Opinião Luís Ceia | As empresas e a internacionalização

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Falar de empresas é hoje tema recorrente em todos os jornais, rádios, televisões e redes sociais. Tal como acontece com o futebol, comentar o mundo empresarial virou moda recente. Multiplicam-se os programas com os mais diferentes comentadores de uma língua cada vez mais usual, o “economês”, aquela linguagem que tem a capacidade de substituir, entre outras palavras, recessão por crescimento negativo… A grande maioria destes comentadores possivelmente nunca sujou os sapatos numa empresa, quando muito entrou em visita de protocolo, daquelas visitas em que tudo corre bem, está tudo limpinho, não há avarias, as linhas de fabrico brilham e os colaboradores são todos uma simpatia. Mas o mundo das empresas, o mundo real, aquele que cria riqueza, gera empregos e alimenta a parte social é bem mais duro e complexo.

Isto para vos dizer que falar de empresas hoje constitui provavelmente um manancial de oportunidades. Curiosamente, quem menos delas tira partido são aqueles que nelas trabalham. Aquele que investem o que têm e o que por vezes não têm para manter a sua actividade, sendo a âncora de estabilidade e bem-estar de muitas famílias. São estes que muitas vezes por razões afectivas, acumulando prejuízos no exercício contabilístico, o mesmo é dizer metendo dinheiro do seu próprio bolso, vão evitando os despedimentos dos seus colaboradores. E são estes também, que quando ganham, reinvestem os lucros na região, seja através da empresa ou do seu património pessoal.

Ora curiosamente esta gente, é a que menos tem sido chamada a opinar, ora por força da sua constante ocupação ou porque pura e simplesmente não são chamados ao processo. Costumo dizer que e de Medicina perceberão os médicos, de Engenharia os engenheiros, de Direito os advogados e os políticos de Política… de empresas devem perceber os empresários. Esses são em primeira e ultima instância, aqueles que melhor do que ninguém sabem do seu negócio. São estes que devem ter a última palavra nos investimentos a fazer e nos mercados a abordar. Os consultores, comentadores, se for o caso, devem ser auxiliares de processo e não mais do que isso.

O novo quadro aponta claramente para a competitividade empresarial, e esta só pode ser feita pelos e com os empresários. O Alto Minho como parte integrante deste Pais não foge a esta regra. Os empresários e as Associações que os representam devem ser envolvidos, participar na tomada de decisões sempre que dinheiro público destinado a estas áreas esteja em cima da mesa. Urge dinamizar uma estrutura que se ocupe da internacionalização e captação de investimento. A CEVAL e as suas associações têm o feito, tem promovido a região em diferentes contextos, tem potenciado negócios e oportunidades. Exemplos recentes, a adesão à camara de comércio Malta-Portugal, o alargamento da rede internacional de Associações relacionadas com o movimento “slowfood” a parceiros espanhóis e franceses e a aproximação a mercados estratégicos com a missão cruzada entre empresários galegos e portugueses a Moçambique em Julho próximo. Com uma rede de contactos estabilizados pelos 4 cantos do mundo, fruto das parcerias e missões empresariais/institucionais já efectuados ao longo da última década, a CEVAL com a sua rede de associações e empresas que pulverizam o Alto Minho deve ser parte activa neste processo sob pena de não colocarmos os empresários na participação das decisões e de se deitar fora todo um know-how adquirido ao longo destes anos. Esperemos que por cá também não apareçam dos tais comentadores de economês que nunca sujaram os sapatos… já nos chegam os outros.

Luís Ceia, Presidente da CEVAL

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