Casa de Nossa Senhora D’Aurora – O ÚLTIMO PARAÍSO

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Casa Nossa Senhora D'Aurora_O ÚLTIMO PARAÍSO

Incrustado na tranquilidade da tessitura da antiga vila medieval limiana situa-se um icónico santuário arquitetónico, histórico, paisagístico e ambiental, que, há alguns séculos, mantém uma sólida identidade com o “espírito do lugar” e dá um brilho enternecedor e intemporal à romântica beleza dos cenários rendilhados do burgo ancestral.

Trata-se da “Casa de Nossa Senhora d’Aurora”, organizada à volta de um “tríptico” deslumbrante e sedutor, que faz parte do imaginário coletivo das gentes do Lima.

Neste harmonioso espaço cenográfico, representativo da arte e da arquitetura barroca, sobressai um majestoso palácio urbano brasonado (com capela), decorado com um frontispício de formosos detalhes estéticos e decorativos, que se funde, num efeito cénico expressivo, com um jardim esculpido numa artística e poliédrica constelação vegetal.

O “tríptico” é preenchido por uma mata exuberante, inserida num imenso território, apresentando-se vestida com uma esplendorosa e diversificada coleção arbórea, pincelada por espécies raras oriundas de distintas latitudes do planeta, irradiando o conjunto uma beleza onírica que a todos deixa fatalmente aturdidos, pela riqueza, imponência e elegância da sua lídima variedade biológica.

Casa Nossa Senhora D'Aurora_O ÚLTIMO PARAÍSO

Mandado edificar entre 1714 e 1730, por João de Sá Coutinho (sexto avô dos atuais proprietários), este romanesco e glamoroso paraíso, que sobreviveu à ditadura do tempo, despertou, desde a sua fundação, uma combinação virtuosa de estima e afeto e um sentimento de comunhão e de calor fraternal, entre os seus proprietários (família Sá Coutinho) e o povo da vetusta vila realenga.

Classificada, desde 1977, como “imóvel de interesse público”, esta incandescente obra-prima limiana serviu de “quartel-general” a um nome maior no contexto nacional, nas áreas da antropologia, da etnografia, da história e da literatura: José de Sá Coutinho, o 3.º Conde d’Aurora (1896-1969), vulto que conciliou uma fecunda atividade de homem de letras com o ofício de Juiz do Tribunal de Trabalho.

Durante décadas, José de Sá Coutinho manteve a Casa d’Aurora como um espaço de encontro das mais notáveis figuras do universo das artes e das letras, prática que seu filho — João de Sá Coutinho (JSC), 4.º Conde d’Aurora (1929-2012) —, conservou com generoso entusiasmo, em simultâneo com a sua carreira diplomática como Embaixador.

Casa Nossa Senhora D'Aurora_O ÚLTIMO PARAÍSO
Embaixador Sá Coutinho
4.º Conde D’Aurora
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3.º Conde D’Aurora – Escritor

 

A NOVA VIDA DE UMA CASA COM ALMA

Com a morte do Embaixador JSC, o “tríptico” da Casa d’Aurora — casa, jardim e mata —, passou a ter uma nova vida, sob a direção dos seus três filhos — Rosário, João e José de Sá Coutinho —, cabendo a gestão operacional a Rosário de Sá Coutinho (ex-jornalista e escritora), em conjunto com o seu marido, o artista plástico João Calalout.

Se é certo que este tesouro, de admirável grandeza, sempre foi um espaço aberto ao mundo, hoje todos podem desfrutar deste património imaculado; penetrar no seu território mais íntimo e deixar a mente sufocar com idílicas emoções; contemplar a pureza, a paz infinita e a simplicidade grandiosa da “alma do lugar”; sentir a subtileza tímbrica da musicalidade relaxante da mística atmosfera envolvente; captar o brilho, a energia, a vibração e as fragrâncias da vegetação exuberante que matiza este gracioso e divinal “jardim botânico”; fruir das sombras majestosas e deambular no sossego da natureza pelos misteriosos e infindos trilhos do bosque secular, irrompendo, como por magia, na mais verdejante e pura “floresta pristina”.

Casa Nossa Senhora D'Aurora_O ÚLTIMO PARAÍSO

A ex-jornalista da Casa Cláudia, Blue Travel e Evasões, depois de adotar, em 2012, a Casa d’Aurora como o seu projeto de vida, disponibiliza, com reconhecida hospitalidade, visitas guiadas à casa, ao jardim e à mata, facultando aos visitantes, se assim o desejarem, uma suculenta refeição, a saborear no intimismo poético do histórico palácio ou uma bebida regeneradora, na serenidade do refúgio virginal da pictórica mata ou na calma telúrica das brilhantes tonalidades do sorridente e artístico jardim barroco.

Tudo isto, rodeado por lampejos de sonoridades balsâmicas das águas cantantes das bucólicas fontes; por exalações de ternura das indumentárias de mil cores, de atração eterna, das mais resplandecentes e fotogénicas flores de veludo; por inebriantes concertos sinfónicos de palpitação intensa, difundidos, em variações melódicas intermináveis, pela diversificada comunidade de pássaros residentes no bosque; por extasiantes sinfonias visuais de tons e subtons e por sombras tonificantes, espargidas pelas frondosas e imperiais árvores centenárias.

Casa d’Aurora, em Ponte de Lima — sim, o último paraíso, forçosamente a conhecer!

Fotografias: João Calalout e Arquivo da Casa

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