A VITAMINA D “ESTÁ NA MODA”!

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A deficiência em Vitamina D é muito comum no mundo inteiro. Estima-se que 1 bilião de pessoas tem défice desta vitamina. É obtida principalmente através da exposição solar e há poucos alimentos que tenham níveis suficientes para chegar perto das necessidades diárias.

Tem sido crescente o número de pessoas que aparece com vitamina D baixa nas análises laboratoriais. Isto levou-nos a tentar perceber o porquê e a relacionar isso com outros problemas de saúde muito comuns: calcificações ombros, dificuldades em consolidar as fraturas, dores em várias articulações…

Parece-me óbvio que esta diminuição se prende, e muito, ao nosso estilo de vida moderno mas nefasto. Passamos mais tempo em ambientes fechados como em casa e nos escritórios e quando estamos fora deles somos “pressionados” numa campanha anti-sol promovida pelo incentivo ao uso exagerado dos protetores solares.

Verdade ou não, a realidade é que a vitamina D está na moda por estar em falta. Atualmente existem muitos mais suplementos de vitamina D do que há alguns anos atras.

Como obter vitamina D?

Existem três formas de a obter: através da exposição solar (colecalciferol), da alimentação (vit D3) e dos suplementos.

– Apenas 5/20 minutos de exposição solar diária, ao meio dia, de verão, mesmo que somente nos braços, mãos e rosto são suficientes para sintetizar vit D, desde que seja sem proteção. Estudos demonstram que se começa a sintetizar a partir dos 4 minutos de exposição, como mostra o quadro:

– A vit D3, quase sempre insuficiente para as nossas necessidades, pode obter-se principalmente através da gema de ovo, atum, cavala, sardinhas, salmão e óleo de fígado de bacalhau. A título de exemplo, 1 ovo grande contém 16 UI de vitamina D. Para suprir a necessidade mínima de 200 UI teríamos de comer 12,5 ovos por dia, o que se torna incomportável a todos os níveis.

– Existem cada vez mais suplementos no mercado. O Vigantol (gotas) e Rocaltrol são exemplos dos mais utilizados como formas simplificadas. Existem outros compostos como adição de cálcio que também podem ser prescritos pelo médico como Fosavance, dependendo das necessidades (osteoporose, por exemplo).

Mas final porque é importante?

É fundamental para o equilíbrio de cálcio e fosforo no nosso organismo. Não adianta termos muito cálcio se não existir vitamina D para o fixar – fundamental para a mineralização óssea. Aumenta a absorção intestinal de cálcio e fósforo, aumenta a reabsorção de cálcio nos rins, reduz a secreção de paratormónio (PTH) – induz a redução da densidade dos ossos (ou seja, quando PTH esta alto, os ossos tendem a ficar mais fracos). Protege contra doenças cardiovasculares: importante para reduzir a hipertensão, ataque cardíaco e derrames. Estudos demonstram que défice de vit D aumenta o risco de ataque cardíaco em 50%. Previne doenças auto-imunes como esclerose múltipla e doenças inflamatórias do intestino.

Como avaliar a quantidade de vitamina D no nosso organismo?

Através de análises de sangue. O valor padrão para a população em geral surge entre 50 a 70 ng/mL. Existe défice com valores ≤20 ng/mL, insuficiência de 21-29 ng/L e suficiente entre 30-100 ng/mL.

Dose diária recomendada…

Para a manutenção de um nível normal de vitamina D no organismo em geral é recomendada a ingestão de 200 a 400 UI (unidade internacional = 0,3 µg) de colecalciferol por dia.

Principais causas do défice

A principal causa é a diminuição da síntese cutânea pelo baixo tempo de exposição solar como nos países nórdicos que pela sua latitude têm menos horas de sol diárias e pelo excesso de uso de protetores solares. Diminuição da biodisponibilidade: obesidade, devido ao sequestro da vit D no tecido adiposo onde quanto mais gordura, mais vit D é necessária. Aumento do metabolismo. Diminuição da síntese por insuficiência hepática severa. Aumento da perda de vitamina devido a síndrome nefrótico (rins).

Principais consequências do défice

– O défice de vitamina D leva a uma diminuição da absorção do cálcio pelo intestino – hipocalcémia e aumento da PTH, que leva a uma desmineralização dos ossos = a maior risco de fraturas. – Crianças: raquitismo. – Adultos: osteomalacia. Dores generalizadas de ossos e músculos, pseudofraturas visíveis em cintigrafia óssea, dor à pressão no esterno ou tíbia. – Miopatia: devido a défice grave de vit D leva a fraqueza muscular, dificuldades na marcha. Nas crianças leva a dificuldades em ficar de pé e andar e nos idosos desequilíbrio e maior risco de quedas/fraturas. – Tristeza e Depressão: os níveis de serotonina (hormona do bom humor) elevam-se com a exposição solar. – Dor nos ossos generalizada em combinação com muito cansaço pode ser sintoma de falta de vit D. Muitas vezes acaba por ser mal diagnosticada como fibromialgia, síndrome de fadiga crónica, e outras. – Suor em excesso. – Problemas intestinais, doença de Crohn ou doença celíaca que fazem diminuir a absorção da vitamina D pelo intestino.

Prevenção

Assumindo que a exposição solar é mínima ou ausente, crianças de 0-1 ano (400 IU/dia) – 1 gota vigantol por dia; crianças 1-18 anos (600 IU/dia) – 1 gota; adultos 19-70 anos (600 IU/dia) – 1 gota, adultos >70 anos (800 IU/dia) – 1,2 gota, grávida/amamentação (600IU/dia) – 1 gota.

É um problema real no seculo XXI com uma elevada prevalência, com fácil solução e prevenção. A sua resolução dá ganhos evidentes para a saúde! Rastreie e informe-se.

A hiperptoteção contra o sol a que temos sido alvo não tem trazido só benefícios, deve optar por praticar desporto ao ar livre e passear mais em jardins e menos em shoppings. Os protetores solares têm a sua importância na prevenção do cancro de pele mas não precisam ser usados de forma exagerada.

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