Luís Ceia | AMBIENTE FAVORÁVEL PARA A CRIAÇÃO

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Promover o desenvolvimento das urbes significa aumentar a qualidade de vida daqueles que aí residem ou passam grande parte do seu tempo como transeuntes. Crescimento esse, que infelizmente pode não se traduzir em bem-estar, isto porque, como referia  Paolo Saturnini, o criador do conceito Cittaslow, “…as transformações urbanas devem respeitar a alma…”. O conceito de urbanidade insere a civilidade e, afabilidade, sociabilidade, quase por oposição ao de formalidade, relacionando os espaços públicos com a ideia de vitalidade.

A vitalidade urbana resultará da interceção de conceitos como inovação, talento, conectividade e diferenciação:

  • Os talentos afirmam-se como um ativo indispensável numa sociedade moderna, de conhecimento. É crucial que coexistam estudantes de ensino superior, com profissionais ativos e jovens inconformados onde o talento não tenha raça, cor ou bandeira.
  • A cidade ligada, conectada, aumenta a intensidade da interceção entre os fatores que determinam a vitalidade. A rede de ligações entre os diferentes players urbanos assente em suportes tecnológicos reforçará a cooperação comunitária.
  • A capacidade de criar novas ideias e de as tornar realidade é um fator competitivo crítico. Fomente-se o empreendedorismo, a inovação patenteada entre as PMEs, sendo o comércio urbano o player mais crítico e consequentemente decisivo.
  • As características únicas dum lugar são a sua grande vantagem competitiva. A matriz identitária relaciona vivências, memórias coletivas, património, localização e qualidade de vida. A criação de uma atmosfera cultural é determinante, “…se olharmos para os centros urbanos de sucesso, descobrimos que tal não acontece porque os privados investem em edifícios para escritórios, mas sim porque o dinheiro da taxas por eles pagas são investidas em cultura” (McKellar, 1996:15).

À conjugação destes fatores chamar-se-á criatividade. A criatividade apesar de o parecer, não é um dom concedido a um grupo restrito, todos nascemos com tal competência, que deve ser estimulada constantemente. É aqui, que começa o desafio dos Gestores Urbanos, dando forma ao espaço para que este seja fruído, para que as pessoas o sintam como seu, como sendo parte da coisa. As cidades, que assim se posicionem, têm maior potencial para atrair e reter talentos criativos.

Como podemos imaginar uma nova cidade, a cidade do futuro, que seja capaz de albergar, num mesmo espaço e tempo, o sucesso, o bem-estar e a qualidade de vida? Será possível conciliar o desenvolvimento urbano com o crescimento pessoal dos seus habitantes? Como edificar pontes entre as tradições – o seu conhecimento vivido e simbólico – e a modernidade?

Parece formar-se algum consenso sobre esta “nova” cidade – a cidade criativa, que assume novas dimensões: tolerante, talentosa, tecnológica, empreendedora, e inovadora. Se assim for, ela será: Cooperante através de redes de inovação e criatividade e Desafiante com clusters criativos: Culturalmente, enriquecida, Multicultural, Aberta, Global e Moderna.

Luís Ceia, Presidente da CEVAL

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