Bienal distinguida:: Cerveira tem o melhor museu do ano

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Bienal distinguida:: Cerveira tem o melhor museu do ano

O objetivo é incentivar e gratificar a criatividade dos museólogos portugueses, reconhecendo o seu contributo e dando visibilidade ao que de melhor se faz, neste âmbito, no país.

Entre as 190 candidaturas, coube ao Museu da Bienal recebeu o prémio de melhor museu. Este compreende um espólio de perto de 670 peças, de meio milhar de artistas, relativas às diversas edições da Bienal Internacional de Cerveira. Esta realiza-se desde 1978 e é já a mais antiga da Península Ibérica.

Vitória de artistas

Cabral Pinto é o diretor artístico da Bienal, sucedendo, na história desta, a Jaime Isidoro, José Rodrigues, Henrique Silva e Augusto Canedo. Acompanhou a reportagem da VALE MAIS numa visita ao espaço.

“O espólio é vasto e contém um conjunto de obras muito importantes. Tudo começou com os Encontros de Arte promovidos pelo Jaime Isidoro e, neste momento, mais de 600 obras das várias tendências artístiscas, que durante este tempo todo se foram desenvolvendo, merecem este reconhecimento por parte da APOM – Associação Portuguesa de Museologia – como melhor museu do ano. É também uma vitória dos artistas que fazem parte da própria coleção da Fundação” – começa por nos referir.

O responsável enfatiza, mesmo, a importância do prémio para a Fundação Bienal de Cerveira, mas também para os artistas representados na coleção do museu. As modalidades representadas são a pintura, a escultura, gravura, serigrafia, o video, perfomances (há videos com estas) e a tapeçaria, “Todas as áreas das artes plásticas estão aqui envolvidas”, nota.

“A maioria é a pintura, mas também temos muita escultura. Ainda agora estamos no Mosteiro da Batalha com um conjunto de 16 obras de escultura e que é representativa do nosso acervo”, explica.

Os artistas representam cerca 30 nacionalidades.”Fazendo um cálculo, na última bienal concorreram 43 nacionalidades, alguma dos artistas destas não foram selecionadas, como é evidente, mas andará à volta disso….”

Efetivar espaço próprio

A iniciativa de concorrer partiu da própria Fundação e, de imediato, isso traduz-se, segundo Cabral Pinto, na efetivação de um espaço próprio para o museu

“Funcionamos muito com as exposições do acervo, incluindo, também, no estrangeiro, mas, fundamentalmente, em Portugal. Temos, ainda, o Museu Virtual onde estão grande parte das obras do acervo. Ainda não houve a possibilidade de as meter todas. É possível ser consultado pela população e ver, também, as obras que fazem parte da coleção” – explica.

“Acho que este prémio vem-nos dar essa responsabilidade de, agora, assumirmos, por inteiro, o museu” – nota.

A equipa da Fundação da Bienal não ultrapassa uma dúzia de pessoas. “Fazemos tudo aqui. Temos o Serviço Educativo, equipa de montagem, transportes, um pequeno conjunto de pessoas, não passa disso”, acrescenta.

O prémio agora obtido lança novas perspetivas.

“É sempre um desafio. Temos sempre de nos atualizar em função do que vai acontecendo na Europa e no mundo; portanto, o que nos irá trazer será sempre novidade porque são coisas que vão surgindo com os tempos e temos de estar atualizados.”

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Novos públicos

A nível de públicos, poderão também existir alterações.

“A esse nível, acho que sim. Para além de se falar, a nível nacional, do museu da bienal, é evidente que isso tem repercussões quanto a públicos, da criação de novas pessoas que vêm aqui visitar a fundação e o museu. É muito importante este prémio para a Fundação Bienal de Cerveira.”

Cabral Pinto enfatiza também o trabalho com as escolas na preparação de novos públicos. “É um trabalho constante nesse aspeto. Há muitas visitas do público escolar”, anota.

A atividade da Bienal faz-se notar.

“Trabalhamos todo o o ano…. Temos o serviço educativo e um conjunto de atividades, incluindo as exposições em vários sítios. Eu posso-lhe só mencionar que, no ano passado (memória mais recente), fizemos um conjunto de exposições fora do concelho, incluindo o estrangeiro. Ainda recentemente fomos à Sardenha (Itália), num trabalho que foi reconhecido e em que está lá a nossa marca.”.

O diretor vinca memo que “não estamos parados, estamos aqui a trabalhar constantemente e há sempre exposições. Para lhe dar um exemplo, recentemente tivemos a exposição do Jaime Isidoro mas, ao mesmo tempo, temos dos artista e sócios-fundadores, temos de um projeto que foi desenvolvido pelo Serviço Educativo, um conjunto de atividades dentro da própria fundação que nos obriga a estar sempre em movimento. Conseguimos fazer com que chegue às pessoas todo este nosso trabalho.”

Quanto ao público da Bienal, “normalmente vem com a ideia… nós, na Bienal, temos sempre uma ou duas homenagens de grandes pintores ou artistas plásticos e, muitas vezes, vem focados nestes artistas. Depois, outros pormenores que a própria Bienal vai desenvolvendo no decorrer do evento. Mas, fundamentalmente, há sempre uma peça ou outra, um artista ou outro que sobressai e é sobre esses que, habitualmente, o público vem visitar.”

Uma bienal de veneza

Por outro lado, não é descurada a vertente de descoberta de novos artistas. “Estamos a fazer isso ao longo do ano. Temos um projeto que se chama mesmo Novos Artistas e em que aqueles que agora estão a surgir (emergentes, temos feito também esse papel). Na Bienal, também isso acontece, embora não se note tanto, está diluido no meio dos outros. Temos os artistas que convidamos, os novos que concorrem, os homenageados. Também são muitas as universidades e escolas de artes que participam na nossa Bienal. Inclusivamente, no ano passado, tivemos quatro universidades estrangeiras a participar. Vieram do Perú, da Colômbia e da Rússia.” 

Quer-se, efetivamente, ir-se mais longe. “Queremos que se torne não uma Bienal de Veneza, mas por aí”, entusiasma-se Cabral Pinto.

Já têm alguma coisa pensada com vista à próxima edição da Bienal? – quiesemos saber. “Sim. Já estamos a trabalhar na próxima Bienal, temos algumas ideias de quem será o/a artista homeageado/a e também aqueles dois ou três artistas que vamos convidar para terem espaços próprios, divulgarem a sua obra ou já divulgaram e são artistas conceituados.”

Levanta, também, o véu sob a temática. “Diria que anda à volta da Comunicação em Arte. Ainda estamos a aferir. Já tivemos uma sobre comunicação, só que nós queremos fazer sobre a comunicação numa outra perspetiva. Como é que o artista comunica a sua obra? E quais são os métodos utilizados? É isso que vai estar em discussão. Como é que a obra chega ao público e isso é importante perceber.”

Todos os anos têm vindo a aumentar o número de visitantes do museu, embora, nos anos em que decorre a bienal, se encontre inflacionado, como sucedeu com 120 mil registados em 2018. Até 1 de setembro, pode ser visitado diariamente entre as 11h e as 13h e das 15h às 19h. Depois, estará aberto nos horários 15h/19h (terça a sexta), 10h/13h e 15h/19h (sábados e feriados). 

RECONHECIMENTO DE MAIS DE 40 ANOS DE TRABALHO MUSEOLÓGICO

Fernando Nogueira, presidente da Câmara Municipal e da Fundação Bienal de Cerveira, observa à VALE MAIS que a atribuição do Prémio de Melhor Museu do Ano não é tanto o reconhecimento de um museu “fisicamente”, mas o trabalho museológico dos 40 e tal anos das bienais e de quem trabalha a arte contemporânea em V.N. Cerveira. 

“É evidente que o prémio nos dá um enorme orgulho por ver este trabalho reconhecido, de todos os atores que passaram pelas bienais, dos fundadores à parte artística, políticos, de todos aqueles que, ao longo dos anos, souberam preservar e, na nossa perspetiva, melhorar o trabalho da Fundação e valorizar o dos fundadores”, considera.

“Este prémio aconteceu agora, mas é fruto, efetivamente, de um trabalho museológico ao longo dos anos. O espólio da bienal corresponde a mais de 670 obras de arte. É esse conjunto vastíssimo  que aqui está premiado. Não é um facto pontual”, acentua.

E avisa: “sempre nessa perspetiva de valorização, de aprofundamento e valorização de quem teve a ousadia de começar um trabalho desta natureza, de descentralização das artes, de dignificação do património cultural em V.N. Cerveira.”

Sobre o que isto pode trazer, no futuro, para o Museu, Fernando Nogueira é perentório.

“Uma maior responsabildidade ainda, uma vontade, da nossa parte, em trabalhar em prol das artes, do desenvolvimento da Fundação da Bienal, de consolidar ainda mais a marca, de promover as artes e responsabilidade em caminharmos num sentido de construirmos um verdadeiro Museu da Bienal.”

Mudar o local

Nogueira observa, também, que o atual espaço das bienais (Forum Cultural) e onde está instalado também o espaço museológico, não tem “propriamente a vertente de museu tradicional ou que se adapte às necessidades de exposição permanente ou temporárias das obras de arte da Fundação, bem como de outras obras que, pontualmente, possam vir a V. N. Cerveira”. 

“Defendemos – digo isto em termos mais populares – que as obras de arte, como os livros, devem arejar para dignificarem e valorizarem, para terem uma verdadeira utilidade” – argumentou.

Mas já está pensado algum novo espaço para arejarem? – questionámos.

“Estamos a constituir algumas ideias” – respondeu, lacónico.

Levante-nos um pouco o véu – pedimos

“Será em V.N. Cerveira, na zona histórica, num espaço já existente.”

JOANA VASCONCELOS E OS GRANDES NOMES DA POP ART

 “É um momento excelente para as pessoas nos visitarem. É uma forma de trazer pessoas. São os grandes nomes da Pop Arte, gravuras e serigrafias, mas também uma peça da Joana Vasconcelos”.

É assim que Cabral Pinto se refere à mostra patente no Museu Bienal de Cerveira que decorre até 19 de outubro, integrando cerca de 140 peças daquele movimento artísitico, iconoclasta, surgido na década de 1950 em Londres (Inglaterra) e que alcançou a sua maturidade em Nova York (Estados Unidos) nos anos 60.

Promovendo uma aproximação ao universo deste movimento, um dos mais importantes da história da Arte, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) promove a iniciativa, em colaboração com a Fundación Cum Laude. 

Além de Joana Vasconcelos e Andy Warhol, nele também estão representados outros nomes importantes da história da Pop Art e que surpreendem quem por lá passa.

“Trata-se de uma coleção privada de arte gráfica da empresa MBA Grupo Incorporado que será apresentada pela primeira vez em Portugal, sendo para nós uma honra apresentar, no Museu Bienal de Cerveira, estes grandes nomes intemporais da POP ART e esta que é uma das artistas mais conceituadas do país, a Joana Vasconcelos”, garante, por sua vez, o presidente da FBAC, Fernando Nogueira. 

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