MONÇÃO FOI O ÚLTIMO CONCELHO DO ALTO MINHO EM QUE OS NOVOS AUTARCAS TOMARAM POSSE. INCÊNDIOS NO FOCO DAS PREOCUPAÇÕES DO NOVO EDIL

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António Barbosa usando da palavra logo após a tomada de posse (Foto Adolfo Rocha)

(ATUALIZADO)

Foi a última autarquia do Alto Minho em que decorreu a tomada de posse dos novos órgãos autárquicos, relativos ao quadriénio 2017-2021. Em Monção, o Cine-Teatro João Verde foi pequeno para todos os que quiseram assistir à cerimónia em que o executivo camarário e a Assembleia Municipal – Armando Fontainhas sucede a António Simões na Presidência desta – assumiram funções.

Uma cerimónia demorada em que, porém, o novo chefe do executivo municipal, António Barbosa (PSD), assumiu, desde logo, uma postura institucional, de presidente de todos os monçanenses, num discurso incisivo, objetivo e sem margem para grandes ambiguidades.

O tema dos incêndios mereceu o foco das atenções. O novo edil mostrou-se mesmo apostado em que a Proteção Civil deixe de ser o “parente pobre” para ser o de “máxima atenção”. Um Gabinete a tempo inteiro (ou, até, uma chefia de Divisão) para trabalhar na área é o seu objetivo imediato. Barbosa notou que os incêndios do último fim de semana provocaram enormes danos ao concelho, além de duas mortes com eles relacionadas.

As prioridades estão também no desenvolvimento social e económico, com os vinhos e o turismo a constituírem vetores fundamentais. O autarca quer também conceder benefícios fiscais às empresas, quer o Minho Park a funcionar e não quer freguesias de 2ª ou 3ª categoria. Reconhece, porém, que a sede do concelho é o “primeiro cartão de visita” e, por isso, a quer “bonita, arranjada e funcional”. Para ele, as apostas fundamentais de Monção devem passar pela Cultura, Gastronomia, Alvarinho e Termas.

Saudando os que nele votaram e respeitando os que tiveram outra opção, António Barbosa enfatizou a sua postura de “presidente de todos” e vincando a “igualdade” no relacionamento e na disponibilidade.

Por outro lado, sublinhou a importância que atribui ao relacionamento com os municípios vizinhos, fronteiriços a Monção, designadamente, Melgaço, Arcos de Valdevez e Valença. Curiosamente, os autarcas de outros municípios presentes eram os presidentes daqueles dois primeiros e o vice deste último (em que também marcou presença o presidente da Assembleia Municipal).

Ao presidente cessante, Augusto Domingues (PS), seu adversário político, António Barbosa pediu cooperação, anotando que “conto consigo” para os desafios “exigentes” que vão surgir, até pela sua “experiência acumulada ao longo de 20 anos”.

O novo presidente da Câmara Municipal de Monção mostrou vontade de “ação, empenho e total disponibilidade”, pois “o futuro faz-se com todos”.

O clima foi, pois, institucional e de disponibilidade. Nos cumprimentos e saudações, as “cores” partidárias foram secundarizadas e o ambiente descontraído.

António Barbosa, de 41 anos, tem, a acompanhá-lo, no executivo, João Oliveira, Natália Rocha e Duarte Amoedo. Para a oposição, passam os que já representavam o PS no executivo camarário: Augusto Domingues, Conceição Soares e Paulo Esteves. Inicialmente, foi equacionada a hipótese de suspenderem funções, mas as reações – sobretudo as decorrentes das notícias sobre essa intenção reveladas pela VALE MAIS – também ajudaram a uma melhor ponderação. Para já, vão exercer as funções para que  foram eleitos. A primeira reunião decorrerá já na próxima quarta-feira.

Momento em que o novo edil prestava juramento
Momento em que o novo edil prestava juramento (Foto JC)
Os elementos do novo executivo camarário
Os elementos do novo executivo camarário  (Foto JC)

 

Aspeto da assistência
Aspeto da assistência (Foto JC)

 Uma nota, ainda, para as declarações de António Barbosa no final da cerimónia, acentuando a ideia de que quer todos os monçanenses envolvidos no progresso de Monção, independentemente da cor partidária. “Quando todos têm opinião, a probabilidade de acertamos é maior e é isso que vamos fazer no concelho”.

O facto do auditório do Cine-Teatro João Verde ter estado superlotado, face a tantos que quiseram assistir à sua tomada de posse, é interpretado, por António Barbosa, como algo natural, com a mudança  e expetativas após 20 anos de um concelho governado pelo PS.

“Isto é a expetativa que as pessoas têm de que este novo executivo vai fazer muito e trazer muito ao concelho de Monção. Quer dizer também que vamos estar à altura das expetativas que os cidadãos monçanenses colocaram à nossa volta e trabalhar muito para merecer a confiança que nos derem com a vitória e maioria absoluta neste ato eleitoral” – referiu o novo edil.

Inicialmente, estava previsto a cerimónia decorrer no largo em frente ao edifício dos Paços do Concelho, mas, além das previsões meteorológicas, entendeu, sobretudo, que devido à catástrofe dos incêndios, uma grande festa não seria condigna face a essa triste ocorrência.

Instado sobre a primeira medida a tomar quando chegar à Câmara, apontou que será a “aproximação aos funcionários da autarquia, como em qualquer organização”. J

CONHECER PRIMEIRO OS DOSSIÊS

Em termos de gestão autárquica, António Barbosa avisa que quer conhecer primeiro os dossiês. “Há muita coisa que acontece em períodos eleitorais que tem de ser vista; há muitos compromissos que são assumidos nesta altura de anos eleitorais que, depois, muitas das vezes, acabam por colocar em risco os orçamentos do ano seguinte” – sublinhou.

Por isso, “não podemos estar a prometer, para o próximo ano, grande coisa, temos de ver aquilo que estava escrito no orçamento, o que foi feito na prática e o comprometimento que foi feito para o próximo ano. Para, a partir daí, podermos decidir aquilo a fazer.”

“A gestão da Câmara vai ser feita a médio prazo. Não está em causa aquilo que vai ser feito no imediato, está onde queremos chegar dentro de oito anos que é o projeto que apresentamos. Vai ser nesse sentido que iremos trabalhar, vamos por em prática as medidas que nos levem ao fim que pretendemos” – referiu.

GABINETE DE PROTEÇÃO CIVIL/CHEFIA DE DIVISÃO

Porém, já em novembro próximo, garante, avançará o Gabinete de Proteção Civil. “Será uma urgência dado o que aconteceu no concelho…  ainda hoje me ligava o presidente da câmara de Viana do Castelo (presidente da CIM Alto Minho) a dizer que vai ser enviada ajuda para Monção… no sentido de virem alimentos para os animais. Também ainda ontem à porta das Finanças de Monção, uma senhora me dizia, a chorar, agarrada a mim, que a sua habitação principal tinha ardido… Isto, sim, é que deve ser prioritário para nós” – enfatiza.

E reconhece: “Por que não dizê-lo: esta desgraça que aconteceu fez-nos também mudar, se calhar, algumas das coisas que pretendíamos fazer a nível de Proteção Civil e dentro da própria Câmara. Estamos a ponderar a criação do Gabinete ou mesmo uma chefia de Divisão que integrará um conjunto de funcionários da área a trabalhar, diariamente, nesta matéria. Teremos, agora, de ver na prática, no terreno, os recursos humanos que a Câmara tem e de que forma será mais prático implementá-lo. Será prematuro estar a dizer exatamente como vai ser feito, mas podem ter a certeza que vai ser feito muito diferente daquilo que tem sido feito até aqui, nesta área da Proteção civil.”

 

 

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