ANDREA POUSA :: Minhoto-galaica com um cante único

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ANDREA POUSA :: Minhoto-galaica com um cante único
© BelenFernandez

“TUDO, QUE TEM A VER COM PORTUGAL, TEM A VER COMIGO”

“O meu estilo é uma mistura de diferentes sonoridades que me faz única e pessoal. As minhas raízes estão no Tomiño (Figueiró), à beira do rio Minho, mas tenho antepassados do outro lado, em Vila Nova de Cerveira, e em Viana do Castelo (Santa Marta de Portuzelo).”

Andreia Pousa é uma jovem cantora que, em 30 anos de vida, já tem 14 de carreira. Que se está a afirmar na Galiza e, também, no Norte de Portugal. As terras minhotas já são o seu poiso habitual. Aqui, já participou em diversos projetos, como de solidariedade ou de reforço da união luso-galaica, bem como de ligação a mostras de artes plásticas e em outros âmbitos.

Entre eles, está, na edição de 2017 do Folk Celta, em Ponte da Barca, na produção do musical Keltia, a história do nascimento da Cultura Atlântica em terras galegas quando a Europa ainda estava sobre uma capa de gelo. Um musical com quase meia centena de intervenientes em palco e mistura canto, teatro, declamação, dança e fogo. Também já cantou e encantou na Assembleia da República, onde pensaram que era portuguesa e se lavrou um documento “onde me nomearam ‘Andrea Pousa, guerreira (o seu 2º apelido é Guerreiro, família de V. N. Cerveira) de Portugal’”.

CANTAR EM TRÊS IDIOMAS

No seu primeiro disco, editado em outubro de 2017, canta em três idiomas: galego, castelhano e o português. “São idiomas que considero maternos. Três línguas. Quis que se chamasse, nos três idiomas, de igual forma. Por isso, escolhi RESPIRAR” – referiu à VALE MAIS. Para o próximo, está prevista a parceria com um dos principais nomes do panorama artístico português. Um “nome grande” que Andrea Pousa não quer, para já, revelar.

“Uma cantora galega, com um sentimento raiano. Sente o idioma e a ascendência portuguesa. Transporta no coração este sentimento… a diáspora. Essa ligação a Portugal é a origem de um cante único por parte de Andrea, diferente do resto das cantoras.” – refere-nos Bruxo Queimán, ator e sócio de Andrea.

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©DR

“Tenho uma voz galega, mas tenho esse ‘desgarro’ do fado de Portugal. O resultado é uma sonoridade única” – enfatiza Andrea, acrescentando que estudou canto clássico, “mas sou uma cantora moderna”.

Desde os 16 anos que se dedica ao canto de forma profissional. Todavia, “desde pequena que pensava em ser cantante. Os meus estudos foram todos focados nisso.”

Os primeiros passos foram dados na aldeia onde nasceu, Figueiró, no grupo local de bandurria (instrumento musical parecido com a guitarra). “Devia ter uns oito anos quando comecei a tocar. Mas também tínhamos de cantar. Foi aí que comecei a despertar o interesse do diretor (também familiar) que disse era melhor dedicar-me, em exclusivo, a cantar” – conta-nos.

‘DUPLA NACIONALIDADE’

“Quando digo que sou galega, considero que tenho dupla nacionalidade. Há muita ligação com Portugal, com a sua cultura, o seu idioma, a sua gente. É como se estivesse em casa. Não há fronteira, estamos muito unidos e, por isso, trabalhar em Portugal é como se o fizesse na Galiza. Não há divisão, nenhum impedimento para fazer isso. Então, tudo que tenha a ver com Portugal, tem que ver comigo” – afirma, convicta, à VALE MAIS.

E acrescenta: “Tenho trabalhado em vários projetos. O Ponte nas Ondas foi o primeiro e muito bonito, de união ainda maior de duas culturais. Ainda era pequena e estive na ponte de Valença a gravar um videoclipe, com os meninos do outro lado do rio. Muito giro! Foi a minha primeira ligação assim forte com Portugal, em termos artísticos.”

Andrea fala, também, do público galego e português.

“É muito parecido. Gosto de cantar muito em português. Quando estou em Portugal, explano-me ainda mais. Na Galiza, também canto em português. No meu primeiro disco canto nos meus três idiomas: galego, castelhano e o português. Considero-os maternos. Quis que o nome do primeiro disco (outubro de 2017) se escrevesse de igual forma nos três idiomas. Por isso, escolhi RESPIRAR.”

SOU A “DIASPORADA” DE PORTUGAL E PUSKAS E DA GALIZA

Puskas é um pintor português, do Alto Minho, bastante conhecido na Galiza, onde já foi premiado. Nos últimos tempos, a inauguração das suas mostras tem registado a atuação de Andrea. “Tem sido um prazer partilhar com ele… como eu sou a ‘diasporada’ de Portugal, ele é a ‘diasporada’ da Galiza. Temos esse elemento em comum, entre muitas coisas mais. A nossa arte em diferentes facetas. Quando atuamos com ele, eu e o Queiman fazemos isso como uma ligação de culturas.”

Como aconteceu o projeto com o Bruxo Queiman? “Conheci-o em 2014, é o meu sócio. Começamos a trabalhar num plano que ele já tinha idealizado. O musical Keltia, com quase 50 pessoas e onde canto em direto. Estivemos quatro anos consecutivos com este projeto por toda a Galiza e no Norte de Portugal”.

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©Maensa

E continuam a existir espetáculos de Queiman e Pousa. “Temos diferentes formatos de espetáculos. E de cinema também. Depende do evento ou do lugar. Adaptamo-nos ao evento. Mas também quero dizer que, agora, estou mais imersa no meu projeto a solo… e uma carreira a solo leva muito tempo.”

Quer dizer que está a dedicar-se mais à apresentação do novo disco? “Sim… e a trabalhar noutras coisas que vêm. Tenho estado a apresentá-lo em diferentes pontos. Também estou a compor. Neste disco, compus pouquinho, a composição é uma área aparte.”

Surge primeiro a letra ou a música? “Estou-me centrando nas letras. Ando a trabalhar com um compositor que me está a ajudar a desenvolver as minhas ideias. Faço inicialmente as letras. Aliás, primeiro penso nos temas que quero cantar – igualdade, amor, diferentes temáticas ­- e logo desenvolvo a história. Ele ajuda-me a classificá-la musicalmente. É o que estou a fazer, além de cantar em direto.”

Uma nota importante. “Ao cantar, sou uma intérprete. Posso cantar canções de outros compositores, mas quando estou a cantar algo que nasce em mim é diferente a sensação, interpreta-se de outro jeito.”

Nos espetáculos, a parte cénica não é descurada. “Gosto do cinema, de ser atriz. Então, para mim, cada canção é como se fosse uma película. Tento teatralizá-la um pouco mais.”

Andrea Pousa dá-nos, também, contra de momentos “mágicos” em Portugal, como a da abertura da “Oficina de Turismo do Porto” e na Assembleia da República, em Lisboa, na exposição de Puskas. “As pessoas pensavam que eu era portuguesa. Falavam comigo e afirmavam que eu era portuguesa. Que o Queiman não é português, mas que eu era” – conta-nos. Na oportunidade, o Parlamento português lavrou um documento “onde me nomearam Andrea Pousa guerreira (o meu 2º apelido é Guerreiro, de V. N. Cerveira) de Portugal, firmado pela vice-presidente, Edite Estrela”.

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FILME DE TERROR

Andrea e Queiman têm sido parceiros em várias produções. O cinema é uma delas e, nesse sentido, está previsto um filme… de terror!

“Fazemos parte de uma produtora executiva desse projeto, mas eu estou também no filme como atriz. Considero que é também um ramo de que gosto muito, considero-me cantora em primeiro lugar, mas também atriz. Agora, o meu papel será num filme de ação e terror. Nunca vi na minha vida, por inteiro, um filme de terror. Não sei como vou fazer para o ver no cinema…

O argumento “tem a ver com um surto” de zombies. “É uma experiência nova. Também gosto de experimentar. Já tive experiências de teatro, mas, de cinema, esta é a primeira vez. Vamos começar a rodá-lo em março, lá para 2020 estará em exibição.”

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