AINDA O (DES)ACORDO ORTOGRÁFICO

0

“A reforma ortográfica não enriquece em nada o idioma, mas alguém enriquecerá com ela”.

(João Ubaldo Ribeiro – escritor brasileiro, Prémio Camões 2008)

Já por duas vezes manifestei, neste espaço de opinião, a minha perspectiva sobre o tão falado “Acordo Ortográfico”. Longe de mim, da última vez que o fiz, pensar em voltar a fazê-lo, pois pensei que os defensores do “não”, nos quais me incluía, estavam vencidos pelo “quem manda pode”, embora não convencidos.

Porém, bastou que o Presidente da República a que vamos pertencendo dissesse duas palavras sobre o tema e logo se levantou um inesperado clamor. Afinal parece que havia mais gente contra o dito acordo! Hipocrisia e, quiçá, cobardia humana…

Continuo a considerar-me um “anti-acordo ortográfico primário”. Quer haja ou não a possibilidade de o reverter (termo tão em uso nos últimos tempos), continuarei a escrever respeitando a ortografia que os meus saudosos professores me ensinaram na então denominada “instrução primária”, já lá vão seis décadas.

Nesse tempo ninguém falava em acordos ortográficos, nem se punha em causa a Língua-mãe, como acontece hoje.

É claro que, ao longo de oito séculos (remonta a 1214 o primeiro documento que atesta o início oficial, digamos assim, da Língua Portuguesa) a Língua foi evoluindo dentro da matriz latina original, graças ao elemento base que a faz evoluir: o povo.

A comunidade lusófona, hoje assim apelidada, é constituída por diversos países, sendo a maioria territorialmente mais vastos que o rectângulo português. Porém, isso não deve levar-nos a sujeitarmo-nos a eles e a abdicar da nossa identidade linguística.

Relembremos Pessoa, não apenas quando isso nos possa eventualmente convir, quando afirmou: “A minha Pátria é a Língua Portuguesa”!

Acordos económicos, financeiros, empresariais, entre outros, tudo bem, que os façam, agora adulterar a vernaculidade da Língua Portuguesa, através de mudanças paridas de uns quaisquer legisladores, isso não!

Reitero o que afirmei no início: vou continuar a escrever ignorando este acordo, mantendo-me fiel ao que aprendi e que, por algum tempo, ensinei aos meus alunos, enquanto professor e não só.

Desvirtuar a Língua é abrir caminho para destruir a Pátria!

Como nota final, e já não se prendendo com o “acordo ortográfico”, deixo aqui um breve apontamento. Li e fiquei de “boca à banda”! O Presidente da República inaugurou, em Sintra – Portugal, o denominado “NewsMuseum”!

Afinal as notícias portuguesas são lidas ou escritas em inglês? Que País é este onde se aniquilam os seus valores linguísticos? Que vassalagem é esta que nos querem forçar a aceitar?

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here