A FAMÍLIA :: SUPORTE DO FUTURO DA HUMANIDADE

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Há semanas atrás li uns “desabafos” de vários professores dizendo estarem desiludidos com o seu trabalho nas salas de aula por terem de passar grande parte do tempo a “chamar à atenção” dos alunos. Entendem que as famílias se demitiram, em grande parte, do seu dever de educar. Terão muita razão, mas…

Perante esta situação, atrevia-me a deixar ficar aqui, neste espaço, uma breve reflexão sobre a família.

A família, apesar de todas as tentativas para a aniquilar, continua a ser o mais importante suporte do futuro da Humanidade.

No mundo de hoje, completamente dominado pela avidez do lucro, pela ambição e competição desenfreadas, pela angústia do presente, pela incerteza no amanhã, só uma família forte poderá ser o suporte para se poder resistir a tantas vicissitudes.

A família tem de ser o lugar de coesão interna através da solidariedade (consequente da partilha, que substitui o egoísmo individual); da gratuitidade (a família apenas cobra amor, superando o materialismo e a solidão da relação social moderna, consequências de um irracional uso das novas tecnologias); da atenção e disponibilidade permanentes (geradoras de bondade e do sentimento de segurança indispensável à liberdade na responsabilidade).

A sociedade de hoje, materialista, tecnológica e absorvente, não dá tempo a que a família se encontre, e procura aniquilá-la contrapondo o “deus” dinheiro.

Os pais que não tiverem tempo para os filhos cumpriram a sua missão procriadora mas falharam na missão criadora.

Na verdade, hoje é muito difícil cumprir a função

de educar, porque não há tempo. A família está cada vez mais apertada no seu campo de acção. Premeditadamente? Ousaria dizer que sim!

Com combater isso? Respostas não as tenho. Porém, poderia apontar alguns factores que, se calhar, poderiam restabelecer a cada vez mais ténue ligação entre pais e filhos, por falta de tempo:

– Os pais precisam de se mentalizar que são insubstituíveis na educação dos filhos e não podem, a troco de um consumismo ilusório, demitir-se dessa função;

– Devem acompanhar os filhos, em todos os momentos, criando espaços de diálogo (e como isso é difícil!), partilhando as preocupações, as alegrias e as tristezas e desenvolvendo a afectividade;

– Os filhos têm de entender que a direitos correspondem deveres, que a sua liberdade termina onde começa a dos pais, que não podem ser meros agentes passivos nessa luta em que são, afinal, a parte mais beneficiada.

Para além de tudo isto há outros problemas aportados pelo mundo moderno e dos quais aqui abordaria apenas a perda das referências e da identidade.

O homem de hoje tem acesso fácil à informação, aos bens disponíveis, mas não sabe donde vem, nem para onde vai, nem como deve viver:

– Não sabe donde vem, pois despreza a tradição e a relação com o Absoluto;

– Não sabe para onde vai, pois sabe que vai morrer mas não o que fazer até lá;

– Não sabe a que se agarrar para continuar a justificar o seu viver, pois perdeu o sentido espiritual do Absoluto.

Permitam-me afirmar que a única resposta passa por um valor único, autêntico cadinho de todos os outros valores: a mensagem de Jesus Cristo – solidariedade, autenticidade, sinceridade, disponibilidade, compreensão, dádiva ao outro, Amor…

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