Opinião Luís Ceia | Academia da Internacionalização

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O relatório “Estratégia de Fomento Industrial para o Crescimento e o Emprego 2014-2020” do Ministério da Economia, define o objetivo de se atingir em exportações já em 2015, 45% e no final do período do novo Programa Quadro 2020, 52% do PIB. Neste momento, Portugal face ao bom desempenho das empresas exportadoras ultrapassa os 40% do PIB.

É indiscutível o papel que têm hoje as empresas, como elementos motores da recuperação do crescimento económico. A ambição da economia nacional está virada para a conquista de cota de exportações nos mercados externos, apoiado em tudo que seja incentivos para que a nossa percentagem no PIB pelas exportações seja em muito aumentada e em que a componente Internacionalização deverá ter um papel importantíssimo na sustentabilidade e suporte das exportações.

No entanto, as empresas que desejem internacionalizarem-se devem claramente ter uma estratégia definida, para que mercados externos devem apontar baterias e como deverão proceder no curto, médio e longo prazo no sentido de serem competitivas.

O processo de internacionalização, através de investimento puro, novos projetos empresariais, na maioria das situações por razões de prudência e ganho de músculo inicia-se com a exportação de bens e serviços. É mais cauteloso, numa primeira instância, arranjar um agente local e depois eventualmente exportar diretamente. A deslocação da empresa para os mercados externos é um processo que exige mais maturação e esforço financeiro.

Esta transição não foi e não é fácil de fazer ao ponto de muitas empresas arriscarem a situação de insolvência, por serem apanhadas no crivo económico e financeiro da crise conjuntural atual e de não terem sido protegidas minimamente por um mecanismo de gestão. Assim e tal como infelizmente ilustram inúmeras lições de empresas nacionais, uma internacionalização sem preparação compromete o resultado e coloca em causa a sobrevivência da empresa, tendo em conta que os custos do fracasso podem assumir consequências verdadeiramente desastrosas. A internacionalização é um processo estratégico, persistente e exigente no qual é necessário acumular conhecimento e experiência para atingir os melhores resultados, podendo ser uma processo demasiado dispendioso, moroso e errático para empresas de pequena dimensão, pouco habituadas a abordar mercados internacionais.

Muitas vezes a internacionalização surge não por decisão estratégica mas sim como uma solução para quebra do mercado interno. Normalmente é um imperativo que é comandado pela conjuntura do momento. Procuram as empresas, neste caso, ajustar os mercados aos seus produtos. É a solução mais rápida para escoar a produção que o país não absorve. Muitas vezes resulta, encontra-se mercado que consome o que já produzimos. O problema está em que em vez de serem as empresas a conduzirem os acontecimentos são antes rebocados pela situação, as empresas vão para onde os ventos sopram.

Mas exportar ou depois internacionalizar é algo que exige mais conhecimento, é necessário conhecimento para andar à bolina. Exige conhecer os mercados e definir uma estratégia ao nível das características do produto, da embalagem, da distribuição e do apoio pós-venda. Estamos a falar de muito tempo e muitos recursos. Nestes casos, seria desejável o agrupamento estratégico das empresas com interesses comuns e não conflituantes. Já é prática nalguns locais haver empresas que se agrupam repartindo custos de exploração de novos mercados.

O Alto Minho foi a região que no último ano em termos relativos mais fez crescer as suas exportações. Se atendermos aos últimos dados disponíveis que reportam a 2012, já neste ano o valor das exportações era de 43,7% do PIB regional, bem acima da média nacional. No entanto, como sabemos estes números devem-se em grande parte às multinacionais que daqui exportam, acrescendo na maioria dos casos muito mão-de-obra mas pouca matéria-prima e conhecimentos locais. Temos condições de fazer melhor, apoiando as nossas PME´s, apostando nos nossos recursos endógenos. O aumento do valor acrescentado das nossas exportações é garantido se envolvermos as empresas locais que trabalham recursos locais.

A criação de uma academia da Internacionalização permitiria agrupar conhecimentos, experiência e recursos. Ela, a dita academia, aceleraria o processo, investindo no conhecimento e na partilha de experiências e interesses, e ganhando no tempo investido, através da imersão num programa multidisciplinar, multifacetado e de construção coletiva.

A CEVAL e suas associações, a CIM e o IPVC têm aqui um enorme desafio. A academia da Internacionalização deve reunir as empresas que já exportam com aquelas que se julgam com vontade e potencial para o vir a fazer. Essa amálgama, devidamente apoiada e orientada dará certamente resultados muito interessantes.

Os setores com dinâmicas exportadoras estão identificados pelos mais diversos estudos regionais recentemente efetuados: Agro Indústria, Turismo, Rochas Ornamentais, Metalomecânica. É necessário agora trabalhar estes setores, preparando-os através de estratégias coletivas que contemplem a observação e estudo dos potenciais mercados, a capacitação das empresas e empresários, os contactos internacionais e o permanente acompanhamento destas realidades.

Luís Ceia, Presidente da CEVAL

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