Bursites trocantéricas e as caminhadas

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Bursites trocantéricas e as caminhadas

Bursites trocantéricas e as caminhadas. Com a chegada ao verão chegam também as preocupações com o corpo! É normal nesta altura ver-se mais gente a correr e a caminhar nos passeios, ecovias e praias.

Na verdade, já toda a gente sabe que um corpo de verão se faz durante o Inverno, mas existem mil e uma desculpas para falhar “aos treinos” e à corrida (literalmente!) e esse prejuízo, às vezes, sai caro. É realmente por esta altura, com o tempo a melhorar, que há mais vontade de fazer as caminhadas e corridas. Também é verdade que há quem as faça durante todo o ano assim como também é verdade que não é só para emagrecer como também por razões de saúde várias.

Os atletas “sazonais” que passam o resto do ano sem praticar exercício físico têm maior probabilidade de contrair as tais bursites trocantéricas (englobadas num contexto de síndrome de dor trocantérica).

O trocânter é uma proeminência óssea do fémur, na zona lateral da anca, que serve de ponto de fixação de vários músculos importantes para a movimentação da articulação da anca. É nessa zona que existem as bursas, uma espécie de invólucros de líquido gelatinoso que serve de “almofada” para minimizar o atrito entre o osso e os tendões.

Causas

Embora a localização da dor seja fácil de identificar, menos fácil é descobrir a causa. Pode ser provocada por um traumatismo direto como uma queda/contusão sobre esse osso ou indiretamente devido a encurtamentos musculares, esforços repetidos, dismetrias dos membros inferiores, alterações na passada (alterações no pé podem levar a problemas nos joelhos e sobrecarga nas ancas), excesso de peso, calçado e piso inadequados, alterações de tamanho ou posicionamento da pelve, alterações na coluna (escolioses e hiperlorsose) entre outras causas a avaliar clinicamente.

Bursites trocantéricas e as caminhadas

Sintomas

A dor é o principal fator de alarme e pode estender-se pela face lateral da coxa até ao joelho; incomodo à palpação; dor em flexão, abdução e rotação interna da anca; pode haver dor em repouso principalmente na cama – sinal inflamatório, poderá ocorrer edema (inchaço) local e aumento de temperatura.

Tratamento

Um bom tratamento depende sempre de um bom diagnóstico! Partindo do princípio que foram efetuadas ecografia e/ou eventualmente ressonância magnética para despistar outras lesões e o diagnóstico clínico é realmente bursite trocantérica, o tratamento conservador normalmente tem bons resultados. Vai sempre depender do estado da lesão. Quando tratada precocemente tem sempre melhor prognóstico. Primeiro eliminar a causa avaliada clinicamente e depois os tratamentos com agentes físicos de fisioterapia para eliminar dor e inflamação. Podem ser necessários analgésicos e anti-inflamatórios orais ou eventualmente injetáveis.

Ondas de Choque em situações crónicas ou calcificações e cirurgias para extração da bursa em casos extremos que muito raramente acontecem. Se estamos a falar de atletas, o repouso seletivo, ou seja, a paragem da prática desportiva vai ser necessária.

Aos primeiros sintomas, a colocação de gelo em períodos curtos (10-15 minutos) 3-4 vezes ao dia podem ajudar a aliviar sintomas.

Prevenção

A prevenção é o melhor tratamento… Avaliar o gesto desportivo; evitar biomecânica de passada e corrida alteradas; manter bom alongamento principalmente das estruturas adjacentes: glúteos, tensor da fáscia lata/banda iliotibial; evitar pisos de corrida e caminhada duros, arenosos ou em declives; manter boa condição física todo o ano; ter em atenção histórico de lesões e mais atenção com as senhoras que devido à estrutura de ancas mais largas têm mais tendência a desenvolver o problema.

Em jeito de conclusão, ressalvo que as caminhadas devem sim acontecer, não só pelo benefício lúdico que traz andar em grupos, mas também pelo benefício para a saúde em geral: prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade e claro, acompanhadas com um estilo de vida saudável alimentar. Se vai iniciar agora procure trajetos curtos a ritmos médios e ir progredindo lentamente para evitar lesões. A dor é o sinal de alarme por isso não deixe avançar muito tempo sem procurar um profissional qualificado. Bons treinos!

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