteira num projeto que, em anos anteriores, contemplou iniciativas em Verin e Ourense, sendo, agora, a vez de Melgaço, através dos Filmes do Homem.

De resto, o autarca daria conta da “alegria e emoção” por perceber que o Festival, já na 4ª edição, está a fazer “o seu caminho” e a população de Melgaço a sentir “que é dela”. Sublinhou a importância da relação com a fronteira, nomeadamente, nas relações sociais e económicas, desde os tempos do contrabando. À VALE MAIS daria, ainda conta, da exposição que o festival também regista do lado de lá da fronteira.

CASTRO LABOREIRO NAS SETE MARAVILHAS

Manoel Batista enfatizaria, ainda, a importância de votar em Castro Laboreiro, na final das Sete Maravilhas que decorrerá a 3 de setembro, na aldeia do Piódão.

Nesse sentido, decorre esta tarde uma reunião nesta localidade com a finalidade de delinear uma estratégia de promoção que, desde já, passa, entre outras iniciativas, pelas redes sociais e pela colocação de diversos outdoors a esse propósito.

NÃO HÁ EUROCIDADE

Já quando o questionamos acerca da constituição de uma Eurocidade ou algo idêntico, como está a suceder com os vizinhos concelhos fronteiriços de Monção/Salvaterra. Tui/Valença e V. N. Cerveira/Tomiño, Manoel Batista argumentou que isso não se irá registar com Melgaço.

A razão prende-se, referiu, com o facto deste concelho, ao contrário de Monção, Melgaço e V. N. Cerveira, ter fronteira com vártos do lado de lá. Sublinhou que se têm registado iniciativas conjuntas com alguns deles, inclusive no âmbito dos Filmes do Homem, mas que, num total de sete concelhos galegos, só tem sido, por enquanto, possível a Melgaço estabelecer iniciativas mais regulares com Arbo e Padrenda.

AMANHÃ NOS FILMES DO HOMEM

Aomanhã, dia 6, domingo, além da apresentação dos filmes em competição, realiza-se uma sessão especial no Auditório de Lamas de Mouro, às portas do Parque Natural Peneda-Gerês, na qual é apresentado o filme Fronteiras, de Rúben Pardiñas, seguido de debate com vários participantes.

Já pelas 18h00, terá lugar a cerimónia de entrega do prémio Jean Loup Passek, que pretende distinguir a melhor longa-metragem (3.000€), a melhor curta ou média metragem (1.500€) e o melhor documentário português (1.000€). O júri desta edição é constituído pelo cineclubista André de Oliveira e Sousa, pelas realizadoras Graça Castanheira e Iris Zaki, esta última vencedora do prémio Jean Loup Passek para melhor curta-metragem em 2016, pelo produtor e realizador Rodrigo Areias e pelo jornalista e programador brasileiro Sérgio Rizzo.

 A sessão de encerramento do festival acontece na Torre de Melgaço com a projeção ao ar-livre do filme convidado Castro Laboreiro, de Ricardo Costa, apresentado por Álvaro Campelo.

 O FILMES DO HOMEM – Festival Internacional de Documentário de Melgaço é organizado pela Câmara Municipal de Melgaço em parceria com a AO NORTE – Associação de Produção e Animação Audiovisual, e pretende promover e divulgar o cinema etnográfico e social, refletir sobre identidade, memória e fronteira e contribuir para um arquivo audiovisual sobre a região.

SEM COMENTÁRIOS

Deixar uma resposta