A magia de ler

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A magia de ler

A magia de ler. A leitura de uma crónica de José Tolentino de Mendonça, deu-me o mote para a “0pinião” deste número. Referia-se ele a um livro de Eduardo Galeano, “O Livro dos Abraços”, onde se conta que um menino, vendo o mar pela primeira vez, pedia ao pai que “o ajudasse a ver”. O cronista acrescentava: “penso que é isso que pedimos aos livros…”

O dia entardecia… Abri a porta e entrei. Sentei-me para poder sentir melhor a luz que iluminava todos os recantos daquele espaço por descobrir, que tinha estado à minha espera. Respirei um ar puro, sem fronteiras, e deixei-me levar por aquela luz que me incitava a partir para uma aventura à descoberta de tesouros maravilhosos.

A luz continuava a brilhar com uma intensidade cada vez maior, e comecei a descobrir memórias e sonhos da Humanidade inteira.

E a luz continuava a brilhar e eu a sentir o bater de um coração imenso por onde brotavam ondas de liberdade e de esperança. E senti que se a luz se apagasse me faltaria o ar.

Mas a luz não se apagava e continuei na descoberta de tesouros que só se encontram através de rios de palavras. E mergulhei nelas sentindo que fazia uma viagem fantástica, desde a infância até à idade adulta. E, através dessa viagem, senti a magia da infância onde sonhamos que, quando formos grandes, vamos conquistar o Mundo. E senti-me como se fosse um camponês que apanha as espigas depois de terminada a ceifa. Só que, para mim, as espigas eram palavras. E apanhei-as, uma a uma, e guardei-as na minha memória.

Senti, durante a viagem imaginada, que necessitava das palavras para alcançar os sonhos, de modo a poder entender o Mundo e para me entender a mim próprio.

E a luz, de que vos falei no princípio, continuava a brilhar, tornando possível que, através da imaginação e da criatividade, eu pudesse exprimir os meus sentimentos.

O dia anoitecia… E, de repente, dei comigo, sentado no sofá da sala, a ler um livro…

Fora através dele que eu pudera fazer essa viagem fantástica. O livro era a luz, era o rio, era o sonho, era a liberdade, era a esperança, era o sentimento, era o coração, era a memória, era a magia de conquistar o Mundo.

Termino com a crença de que os livros podem dar asas aos nossos sonhos e ser a semente que permite o voar da imaginação na escolha das palavras que conduzem, através da magia de ler, à liberdade possível.

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