Bairro da EDP no Lindoso esquecido e abandonado

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Bairro da EDP no Lindoso esquecido e abandonado
© DR_Vale mais

O bairro da EDP no Alto Lindoso, erguido aquando da construção da barragem, destinado aos seus trabalhadores e familiares, parece votado à degradação, com a vegetação a tomar conta do local e, até, parcialmente, da via de acesso às mesmas. Um facto que a VALE MAIS verificou “in loco”.

Constituído por diversos imóveis, alguns com rés do chão e primeiro andar, o mesmo é propriedade da EDP e, segundo uma fonte que contactamos, há cerca de década e meia tentaram passar a sua propriedade para o Município. A finalidade poderia ser de ordem turística. Outra informação dava conta de que a EDP também o tentaria vender, por um preço até 60 por cento do seu valor, a trabalhadores reformados, mas que não terão existido interessados.

Bairro da EDP no Lindoso esquecido e abandonado

Nada disto foi confirmado, mas, o certo, é que o aspeto, quando lá passamos, era desolador. O facto de barragem ter sido concluída em 1992 e a circunstância, desde então, dos imóveis se encontrarem desocupados e situados num local isolado, terá ajudado a que tal se registe.

Uma fonte indicou-nos que o avanço da vegetação se deve às chuvas mais recentes, que a teria ajudado a voltar a crescer mais rápido, mas o seu corte já estaria a ser providenciado.

BAIRRO NO LINDOSO

Acerca da situação, fonte oficial da EDP apenas nos confirmou que esta continua a ser a proprietária de diversos ativos imobiliários na zona de Paradamonte, local a jusante do Lindoso, também junto ao rio Lima ( na freguesia de Britelo) e onde, no início do séc XX, se construiu a central hidroeléctrica que viria a ser substituída pela atual barragem do Alto Lindoso. É o maior exemplar de arqueologia industrial no concelho de Ponte da Barca.

Bairro da EDP no Lindoso esquecido e abandonado

O lugar de Paradamonte serviu ainda de campo-base durante a construção da Barragem do Alto Lindoso, pelo que é possível observar, no local, o que foram infraestruturas de alojamento e de serviços construídas pela EDP, como uma escola, um posto de saúde, pousada e sala de espectáculos.

Todavia, entre 1948 e 1957, a central funcionava em pleno e foi criada uma espécie de “cidade” para os trabalhadores e famílias. “Começou pela escola, passou aos bairros (como o de Rebolar), capela privativa (de Santa Isabel da Hungria), refeitório, posto médico e terminou no complexo cultural e desportivo, por onde agora passeamos. Piscina, campo de férias, campos de jogos, a velha sala de espectáculos, com cinema, e bar, sala de jogos, biblioteca (o Clube de Pessoal da Electricidade de Portugal)”, referia-se, há já quase 10 anos, na “Fugas”, guia de lazer do Público

Já na altura era dada conta de a EDP pretendia requalificar parte do património ali situado, rentabilizando as velhas estruturas para aproveitar o potencial turístico da região com um empreendimento de luxo. Como exemplo, era apontado o clube do pessoal e o campo de férias que iriam ser reconvertidos e este teria direito a um picadeiro; a pousada daria lugar a um hotel/spa e novas moradias seriam construídas.

Bairro da EDP no Lindoso esquecido e abandonado
Estradão de acesso ao bairro do Alto Lindoso

CONVERSAÇÕES COM ENTIDADES PÚBLICAS

Uma parte significativa dos imóveis nesta região, refere fonte oficial da EDP, está a ser utilizada para diversos fins, nomeadamente de carácter social. No caso das restantes propriedades, garante, foram encetadas conversações com entidades públicas, com vista a definir a utilização futura das mesmas.

Não quis, porém, adiantar quais as entidades, nomeadamente se se tratam de regionais ou nacionais.

Adiantou, ainda, que parte da manutenção que a EDP realiza a estes imóveis “envolve a limpeza da vegetação envolvente, estando esses trabalhos a decorrer de acordo com o previsto.”

Não nos foi dada, porém, qualquer resposta concreta sobre planos futuros para o bairro da EDP no Lindoso.

Bairro da EDP no Lindoso esquecido e abandonado
Antiga central de Paradamonte

OUTROS BAIRROS NO PAÍS

Segundo apurámos, a EDP tem dezenas de outros bairros idênticos em todo o país, mas sobretudo na região Norte. A tipologia dos imóveis passava por moradias, armazéns e escolas. Em alguns, porém, a opção foi mesmo o de os desativar.

Com efeito, durante décadas, uma das preocupações da EDP foi a de oferecer alojamento e outras infraestruturas aos trabalhadores junto às instalções das barragens, muitas vezes situadas em locais de difícil acesso.

As características sociais dos bairros levaram a empresa a garantir não só a conservação dos imóveis mas também a suportar os custos do abastecimento gratuito de água e luz.

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