Bombeiros de Ponte da Barca com nova casa:: “Uma luta já com duas décadas”

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Bombeiros de Ponte da Barca com nova casa::

É um velho anseio de Ponte da Barca e que agora á concretizado. Uma luta com quase duas décadas e um demorado processo de validação e de construção pelo novo quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários. Estará a funcionar, em pleno, no início do novo ano. Situado junto ao pavilhão gimnodesportivo e à zona escolar, ocupa um terreno com 6300 metros quadrados, disponibilizado, há alguns anos, pela Câmara Municipal, a quem pertencia, e implicou um investimento na ordem dos 800 mil euros.

Foi oficialmente inaugurado em agosto de 2019, altura das Festas de S. Bartolomeu e da corporação festejar o seu aniversário. Com autoridades locais e nacionais presentes. Entre elas, o secretário de Estado da Proteção Civil, o representante da Proteção Civil e Diretor Nacional dos Bombeiros e o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses.

Enquanto não se concretizam uma série de formalismos, designadamente a vistoria, o atual quartel, na Rua Sá Carneiro, continua a funcionar. Por questões formais, as novas instalações assumem-se como Extensão deslocalizada do Quartel.

A corporação serve todo o concelho de Ponte da Barca, uma área de 184,76 km² e pouco menos de 12 mil habitantes, incluindo áreas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e existe há já 84 anos. Desde 2008 que é presidida por Adelino Bago que, todavia, integra os corpos diretivos há 34 anos.

Falando à VALE MAIS, este nota que a nova casa dos bombeiros foi construída com financiamento de fundos comunitários, na ordem dos 600 mil euros, mas o investimento total andou pelos 800 mil.

“Nas novas instalações está praticamente tudo. É uma extensão deslocalizada. Este quartel velho vai funcionar com algumas pequenas coisas. Não nos interessa muito ter quartel em dois lados. A despesa iria aumentar substancialmente”, sublinha Adelino Bago.

Bombeiros de Ponte da Barca com nova casa:: "Uma luta já com duas décadas"

ASSISTÊNCIA ÀS VIATURAS NO VELHO QUARTEL 

Neste pressuposto, “vamos tentar mudar para lá quase tudo”. No velho quartel deverá funcionar a assistência às viaturas da corporação. De resto, deverá ser transferido quase tudo para a nova casa. Esta, como se atrás disse, terá de ser vistoriado por entidades responsáveis pelos quartéis. “Ainda não está marcada a vistoria”, assinala, pelo que se continua, ainda em pleno, nas velhas instalações.

NOVO ARRUAMENTO

Junto à nova casa dos bombeiros barquenses, a Câmara Municipal vai fazer um arruamento para facilitar a saída das viaturas, nomeadamente no acudir a situações nas áreas rurais do concelho. “De qualquer modo, nós podemos sair. Mas, para ser mais prático, haverá um novo arruamento que nos vão fazer. Esse é que depois vai ficar muito funcional”, explica-nos Adelino Bago.

“Queria ver se no fim deste ano/principio do próximo, a gente mudaria. Vamos ver. A expetativa é essa”, acrescenta.

QUARTA CASA

Pelo que se sabe, é já a quarta casa da instituição nos seus 84 anos. “Já estivemos em casas alugadas. Conheço duas. A atual estrutura é a segunda construída expressamente para quartel”, conta-nos o presidente da Direção.

Especificando relativamente ao que será do imóvel na Rua Sá Carneiro, vai-se tentar “reabilitar certos setores”. Observa: “Nos bombeiros, temos a infelicidade de andarmos sempre com a mão estendida a mendigar. Vamos tentar rentabilizar o melhor possível, mas o previsto é que nelas funcione a Assistência a Viaturas, fundamentalmente ambulâncias. Para estas, como se sabe, o Estado não nos dá qualquer contribuição. Têm de ser todas à nossa responsabilidade. Já me fui preparando para ter um técnico para fazer as reparações.”

Todavia, “agora há outras viaturas, é o caso das ‘vermelhas’, para os incêndios e tudo isso. Aí temos que nos por um bocadinho à tabela; a Proteção Civil tem que nos apoiar nesse ponto. Aí, sim senhor, poderemos fazê-lo se a Proteção Civil abrir um bocadinho os cordões à bolsa e dizer: é capaz de nos ficar mais em conta, vocês faziam o serviço . . . Estamos abertos a isso. Para já, não. Há viaturas que vão para o monte, que se incendeiam, que se viram, isso não podia estar à nossa responsabilidade, nem pensar.”

Outro objetivo para as atuais instalações é efetuar algumas obras, nomeadamente na parte superior do quartel. “Há locais que se podem desenvolver para alugar. Para gabinetes de advogados, médicos, comércio, etc.”.

Todos os outros serviços irão funcionar nas novas instalações.

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MEIA CENTENA DE ELEMENTOS

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte da Barca tem um corpo de voluntariado na ordem da meia centena de elementos. Apenas 18 são remunerados. José Freitas é, desde há ano e meio, o comandante.

Em média, o quadro tem integrado cinco a seis novos elementos ao ano. As dificuldades de recrutamento são as comuns a outros concelhos do distrito, mas não piores.

Quanto ao parque de viaturas, ele é composto uma dezena de ambulâncias. Com os carros de combate a incêndios, totalizam 22. Há, ainda, embarcação para apoio e socorro em meio fluvial

Nesse sentido, dá conta de que, nas atuais instalações, metade das viaturas ficam ao ar livre. “Não cabiam no quartel. Lá em cima, sim, vamos ter garagem para as guardar e temos possibilidades de, a qualquer momento, aumentar a zona de as guardar” – avisa.

Relativamente às principais dificuldades a enfrentar, Arlindo Bago aponta as despesas que a instituição terá de suportar nos próximos tempos.

UMA “LOUCURA”

“Hoje, um quartel novo tem tanta coisa que nós não temos aqui neste, cá em baixo . . . Vamos ver o que vai acontecer com a luz elétrica, o telefone, o ar condicionado, com aquecimento de água . . . é uma ‘loucura’ o que está montado! O grande orçamento foi para essas situações . . . o AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) é uma das maiores ‘boladas’ no preço do quartel.”

O responsável falava das mais modernas tecnologias instaladas nas novas instalações. “Já pedi à Câmara um apoio. Tivemos de pedir um empréstimo de 300 mil, porque só nos atribuíram, de subsídio, 605 mil euros e o quartel custou 800 mil. Além disso, temos, no financiamento, de pagar a nossa contribuição (15%)”.

“É muito dinheiro”, observa, dizendo-nos que espera o apoio do Município através de um protocolo. “SOMOS O BRAÇO DIREITO da autarquia. Os bombeiros são sempre o braço direito desta, já que são os responsáveis pela Proteção Civil (é o socorro, incêndios, calamidades, afogamentos, muita coisa). E para os hospitais, temos dos doentes urgentes e não urgentes.”

O responsável diretivo considera, a propósito, que, quanto maior for a segurança das populações e dos seus bens, maior será a qualidade de vida. Por isso, defende, os investimentos na Proteção Civil têm de estar sempre na primeira linha.

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HISTÓRIA

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte da Barca foi fundada a 2 de março de 1935. Além do corpo ativo de bombeiros, tem uma fanfarra que representa não só a corporação, como toda uma região, e é constituída por bombeiros e familiares. 

Segundo a informação disponível, foram João Pereira (o Serradeiro), João Maria Gomes (o Pronto), Emídio José Rodrigues e José Martins Barreiro os seus fundadores e principais dinamizadores da constituição da Associação Humanitária.

O primitivo material foi cedido por corporações congéneres. O primeiro material próprio chegou em 22 de dezembro de 1935 e tratou-se de uma bomba braçal e um carro com material sapador, ambos adquiridos em V. N. Gaia com a ajuda da benemérita Maria Cândida de Sá Malheiro Garcia de Moraes, de Campos do Lima, que ofertou o montante de mil escudos. 

As primeiras instalações que serviram para a guarda do material ficavam nos fundos do salão do tribunal, separadas da sede da corporação que se situava num prédio no lugar das Fontaínhas, propriedade de Maria Azevedo. Depois passaram para a Rua do Terreiro, num prédio da família Sampaio e Mello. O alarme de fogo era dado pelo repenicar de uma sineta existente no antigo edifício camarário. Novos e velhos, homens e mulheres, acudiam para o ataque aos incêndios.

A primeira viatura motorizada foi um pronto socorro “Chevrolet”, adquirido em 1940 e trocado em 1949 por uma outra da marca “Studbeker”. A primeira ambulância surgiu apenas em 1960 e era uma “Plymouth”.

Na década de 60 do século passado, a instituição deslocou o quartel para o rés-de-chão de um edifício de Manuel Rodrigues, que se manteve até à inauguração do atual quartel, o primeiro construído expressamente para essa função, na Rua Sá Carneiro., em 1983.

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